segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ATÉ UM CABEÇA DURA COMO O SERRA TERIA MARCA NA PELE, DIZ COLUNISTA

É de um ridículo atroz a grita demotucana, tentando apresentar um episódio pequeno e patético como se fosse uma terrível ameaça à democracia.

Ameaças reais à democracia eram, isto sim, as brutais agressões da polícia do então governador José Serra aos professores e aos universitários de São Paulo.

Para quem já esqueceu esses episódios, eis como o professor doutor Pablo Ortellado, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, relatou um deles, a chamada  batalha da USP, em junho/2009:
"Quando [os docentes da USP] chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de 'efeito moral' porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (...).

"Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás -- [nomeia cinco professores] todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico.

"Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio.

"(...) Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.
"Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos.

"Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora (...) que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos".
EXAGEROS E MENTIRAS - Então, em meio a tanta tempestade em copo d'água e tanta manipulação desavergonhada sobre o  rolinho de fita crepe assassino, é um alívio encontrar colegas que ainda se comportam com a dignidade de verdadeiros jornalistas, mesmo atuando na grande imprensa.

Pena que sejam só os veteraníssimos, que os veículos da mídia golpista suportam porque seria contraproducente tirar-lhes os espaços, expondo-se a uma enxurrada de críticas. Preferem aguardar que se aposentem, enquanto tratam de evitar que tenham sucessores.

Enfim, saudemos os Jânios de Freitas que ainda restam, capazes de dar a definitiva palavra sobre os factóides ridículos que o PIG tenta fabricar, como ele fez nestas considerações:
"O PSDB e aliados investem no engrandecimento do choque entre o objeto na cabeça de José Serra e a reação de Lula. A rigor, a gravação com celular feita pelo repórter Italo Nogueira, da Folha, a meu ver não permite a afirmação categórica de que um segundo objeto, contundente, atingiu a cabeça de Serra.

"O tumulto forçou imagens tremidas, que precisam de perícia, e talvez não uma só, para a interpretação segura.

"A própria Folha, em cuja Redação no Rio a gravação foi examinada inúmeras vezes, tratou-a com cautela. A Globo decidiu bancá-la como imagem de um objeto atingindo Serra. Se houve esse objeto além da bolinha de papel, é certo que não teve mais de um palmo e não 'era duro e pesava mais ou menos meio quilo', como descrito por Serra.

"Sabe-se que ele é cabeça-dura, mas não a ponto de nela receber um objeto com tais características e, nem se diga ferimento, mas sequer ficar marca na pele..."

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