quinta-feira, 28 de abril de 2011

OS TEMPOS ESTÃO MUDANDO

Leio que dezenas de opositores chineses -- advogados, escritores, jornalistas, artistas e blogueiros -- foram detidos, submetidos a prisão domiciliar ou afastados de suas casas nas últimas semanas, em escalada repressiva cujo objetivo óbvio é resguardar mais esta ditadura do  contágio  das revoltas libertárias.

As pedras voltaram a rolar e a única certeza é a de que os verdadeiros revolucionários devem posicionar-se ao lado de todos aqueles que se revoltam contra tiranias.

Não importa que as nações ocidentais façam com a Líbia o que deveriam fazer também com a Síria, mas adotem dois pesos e duas medidas.

Não importa a posição que algumas dessas ditaduras obscurantistas, retrógradas e assassinas assumam no tabuleiro político internacional.

Importa apenas que oprimem seus povos e os seus povos estão se levantando contra elas, pouco a pouco, com o temor da repressão brutal cedendo lugar à esperança.

E o farão cada vez mais, pois o mundo se tornou um péssimo lugar para se viver nestas últimas quatro décadas de refluxo revolucionário. 

É a hora da maré crescente. E a nova onda começa a vir do Oriente, mas -- afirmo sem medo de errar --, acabará se espalhando por todo o planeta.

Quem viver, verá.

E quem for revolucionário, lutará.

Estamos exatamente como no final de 1963, quando Bob Dylan compôs The times they're a-changin', antecipando tudo que viria a seguir. O melhor ainda está por acontecer.

Para reacender a chama dos velhos guerreiros e tentar inflamar algum jovens que têm a retórica mas não o instinto dos revolucionários, eis uma bela tradução da canção de Dylan, agora mais atual do que nunca:

OS TEMPOS ESTÃO MUDANDO

Venham, pessoas,
por onde quer que andem
e admitam que as ondas
á sua volta cresceram.
E aceitem que logo
estarão cobertas até os ossos.
Se seu tempo para você
vale a pena ser salvo,
então é melhor começar a nadar
ou vai afundar como uma pedra,
pois os tempos estão mudando!

Venham, escritores e críticos,
aqueles que profetizam com a caneta.
E mantenham seus olhos abertos,
a chance não virá novamente.
E não falem tão cedo,
pois a roda ainda está girando
e não há como prever
quem prevalecerá,
pois o perdedor de agora
mais tarde vencerá,
pois os tempos estão mudando!

Venham, senadores, congressistas,
por favor, escutem o chamado.
Não fiquem parados no vão da porta,
não congestionem o corredor,
pois aquele que pára
será um obstáculo no caminho.
Há uma batalha lá fora,
está rugindo
e logo vai balançar suas janelas
e fazer ruir suas paredes,
pois os tempos estão mudando!

Venham, mães e pais
de toda a Terra
e não critiquem
o que não podem entender.
Seus filhos e filhas
estão além de seu comando.
Sua velha estrada
está rapidamente virando pó.
Por favor, saiam da nova
se não puderem dar uma mãozinha,
Pois os tempos estão mudando!

A linha foi traçada,
a maldição foi lançada
e o lento agora
será o rápido logo mais,
assim como o presente agora
será em breve passado.
A ordem está
rapidamente se esvaindo
e o primeiro agora
será o último depois,
pois os tempos estão mudando!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

OS ARAPONGAS DO PATRULHAMENTO CRICRI

A opção é entre a obra de Monteiro Lobato...
Depois de escorraçados pelos cultos, libertários e (consequentemente) antípodas da censura no final de 2010, os patrulheiros cricris contra-atacaram da forma mais sórdida possível, desencavando cartas em que Monteiro Lobato  expressou conceitos racistas.

Ora, em nenhum momento estiveram em questão as opiniões que o grande escritor, o grande defensor dos interesses nacionais e o grande adversário da ditadura getulista remoía na intimidade. 

Além de inquisidores, os patrulheiros cricris são bisbilhoteiros, comportando-se como repulsivos arapongas.

Igualmente, a grandeza da obra de Jorge Luis Borges não foi destruída pelo seu apoio a uma ditadura argentina -- embora isso nos tenha levado a perder o respeito por ele como homem.

No caso de Lobato, a coisa fede: ele nunca fez proselitismo contra os negros, mas, pelo contrário, compôs sua inesquecível Tia Nastácia como uma personagem extremamente humana, simpática, generosa e sábia em sua ingenuidade de mulher simples do povo.

...a de Torquemada...
O fato é que os patrulheiros cricris fracassaram rotundamente ao tentarem imputar racismo a Lobato a partir das pirraças da Emília, pois qualquer leitor isento percebe que as frases desaforadas da boneca falante não são endossadas, mas sim implicitamente criticadas, como exemplo de mau comportamento, pelo escritor.

