quinta-feira, 30 de setembro de 2010

AINDA SOBRE O ARTISTA MÍTICO QUE HABITA A MEMÓRIA DA SUA CANÇÃO

Depois de finalizado, postado e expedido o artigo Vandré: de rei a trapo em 58 dias, ocorreu-me outra solução para a charada, que honestamente dividirei com vocês, já que nunca tive compromisso com prestígio e infalibilidade.

Freud nos ensinou que lapsos são significativos, costumam trazer à tona a verdade que não se pode revelar ou não se quer admitir.

Então, chamou-me a atenção que, na entrevista de 2004, Vandré situou sua volta ao Brasil no final da década de 1970. Evidentemente, a imprecisão foi atribuída a problemas mentais.

No Dossiê Globo News, entretanto,  ele agora forneceu as datas de chegada e de anúncio da chegada com total precisão: 14 de julho e 11 de setembro.

Parece que, tanto em 2004 quanto agora, ele nos deu uma dica: os motivos de sua mudança de comportamento devem ser buscados em 1973.

Veio-me à lembrança o episódio do dirigente bolchevique que, ao depor num dos julgamentos stalinistas, admitiu os crimes mais inverossímeis, como espionagem a serviço das potências ocidentais e tentativa de envenenar os reservatórios de água soviéticos.

Mas, lá pelas tantas, encaixou a frase: "Todos sabemos que a tortura é um instrumento medieval de justiça".

Os tacanhos Torquemadas acreditaram que ele estivesse negando a existência da tortura na URSS. Mas, na verdade, mandara um recado cifrado, de que se acusava daqueles absurdos para que não o supliciassem mais.

Não fui o único a notar que Vandré nos deu toques nas entrelinhas.

Mas, por que tantos rodeios, afinal? O que o impedia de, em plena democracia, dar os nomes aos bois?

Aí, lembrei-me das três ou quatro horas que papeamos em 1980, no seu apartamento da rua Martins Fontes (SP).

O mais significativo de tudo foi a resposta que deu quando perguntei se, aproveitando a liberação pela censura da "Caminhando" e o sucesso que fazia na voz da Simone, ele não aproveitaria para reatar sua carreira.

Respondeu que a música poderia voltar mas, se ele tentasse voltar junto, correria sério risco pessoal.

Perguntei se havia sido ameaçado. Desconversou.

Concluí que ele estivesse se referindo aos atentados terroristas então cometidos pela  linha dura, na tentativa de inviabilizar a  distensão lenta, gradual e progressiva  do ditador Geisel. Se incendiavam bancas de jornais e expediam cartas-bombas a torto e a direito, o que lhes impediria de atentarem contra um artista-símbolo?

Mas, e se a razão do seu temor fosse outra? E se houvesse passado por situações tão traumáticas que a possibilidade de revivê-las fosse totalmente inadmissível para ele?

Ora, com certeza os militares se aproveitariam disto. Por exemplo, com uma variante do velho artifício do  policial ruim x policial bom.

Com os presos políticos mais jovens essa jogada era quase sempre tentada. Uns torturadores se mostrando mais bestiais ainda que de hábito, enquanto outro agente fingia compadecer-se e estar tentando ajudar.

Com militantes quase nunca colava. Mas, com um artista, quem sabe?

E, se os espantalhos seriam naturalmente os gorilas das outras Armas, mais identificadas com a repressão política, os aviadores se constituiriam na opção óbvia para o papel de amigos e protetores do Vandré.

Terão tentado isso com ele? Terá ele acreditado?

O certo é que esta possibilidade faz muito mais sentido do que aceitarmos como normal sua devoção pela FAB, a tecla mais desafinada de toda sua entrevista de sábado e de todas as suas declarações de um bom tempo para cá.

Em 1980, ele deixou transparecer  para mim que utilizava as esquisitices para ser considerado inofensivo por aqueles que poderiam fazer-lhe mal.

Agora também ele ora parece estar encenando uma farsa, ora ter um motivo para suas ações que não quer ou não pode revelar.