Isto é o que importa, e é só o que importa

Se Lobato foi hipócrita e escondeu suas verdadeiras opiniões, por saber que desagradariam aos leitores e o deixariam malvisto nos círculos intelectualizados, é algo que o desmerece como homem. Mas, não há racismo nenhum em Caçadas de Pedrinho, nem em nenhuma obra de literatura infantil do nosso maior escritor do gênero em todos os tempos.

Ninguém aguenta mais o patrulhamento e a má fé dos macartistas de esquerda, que pensam ser tão diferentes, mas são tão iguais aos McCarthys e Nixons -- salvo por nunca haverem tido poder suficiente para mandar seus perseguidos para a cadeia ou condená-los ao ostracismo.

E, em termos mais amplos, tudo o que eu tinha a dizer sobre o episódio em si, antes de os patrulheiros cricris descerem ao nível do esgoto, eu já dissera no meu artigo O Waterloo do patrulhamento cricri, de 09/11/2010 -- que colocou a discussão num nível inalcaçável para esses aprendizes de Torquemada.

Vale a pena ler de novo:

O bizarro episódio em que uma integrante do Conselho Nacional de Educação afirmou existir racismo na obra de Monteiro Lobato, não se esgota na rejeição do seu parecer por parte do ministro Fernando Haddad. É hora de nos defrontarmos com o monstro, e não apenas com a mais chocante de suas monstruosidades.

...a de Joseph McCarthy...
O que havia para se dizer sobre o  politicamente correto, Karl Marx já disse, em 1845, nas Teses sobre Feuerbach:
"A doutrina materialista de que os seres humanos são produtos das circunstâncias e da educação, de que seres humanos transformados são, portanto, produtos de outras circunstâncias e de uma educação mudada, esquece que as circunstâncias são transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele próprio de ser educado. Ela acaba, por isso, necessariamente, por separar a sociedade em duas partes, uma das quais fica elevada acima da sociedade.

A coincidência do mudar das circunstâncias e da atividade humana só pode ser tomada e racionalmente entendida como praxis revolucionária." (3ª tese)

"Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo." (11ª tese)
Ou seja, os educadores que se arrogam o direito de decidir o que crianças (ou a sociedade como um todo) podem ou não ler, e com que ressalvas lhes devem ser apresentadas tais leituras, têm, eles próprios, de ser educados.

As mudanças das circunstâncias e da atividade humana só se dão por meio da prática revolucionária, não de uma educação mudada (ou expurgada, censurada, castrada, mutilada, maquilada, engessada, etc.).

...e a de Richard Nixon.
Pois não basta a adoção de outras palavras para eliminar-se a carga de preconceitos com que as pessoas as impregnaram, nem fazer triagem de obras artísticas para extirparem-se os comportamentos condenáveis nela retratados.

Somente livrando a humanidade do pesadelo capitalista conseguiremos dar um fim a todas as formas de discriminação, pois uma das molas-mestras da sociedade atual é exatamente a busca da diferenciação, do privilégio, do status, da superioridade.

Enquanto os seres humanos forem compelidos a lutarem com todas as suas forças para se colocarem acima de outros seres humanos, será ilusório pretendermos tangê-los ao respeito mútuo por meio de besteirinhas cosméticas.

É desprezando os iguais que eles adquirem forças para a luta insana que travam, pisando até no pescoço da mãe para alçarem-se a outro patamar da hierarquia social.

Então, a verdadeira tarefa continua sendo a transformação do mundo, para que não haja mais hierarquia e sim a priorização do bem comum, com cada um contribuindo no limite de suas possibilidades para que sejam atendidas as necessidades de todos.

Enquanto nos iludirmos com esses pequenos retoques na fachada do edifício capitalista, estaremos perdendo tempo: seus alicerces estão podres, para além de qualquer restauração.

Ou o demolimos e tratamos de erguer novo edifício em bases sólidas, ou ele ruirá sobre nós.

É simples assim.

terça-feira, 26 de abril de 2011

UM IRMÃO E COMPANHEIRO NO BOM COMBATE: LUÍS ALBERTO DE ABREU

Luís Alberto de Abreu é como um irmão para mim.

Conhecemo-nos lá por 1971, quando, ainda traumatizado pela prisão, tortura e adiamento  sine die  das minhas perspectivas de ver concretizada uma sociedade igualitária e justa, eu tentava me reencontrar com a vida, de repente tornada tão cinzenta.

Nem me lembro mais como se deu o primeiro contato, provavelmente graças a nosso amigo comum Douglas Salgado. Mas, logo estávamos nos falando e visitando. Ele morava em São Bernardo do Campo e ainda não decolara.

Assisti à última peça do grupo de que o Luís participava, Doces e Salgados, encenada no belo teatro daquele município: Tempo dos Inocentes, Tempo dos Culpados. Era um timaço: ele, a Rosi Campos, o Ednaldo Freire, o Calixto de Inhamuns. Não me lembro se também a Jussara Freire, a atraente esposa do Ednaldo, que acabaria se destacando na TV e nas pornochanchadas  soft  paulistas .

Era uma peça (creio que criação coletiva) na linha do Arena, de Brecht, do teatro engajado na luta contra a tirania -- com as metáforas que a dita (tão dura!) e o bom senso aconselhavam.

Já lá se vão uns 40 anos. Ficou-me a lembrança de que, logo no início da encenação, o Calixto feriu a mão num fio do cenário, mas atuou até o fim, com o sangue a escorrer.

Depois houve uma reviravolta na vida do Luís e, por uns tempos, ele morou na minha kitchenette e desperdiçou seu talento trabalhando comigo em assessoria de imprensa -- foi o ganha-pão que lhe consegui.

Logo encontrou atividades mais gratificantes e morada menos exígua.

Em 1980 estreou como autor ligado ao Grupo Mambembe, com a comédia Foi bom, meu bem?. O Calixto e a Rosi atuavam, o diretor era o Ewerton de Castro.

Tratou-se quase de uma criação coletiva com o texto sendo consolidado pelo Luís, que o submetia ao coletivo e refazia de acordo com as sugestões e discussões.

Cala boca já morreu, no ano seguinte, também tinha essas características difusas, de entretenimento com algumas agulhadas críticas e presença marcante da personalidade do grupo.

A consagração veio com a
empolgante "Bella Ciao". De arrepiar!
Mas, a boa acolhida dos seus dois primeiros trabalhos era tudo de que o Luís precisava para tentar a grande cartada: uma peça que tivesse exatamente a sua cara. Este  tour de force  se chamou Bella Ciao.

A saga de uma família de anarquistas italianos -- como muitas existiam em São Bernardo -- foi sucesso de público e de crítica. A partir daí, o Luís passou a ser respeitado como um talento maior da nossa dramaturgia.

[Minha humilde contribuição foi fornecer-lhe uma cópia da gravação que eu tinha da música Bella Ciao, hino dos partisans italianos, interpretada pelo Quilapayún. Deu para o gasto -- quer dizer, para os ensaios.]

Seguiu-se sua vitoriosa carreira de mais de 40 peças (inclusive infantis), três roteiros para cinema e minisséries escritas para a Globo, como Hoje é dia de Maria. Além de lecionar teatro, muito mais por idealismo do que em função da (parca) remuneração.

E o principal: conservou a integridade. Esteve a um passo de se tornar autor de produções majestosas e polpudas bilheterias, mas preferiu manter sua linha de propor reflexões, sem panfletarismo mas com aguçado espírito crítico, sobre diversos aspectos da desumanidade capitalista. Não aderiu ao  teatrão. Não se vendeu.

Quando atravessei o segundo pior momento da minha vida, quase indo à miséria em 2004/2005, talvez não tivesse conseguido driblar a adversidade sem o apoio do Luís, um daqueles raros amigos das horas difíceis..

Enfim, pelos méritos da obra e do autor, recomendo entusiasticamente a compilação de sua obra teatral, organizada por Adélia Nicolete: Luís Alberto de Abreu - um teatro de pesquisa (ed. Perspectiva, 2011, 696 p.)

Reúne 14 peças e três textos teóricos do Luís, além de avaliações críticas do seu trabalho e de sua importância para a dramaturgia brasileira.

Eu não me julgo isento (nem um pouco!) para analisar-lhe a produção, até porque o teatro nunca foi minha praia. Mas, concordo inteiramente com o que Ilka Marinho Zanotto destacou no prefácio:
"É extremamente importante a inserção do 'bom combate' (...) na literatura teatral hodierna, muitas vezes tão carente de ideal, aparentemente enredada no mais pragmático dos niilismos".
Luís está há quatro décadas travando o bom combate. É mais do que motivo para merecer o respeito e reconhecimento dos melhores brasileiros.

sábado, 23 de abril de 2011

REVOLTA ÁRABE: LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA

Ao ler que outro tirano bestial dos países árabes promoveu, na 6ª feira que para nós foi santa, outro massacre bestial, veio-me à lembrança a frase com que Edgar Allan Pöe iniciou seu soturno conto Metzengerstein:
"O horror e a fatalidade têm tido livre curso em todos os tempos. Por que então datar esta história que vou contar?"
Só que há, sim, um motivo para termos bem presente a data em que os Gaddafis e al-Assads tentam perpetuar-se no poder por meio das mais repulsivas carnificinas.

É que as lutas pela liberdade, em nações que não perderam o trem da História, aconteceram no final do século 18 e ao longo do século 19.