Entre os que foram submetidos a essa máquina de triturar seres humanos, há os que continuam paranóicos até hoje. Não seria nada surpreendente e inaudito se Vandré ainda temesse estar na mira dos antigos algozes, e visse nos oficiais da FAB seus guardiães.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Juntos Somos Fortes: Vandré

Juntos Somos Fortes: Vandré: "Urariano Mota: O suicídio de Vandré Ao ver a entrevista de Vandré fiquei horas, alguns dias ruminando. Na verdade, ainda me encontro assim. ..."

Juntos Somos Fortes: Vandré- por Lungaretti

Juntos Somos Fortes: Vandré- por Lungaretti: "Lungaretti revisita o enigma Geraldo Vandré!! Tres momentos de Vandré, no auge da fama,amargurado ao voltar ao Brasil e já abatido pel..."

Juntos Somos Fortes: Vandré by Urariano Mota

Juntos Somos Fortes: Vandré: "Urariano Mota: O suicídio de Vandré Ao ver a entrevista de Vandré fiquei horas, alguns dias ruminando. Na verdade, ainda me encontro assim. ..."

APESAR da ditadura , o COMANDANTE CLEMENTE retoma ( e forma) para a luta.

O exemplo a ser seguido pelos eleitos. Quem topará?

EU DEFENDO E LUTO PELO EMPODERAMENTO DO POVO, cobremos este compromisso dos eleitos.

O companheiro e amigo, candidato a dep. Federal RJ, Carlos Eugenio, comandante Clemente,inova e traz as ruas 'panfleteiros' que FORMAM, conversam e conscientizam . São músicos, advogados, professores universitarios, estudantes que estão indo as ruas para promoverem o empoderamento popular via formação http://picasaweb.google.com/117362141336609847915/LargoDoMachado#5514165003121982130 . E se compromete a:

Contrato social



Contrato Social estabelecido entre o candidato e seus eleitores, com base no princípio da soberania popular.
Se eleito, eu, Carlos Eugênio Clemente 4019, comprometo-me a selecionar minha assessoria com base nos seguintes critérios:



· Não contratar parentes;

· Não contratar por amizade;

· Exigência de ficha limpa e vida limpa;

· Competência técnica e capacidade política.



Esses princípios têm por objetivo fortalecer o estreitamento do laço de confiança entre representante e representado, a ética na política, e a consolidação da democracia participativa em nosso país.



Carlos Eugênio Clemente – 4019
Pro Brasil Continuar a crescer DILMA 13

Combatente da Guerra e da Paz

Com alma de músico

Blog: http://eugenioclemente.blogspot.com/

Facebook: http://www.facebook.com/carloseclemente

Twitter: @clemente4019



QUEM mais fará assim? A hora é esta.
Este não esqueceu a base do pensamento de luta: FORTALECER A BASE DA PIRAMIDE ( POVO) para que o TOPO não nos oprima. Bjao Comandante Clemente . hasta la Vitória.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O outro lado da liberdade - por Graça Andreatta