A sensação é de déjà vu. Parece que embarcamos num túnel do tempo, de volta a um passado autocrático que não deixou nenhuma saudade, para assistirmos à tomada de Bastilhas que há muito já deveriam ter virado pó.

E pensar que  ainda existem alguns tacanhos ditos de esquerda, capazes de, em nome de uma racionália tortuosa e também ancorada num passado execrável (o do stalinismo e da guerra fria), negarem a povos oprimidos esse mínimo sem o qual a existência humana se torna um exercício diário de aviltamento e humilhação.

Para os que amargamos a experiência de padecer sob as botas de tiranos fardados e não a esquecemos, faz todo sentido outra frase marcante, esta da peça Arena Conta Tiradentes: "Mais vale morrer com uma espada na mão do que viver como carrapato na lama!".

Que a liberdade continue guiando os povos árabes na sua heróica luta para saírem do lodaçal que os déspotas  lhes impõem, tomando todas as Bastilhas e derrubando todos os tiranos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

CONVOQUEMOS O PLEBISCITO CERTO. PARA QUE ANGRA NÃO VIRE FUKUSHIMA

Como escritor e jornalista, Carlos Heitor Cony é dos melhores que temos.

Algumas atitudes do homem foram decepcionantes, mas ninguém é perfeito. Suas avaliações de assuntos que não o envolvem pessoalmente continuam sendo das mais consistentes. Portanto, devem ser lidas e consideradas.

Como a da coluna desta 3ª feira (19), Os plebiscitos, na qual faz restrições à proposta de um referendum sobre o uso e a venda de armas, contrapondo-lhe um problema em que a consulta aos cidadãos se faz realmente necessária e premente:
"O governo promete ampliar a energia nuclear concluindo Angra 3 e construindo mais quatro usinas, isso numa época em que países mais industrializados, como a Suécia e a Itália, estão desativando seus programas nucleares. O governo da Alemanha também estuda a possibilidade de reduzir ou acabar com suas usinas.

O investimento é vultoso (pelo menos R$ 8 bilhões cada uma) e os riscos de um acidente como o de Three Mile Island (1979), de Chernobil (1986) e, agora, o de Fukushima, cujos efeitos ainda estão se manifestando, exigem uma consulta popular justamente num país que tem numerosos recursos naturais para gerar energia, como as hidrelétricas, além de opções que a tecnologia vai criando sem cessar, como a eólica, a solar etc.

Tamanha verba poderia ser em parte aplicada num programa para tornar mais seguras as usinas que temos em Angra dos Reis (RJ), onde ainda não há condições de retirada imediata da população.

Um acidente de grande proporção no litoral fluminense colocaria em risco as duas maiores cidades brasileiras, além de causar devastação em várias cidades próximas.

Um plebiscito daria ao governo e à sociedade uma orientação mais democrática sobre o programa de energia nuclear, importante demais para ser da agenda exclusiva de técnicos e funcionários" [o grifo é meu].
A mesma preocupação, aliás, já havia sido manifestada pelo maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari:
"A tragédia sofrida pelo povo japonês deve servir de alerta, estimulando a busca de outras fontes de energia, para atendimento das necessidades básicas das populações do mundo, mas também influindo para que se faça ampla divulgação dos aspectos básicos das opções existentes, informando o povo e dando-lhe a possibilidade de acompanhar as discussões e, mesmo, de participar das decisões sobre o assunto".
O plebiscito sugerido por Cony daria, exatamente, ao povo "a possibilidade de acompanhar as discussões e, mesmo, de participar das decisões sobre o assunto".

Nem preciso dizer que concordo em gênero, número e grau com ambos, Cony e Dallari.

Também não preciso dizer que tal proposta  encontrará resistência imensamente maior que a do plebiscito sensacionalista sobre as armas,  por colocar em xeque um programa que pode ser dos mais perigosos para o povo brasileiro mas propicia vultosos ganhos para grandes empresas, as quais o defenderão com unhas, dentes e  o$  argumento$ de $empre.

Nem mesmo as greves de fome de D. Flávio Cappio conseguiram impedir que se desperdiçassem recursos públicos e atentasse contra a natureza para atender aos interesses do agronegócio na região do rio Sâo Francisco.

As cartas de Angra, também embaralhadas a gosto dos interessados, valem R$ 8 bilhões cada. Será necessária uma enorme pressão para desfazer tal jogo.

Com a palavra os parlamentares que honram o seu mandato, as ONG's, a imprensa e as redes sociais.

domingo, 17 de abril de 2011

UM IDEÁRIO PARA A REVOLUÇÃO DO SÉCULO 21

Em sua coluna dominical -- Adeus, Fidel; adeus, silêncio? --, o veterano jornalista Clóvis Rossi aborda as "reformas econômicas que transformarão a ilha caribenha", a serem aprovadas hoje (17), no 6º Congresso do Partido Comunista Cubano.