O outro lado da liberdade - por Graça Andreatta
O outro lado da liberdade
Em 37 anos de espera pela anistia nunca havia chorado por ela ou por ter necessidade dela. Sim, não fui uma prisioneira política mas estive algemada durante todos esse tempo às conseqüências da Ditadura. O que significa que só quem viveu o sabe.
Descrever a visita da Caravana da Anistia em 24 de setembro, a Vitória, ao Estado-ES, é derramar, enfim, algumas muitas lágrimas. Sim, pois todos os que estavam no recinto da sala 398, se não me engano, na turma 2, pois eram muitos os anistiados – alguns não compareceram e devemos buscar saber o porquê – todos choraram, inclusive a mesa julgadora.
Se houve justiça econômica, ou não, para ressarcir os desmandos acontecidos, as sequelas físicas e morais que permanecem, não é este o caso. O grande momento, o grande ressarcimento tem dois momentos marcantes: a oferta da bandeira que vai crescendo a cada entidade ou órgão que envia um retalho para que ela, a bandeira da anistia, se torne do tamanho do Brasil em forma de liberdade; e o segundo momento quando todos se levantam para que o Estado do Brasil possa pedir perdão ao, enfim, anistiado ou à anistiada.
Ali foram descritas, de forma resumida, as torturas sofridas por mulheres grávidas, na época, cujo fruto, uma linda filha, estava lá para também ser anistiada; ali estavam as ex-mulheres que fugiram junto com seus então maridos para que o sonho de liberdade pudesse continuar após as várias prisões que sofreram; ali estavam sonhos e vidas interrompidas em estudos, em lazeres, em amores, em separações e uniões, em mortes e saudades.
Ouvir o relato de torturas da Dra Magdalena Frechiani e sua filha Janaina; de Iran Caetano e sua ex-esposa Ângela; ouvir a leitura de suas denúncias tímidas, diante do tanto que sofreram por lutar por um Brasil justo... foi dignificante e emocionalmente uma catarse. Só hoje, dois dias depois, consigo responder aos inúmeros telefonemas e e-mails que recebi de muitos lugares onde amigos aguardavam conosco o momento de levantar o véu da chaga que mancha nossa democracia.
Também me trouxe muita harmonia interior saber que o ex-Governador Vitor Buaiz estava sendo anistiado pelo Brasil pois acompanhei parte de sua vida como companheira de partido, amiga e assessora e das injustiças sofridas.
Mas mais que tudo, ter ali o meu filho – Gorki Pomar - se orgulhando, mais ainda, de seu pai, Clóvis Ruy Coelho e Silva, com seus irmãos Jairo e Marcelo, fez reviver toda a saga empreendida até aqui para que isto tudo viesse à tona e pudéssemos enfim quebrar as algemas.
A solidariedade dos companheiros de Guarapari – Arivald e Pampanelli - e Carlos Alberto F. Perim e Chico Celso, que permaneceram na sala de julgamento na Universidade Federal do Espírito Santo para serem representantes, com seu filho, do companheiro Paulo Luiz Ribeiro que se encontra doente, a fala complementar de quem quis dar seu depoimento, a lágrima dos estudantes que acompanharam a sessão. Ahhh....” Meninos, eu vi”, como diria meu querido poeta Gonçalves Dias.
Mas há uma pergunta que muitos se faziam desde o início do evento: Por que o reitor da Universidade não estava presente? Tenho certeza que deve ter um bom motivo para não prestigiar o dia da Liberdade de tantos companheiros capixabas ou que fizeram de nosso Estado seu carinhoso abrigo. Seria muito importante sua presença. Creio mesmo que só um outro motivo muito maior o tenha impedido.
Nos desculpamos com os dois companheiros que ficaram para depois do intervalo. Moramos no interior e não poderíamos ficar à tarde e parabenizamos a tod@s não pela anistia em si apenas mas por, além da liberdade sonhada chegar enfim, sabermos que todos os que estavam ali sendo anistiados nesse dia, continuam na luta por um novo Brasil que, certamente vira´. E será bom, alegre, ético, harmonioso e justo.
A OAB – Ordem dos Advogados do Brasil esteve presente na pessoa do Dr. Homero Mafra e pude me lembrar que foi seu pai, o Desembargador Homero Mafra quem, há anos, proporcionou a anistia aos catadores de papel nas lutas da Região da Grande São Pedro. Ele e a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória em pessoas que não podemos esquecer.
Na solenidade estava também o Prefeito de Vitória, João Coser, presentes alguns vereadores e deputados e/ou alguns candidatos – que por motivos de legislação eleitoral não citarei os nomes – estudantes, povo em geral e nós Ruy e sua família, Gorki e eu que agradecemos especialmente aos companheiros do São Pedro que compareceram, aos companheiros das CEBs, aquelas que fundamos nos idos de 1970 /80 e que não morreram mas progrediram em organização (que é fruto de caridade), em esperança e fé e que foram mantidas pelos padres que por ali passaram, hoje administradas pelo Padre Kelder e, com muito carinho, a Perli Cipriano, cujo nome nunca sei se se escreve com I ou Y mas que deixa sua marca de amor aos deveres da Justiça e aos Direitos dessa mesma Justiça por onde passa. Obrigada Perli, obrigada aos membros da Comissão de Anistia. Não terminou. Vamos buscar o que aconteceu com os que não compareceram, vamos revisar cada item que a emoção não nos deixou perceber, vamos refazer caminhos de estudos, de seqüelas, de consequências, de perdas, mas, mais que tudo, daqui a pouco – pois é madrugada – eu vou à missa agradecer à Vida por todos nós por termos tido a oportunidade de chegar até aqui e poder ver a liberdade moral reconstituída.
Há uma canção na Igreja que cantamos assim.
Um novo sol se levanta
Sobre uma nova Civilização
Que hoje nasce
Uma semente mais forte
Que a guerra, que a morte
Nós sabemos
Que o caminho é o amor