Segundo ele, o corte de um quinto dos postos de trabalho no setor público e o estímulo à criação de um setor privado capaz de absorver tais trabalhadores implicarão a abertura do regime cubano: "às reformas econômicas que serão lançadas hoje seguir-se-á a prazo relativamente curto a reforma política".

Ele especula que a construção do porto de Mariel, financiada pelo Brasil, "só tem sentido se for para exportar para os Estados Unidos".

E,  como queria demonstrar, conclui: "Se é assim, implica o restabelecimento de relações, com todo o cortejo de consequências".

Se os palpites de Clóvis Rossi estiverem certos, preparemo-nos para a grita ensurdecedora da imprensa burguesa, festejando a capitulação da pequenina ilha asfixiada pelo embargo comercial estadunidense.

E vamos, sim, dar nossa resposta a esta zombaria do jornalista:
"Na hora em que a esquerda continua sob os escombros do Muro de Berlim, começa a cair mais um muro. Talvez seja a hora de construir algo com tantos tijolos".
 BECO SEM SAÍDA

Já faz quase um século que os movimentos revolucionários desviaram por atalho que acabou conduzindo a um beco sem saída.

O desvio foi decidido às vésperas da revolução soviética, quando o Partido Bolchevique discutiu dramaticamente se valia a pena tomar-se o poder num país atrasado, contrariando duas premissas marxistas: a da revolução internacional e a da construção do socialismo a partir das nações economicamente mais pujantes (e não o contrário!).

Prevaleceu o argumento de que, embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como um estopim da revolução mundial, começando pela revolução alemã, prevista para questão de meses. Então, o atraso econômico russo seria contrabalançado pela prosperidade alemã; juntas, efetuariam uma transição mais suave para o socialismo.

"...finalmente, um tirano
substitui o Comitê Central..."
Deu tudo errado. A reação venceu na Alemanha, a nova república soviética ficou isolada e, após rechaçar bravamente as tropas estrangeiras que tentaram restabelecer o regime antigo, viu-se obrigada a erguer uma economia moderna a partir do nada.

Quando o ardor revolucionário das massas arrefeceu -- não dura indefinidamente, em meio à penúria --, a mobilização de esforços para superação do atraso econômico acabou se dando por meio da ditadura e do culto à personalidade.

A Alemanha nazista era o espantalho que impunha urgência: mais dia, menos dia haveria o grande confronto e a URSS precisava estar preparada. O stalinismo foi engendrado em circunstâncias dramáticas.

A república soviética acabou salvando o mundo do nazismo -- foi ela que quebrou as pernas de Hitler, sem dúvida! --, mas perdeu sua alma: já não eram os trabalhadores que estavam no poder, mas sim uma odiosa  nomenklatura.

Concretizara-se a profecia sinistra de Trotski: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

Com uma ou outra nuance, foi este o destino das revoluções que tentaram edificar o  socialismo num só país: ficaram isoladas, tornaram-se autoritárias e não tiveram pujança econômica para competir com o mundo capitalista, acabando por sucumbir ou por se tornarem modelos híbridos (como o chinês, que mescla capitalismo na economia com stalinismo na política).

E AGORA, JOSÉ?

Agora, só nos resta voltarmos ao princípio de tudo: Marx.

Reassumirmos a tarefa de engendrar  uma onda revolucionária que varrerá o mundo.

Esquecermos a heresia de solapar o capitalismo a partir dos seus elos mais fracos, pois o velho barbudo estava certíssimo: as nações economicamente mais poderosas é que determinam a direção para a qual as demais seguirão, e não o contrário.

Isto, claro, se tivermos como meta a condução da humanidade a um estágio superior de civilização. Pois o cerco das nações prósperas pelos rústicos e atrasados já vingou uma vez, quando Roma sucumbiu aos bárbaros... e o resultado foi um milênio de trevas.

Se, pelo contrário, quisermos cumprir as promessas originais do marxismo, as condições hoje são bem propícias do que um século atrás:
"...só unidos e solidários os
homens conseguirão sobreviver..."
  • o capitalismo já cumpriu seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas e está tendo sobrevida cada vez mais parasitária, perniciosa e destrutiva -- tanto que mantém a parcela pobre da humanidade sob o jugo da necessidade quando já estão criadas todas as premissas para o  reino da liberdade, e o 1º mundo sob o jugo da competitividade obsessiva, estressante e neurótica, quando já estão criadas todas as premissas para uma existência fraternal, harmoniosa e criativa;
  • os meios de comunicação que ele desenvolveu, como a internet, facilitam a disseminação e coordenação dos movimentos revolucionários em escala mundial, de forma que um novo 1968, p. ex., hoje seria muito mais abrangente (está longe de ser utópica, agora, a possibilidade de uma onda revolucionária varrer o mundo);
  • a necessidade de adotarmos como prioridade máxima a colaboração dos homens para promover o bem comum, em lugar da ganância e da busca de diferenciação e privilégio, será dramatizada pelas consequências das alterações climáticas e da má gestão dos recursos imprescindíveis à vida humana, gerando crises tão agudas que só unidos e solidários eles conseguirão sobreviver.
Nem preciso dizer que a forte componente libertária original do marxismo tem de ser reassumida, pois os melhores seres humanos, aqueles dos quais precisamos, jamais nos acompanharão de outra forma (esta é uma das conclusões mais óbvias a serem tiradas dos acontecimentos das últimas décadas).

A bandeira da liberdade deve ser empunhada de novo pelos que realmente a podem concretizar, não pelos que só têm a oferecer um cativeiro com as grades introjetadas, pois a indústria cultural as martela dia e noite na cabeça dos  videotas.

É este o edifício sólido que podemos começar a construir com os tijolos dos muros tombados.

sábado, 16 de abril de 2011

MÁRTIR DA INDEPENDÊNCIA OU HERÓI REVOLUCIONÁRIO?

“Brecht cantou: ‘Feliz é o povo
que não tem heróis’. Concordo.
Porém nós não somos um povo
feliz. Por isso precisamos de
heróis. Precisamos de Tiradentes.”
(Augusto Boal, “Quixotes e Heróis”)

Será que os brasileiros sentem mesmo necessidade de heróis, salvo como temas dos intermináveis e intragáveis sambas-enredo? É discutível.

Os heróis são a personificação das virtudes de um povo que alcançou ou está buscando sua afirmação. Encarnam a vontade nacional.

Já os brasileiros, parafraseando o que Marx disse sobre camponeses, constituem tanto um povo quanto as batatas reunidas num saco constituem um saco de batatas...

O traço mais característico da nossa formação é a subserviência face aos poderosos de plantão. Os episódios de resistência à tirania foram isolados e trágicos, já que nunca obtiveram adesões numericamente expressivas.

Demoramos mais de três séculos para nos livrarmos do jugo de uma nação minúscula, como um Gulliver imobilizado por um único liliputiano.

E o fizemos da forma mais vexatória, recorrendo ao príncipe estrangeiro para que tirasse as castanhas do fogo em nosso lugar; e à nação economicamente mais poderosa da época, para nos proteger de reações dos antigos colonizadores.

Isto depois de assistirmos impassíveis à execução e esquartejamento de nosso maior libertário.

Da mesma forma, o fim da escravidão só se deu por graça palaciana e quando se tornara economicamente desvantajosa.

Antes, os valorosos guerreiros de Palmares haviam sucumbido à guerra de extermínio movida pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, que merecidamente passou à História como um dos maiores assassinos do Brasil.

E foi também pela porta dos fundos que nosso país entrou na era republicana e saiu das duas ditaduras do século passado (a de Vargas terminou por pressões estadunidenses e a dos militares, por esgotamento do modelo político-econômico).

Todas as grandes mudanças positivas acabaram se processando via pactos firmados no seio das elites, com a população excluída ou reduzida ao papel de coadjuvante que aplaude.

É verdade que houve fugazes despertares da cidadania:
  •  em 1961, quando a resistência encabeçada por Leonel Brizola conseguiu frustrar o golpe de estado tentado pelas mesmas forças que seriam bem-sucedidas três anos mais tarde;
  • em 1984, com a inesquecível campanha das diretas-já, infelizmente desmobilizada depois da rejeição da Emenda Dante de Oliveira, com o poder de decisão voltando para os gabinetes e colégios eleitorais; e
  • em 1992, quando os  caras-pintadas  foram à luta para forçar o afastamento do presidente Fernando Collor.
Nessas três ocasiões, a vontade das ruas alterou momentaneamente o rumo dos acontecimentos, mas os poderosos realizaram manobras hábeis para retomar o controle da situação. Rupturas abertas, entre nós, só vingaram as negativas.

Vai daí que, em vez de heróis altaneiros, os infantilizados brasileiros são carentes mesmo é de figuras protetoras, dos coronéis nordestinos aos  padins Ciços   da vida, passando por   pais dos pobres   tipo Getúlio Vargas.

Então, Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Frei Caneca, Carlos Marighella, Carlos Lamarca e outros dessa estirpe jamais serão unanimidade nacional, como Giuseppe Garibaldi na Itália ou Simon Bolívar para os hermanos sul-americanos.

O 21 de abril é um dos menos festejados de nossos feriados. E o próprio conteúdo revolucionário de Tiradentes é escamoteado pela  História Oficial, que o apresenta mais como um Cristo (começando pelas imagens falseadas de sua execução, já que não estava barbudo e cabeludo ao marchar para o cadafalso) do que como transformador da realidade.

Então, vale mais uma citação do artigo que Boal escreveu quando do lançamento da antológica peça Arena Conta Tiradentes, em 1967:
Tiradentes foi revolucionário no seu momento como o seria em outros momentos, inclusive no nosso. Pretendia, ainda que romanticamente, a derrubada de um regime de opressão e desejava substitui-lo por outro, mais capaz de promover a felicidade do seu povo. 
...No entanto, este comportamento essencial ao herói é esbatido e, em seu lugar, prioritariamente, surge o sofrimento na forca, a aceitação da culpa, a singeleza com que beijava o crucifixo na caminhada pelas ruas com baraço e pregação
 ...O mito está mistificado.
Quando o povo brasileiro estiver suficientemente amadurecido para tomar em mãos seu destino, decerto encontrará no revolucionário Tiradentes uma das maiores inspirações.


TÓPICO DE ABERTURA DO ESPECIAL TIRADENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA. EIS OS LINKS DOS DEMAIS:
POR QUE TIRADENTES?
O TEATRO E A VIDA
"SE EXISTISSEM MAIS BRASILEIROS COMO EU..."
CANCIONEIRO DA LIBERDADE


quarta-feira, 13 de abril de 2011

OS DEMAGOGOS, A MÍDIA ABUTRE E O CIRCO MACABRO: PIORES DO QUE NUNCA

Um zero à esquerda assassina 12 crianças e fere outras. É chocante, claro, mas não tanto quanto a extrema -- criminosa, mesmo -- irresponsabilidade dos poderosos. Estes se comportam como grandezas... negativas.

A mídia abutre arma um circo macabro e explora o ocorrido exaustivamente, lixando-se para a obviedade de que, em meio à confusão mental do assassino, a busca por holofotes póstumos era uma de suas principais motivações: gravou vídeos dementes, deixou mensagens ridículas, até especificou como queria ser sepultado.

Conseguiu inteiramente seu objetivo: os vídeos dementes estão sendo amplamente assistidos, as mensagens ridículas publicadas e lidas  ad nauseam, as especificações fúnebres foram divulgadíssimas e até doutamente discutidas por doutos pavões.

Qual o efeito previsível de sua obsessiva e nauseante exposição por parte da indústria cultural? A repetição do ato covarde por outros frustrados anônimos ávidos pelos minutinhos de fama prometidos por Andy Warhol -- agora com o atrativo adicional de não serem apenas 15 minutos, mas sim umas duas semanas, até surgir outro acontecimento tão deplorável para os seres humanos quanto rentável para a mídia abutre.

E os abutres da política não ficam atrás, em sua faina abjeta para pegarem carona no noticiário da tragédia. Vale tudo, desde a retórica lacrimosa ou rancorosa, até a sugestão das mais estapafúrdias medidas para evitar-se a repetição do episódio. Sandices como a instalação universal de detetores de metal e um segundo plebiscito sobre a proibição do comércio de armas de fogo.

A primeira asneira implicaria a transformação das escolas do Brasil inteiro em  bunkers, com vastas equipes de vigilância permanentemente mobilizadas para evitar que invasores pulassem muros ou, simplesmente, abrissem caminho à bala.

O novo plebiscito que um velho demagogo (José Sarney) está propondo nada mais seria do que outro desperdício de verbas públicas e aporrinhação dos eleitores sem nenhum resultado concreto: em país com dimensões continentais e as fronteiras dos sonhos de qualquer contrabandista, o comércio ilegal continuaria suprindo seu  mercado, além de se tornar ainda mais florescente ao absorver as fatias que hoje pertencem ao comércio legal.

O zero à esquerda pagou com a vida a monstruosidade que praticou. Já os monstros da mídia e da política só serão punidos se houver justiça divina, ou se o povo brasileiro tomar consciência de quem são seus maiores inimigos, piores do que qualquer Wellington Menezes.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O CASO BATTISTI EM DISCUSSÃO, COM A LUZ JÁ VISÍVEL NO FIM DO TÚNEL

Como a perspectiva é de que o Supremo Tribunal Federal aprecie o Caso Battisti na segunda quinzena de abril ou primeira de maio, as palestras e debate marcados para a próxima 5ª feira (14/04), na Pontifícia Universidade de São Paulo, tendem a ser os últimos de uma longa série articulada e prestigiada por brasileiros ciosos da sobrerania nacional e movidos pelo espírito de justiça.

Inícua e rancorosa perseguição desencadeada pelos neofascistas europeus contra um remanescente célebre dos movimentos de contestação surgidos a partir de1968, o caso só atingiu tais proporções e tal duração (49 meses) no Brasil devido ao flagrante posicionamento inquisitorial de dois membros do Supremo Tribunal Federal que, alternando-se nas posições de presidente do STF e relator do processo de extradição italiano, foram responsáveis:
  • pela ordem de encarceramento do escritor italiano, ao invés do regime de liberdade vigiada que seria o adequado em se tratando de cidadão eminente que levava vida produtiva e inatacável há décadas;
  • pelo descumprimento e depois revogação (na prática) da Lei do Refúgio, usurpando prerrogativas respectivas do Executivo e do Legislativo;
  • e pela manutenção de Battisti sob sequestro depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou definitivamente sua entrega à Itália.
Ai, ai, ai, ai, 'tá chegando a hora...
Apesar da insistência obsessiva dos ministros Cezar Peluso e Gilmar Mendes em afrontarem os Poderes brasileiros para a viabilização da  vendetta  tão ansiada por  Silvio Berlusconi, é dado como certo, nos círculos bem informados, que os colegas do STF não os acompanharão na tentativa de subverterem a própria decisão da Corte, fielmente cumprida por Lula.

Assim, quando o Brasil está próximo de livrar-se do opróbrio de vir mantendo um prisioneiro político em plena democracia, é das mais oportunas a realização de Cesare Battisti - palestras e debate (uma visão objetiva desde a perspectiva jurídica, política, midiática e de direitos humanos), que terá lugar no auditório Paulo de Barros Carvalho, sala 239, da PUC/SP (rua Monte Alegre, 1104, no bairro paulistano de Perdizes), a partir das 19h30 deste dia 14.

Os palestrantes serão Carlos Lungarzo, da Anistia Internacional; o senador Eduardo Suplicy; e os professores José Arbex, Lúcio Flávio Rodrigues e Paulo Eduardo Arantes, além deste veterano da resistência brasileira que vos escreve.

sábado, 2 de abril de 2011

OLAVO, EREMIAS, JUAREZ E OS OUTROS MÁRTIRES NOS LEGARAM UMA MISSÃO

No dia da mentira, fui chamado a dizer algumas palavras sobre a grande mentira que impingiram ao povo brasileiro há 47 anos.

O ato teve lugar na sede da Apeoesp, no centro velho de São Paulo.

Os companheiros da Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional convidaram expoentes de várias tendências da esquerda, adotando uma postura ecumênica que sempre me agradou.

Somos pessoas empenhadas em mudar o mundo e é natural que façamos o possível e o impossível para unirmos nossas forças, em nome dos objetivos comuns; quem compete encarniçadamente pelo  mercado  são os burgueses e pequenos-burgueses...
Olavo:  suicidado

Foi gratificante ouvir a companheira Criméia Almeida -- que era dirigente do PCdoB no tempo da Guerrilha do Araguaia, mas estava fora da área quando a repressão foi desencadeada e não conseguiu reentrar, o que lhe salvou a vida -- relatar sua luta incansável para levar os carrascos da ditadura aos tribunais, culminando com a sentença favorável do tribunal da OEA.

Falaram também o sociólogo Chico de Oliveira; Claudionor Brandão, dirigente sindical dos funcionários da USP que o governo tucano, arbitrariamente, demitiu da universidade; o professor Márcio Barbio e o ex-preso político Gilson Dantas, entre outros.

Dantas fez uma tocante evocação do mártir trotskista Olavo Hanssen, preso ao distribuir panfletos no 1º de maio de 1970 e torturado com a betialidade habitual.

Os Torquemadas da ditadura encaminharam-no para o Hospital Militar com os rins em frangalhos, mas não resistiu.
Eremias: desfigurado

Depois, montaram um cenário de suicídio, devidamente avalizado por médico infame, que deu como  causa mortis a ingestão de inseticida (nunca deixado ao alcance de presos políticos em lugar nenhum!), desconsiderando as inconfundíveis marcas das sevícias.

Por minha vez, destaquei o exemplo de companheiros como Eremias Delizoicov (morto e desfigurado por 35 disparos aos 18 anos de idade) e Juarez Guimarães de Brito (professor que abandonou uma posição consolidada no meio acadêmico para ensinar uma lição muito mais necessária a seus discípulos) e enfatizei a necessidade de continuarmos lutando para concretizar os objetivos pelos quais sacrificaram a vida.

Foi reconfortante ver o auditório lotado de jovens, incluindo uma delegação de operários e estudantes da cidade de Franca (SP)..
Juarez: sacrifício extremo

Pois é deles que dependerá a continuidade de nossos esforços para a construção de uma sociedade que concretize os ideais supremos da humanidade: a liberdade e a justiça social

E eu saí de lá com a mesma sensação de quando visitei a primeira ocupação da reitoria da USP nesta nova fase do movimento estudantil iniciada em 2007: a de que as novas gerações de idealistas assumirão a missão e darão o melhor de si para a cumprir.

Como nós fizemos, nos tempos sombrios de 1964/85 e nestes tempos exasperantes de redemocratização sob total controle da burguesia.

A luta continua.