Graça Andreatta
26 de setembro
Enviado por E-mail
Nota Blogueira: para mim esta caravana em especial me faz emocionada em ver reconhecidos verdadeiros companheiros, alguns que fizeram e/ou fazem parte da minha vida de lutas e/ou pessoal. Grande abraço a todos vcs. companheiro das lutas capixabas ontem e hoje (por incrivel coinscidencia. Nanda Tardin

O outro lado da liberdade - por Graça Andreatta

O outro lado da liberdade - por Graça Andreatta
O outro lado da liberdade
Em 37 anos de espera pela anistia nunca havia chorado por ela ou por ter necessidade dela. Sim, não fui uma prisioneira política mas estive algemada durante todos esse tempo às conseqüências da Ditadura. O que significa que só quem viveu o sabe.
Descrever a visita da Caravana da Anistia em 24 de setembro, a Vitória, ao Estado-ES, é derramar, enfim, algumas muitas lágrimas. Sim, pois todos os que estavam no recinto da sala 398, se não me engano, na turma 2, pois eram muitos os anistiados – alguns não compareceram e devemos buscar saber o porquê – todos choraram, inclusive a mesa julgadora.
Se houve justiça econômica, ou não, para ressarcir os desmandos acontecidos, as sequelas físicas e morais que permanecem, não é este o caso. O grande momento, o grande ressarcimento tem dois momentos marcantes: a oferta da bandeira que vai crescendo a cada entidade ou órgão que envia um retalho para que ela, a bandeira da anistia, se torne do tamanho do Brasil em forma de liberdade; e o segundo momento quando todos se levantam para que o Estado do Brasil possa pedir perdão ao, enfim, anistiado ou à anistiada.
Ali foram descritas, de forma resumida, as torturas sofridas por mulheres grávidas, na época, cujo fruto, uma linda filha, estava lá para também ser anistiada; ali estavam as ex-mulheres que fugiram junto com seus então maridos para que o sonho de liberdade pudesse continuar após as várias prisões que sofreram; ali estavam sonhos e vidas interrompidas em estudos, em lazeres, em amores, em separações e uniões, em mortes e saudades.
Ouvir o relato de torturas da Dra Magdalena Frechiani e sua filha Janaina; de Iran Caetano e sua ex-esposa Ângela; ouvir a leitura de suas denúncias tímidas, diante do tanto que sofreram por lutar por um Brasil justo... foi dignificante e emocionalmente uma catarse. Só hoje, dois dias depois, consigo responder aos inúmeros telefonemas e e-mails que recebi de muitos lugares onde amigos aguardavam conosco o momento de levantar o véu da chaga que mancha nossa democracia.
Também me trouxe muita harmonia interior saber que o ex-Governador Vitor Buaiz estava sendo anistiado pelo Brasil pois acompanhei parte de sua vida como companheira de partido, amiga e assessora e das injustiças sofridas.
Mas mais que tudo, ter ali o meu filho – Gorki Pomar - se orgulhando, mais ainda, de seu pai, Clóvis Ruy Coelho e Silva, com seus irmãos Jairo e Marcelo, fez reviver toda a saga empreendida até aqui para que isto tudo viesse à tona e pudéssemos enfim quebrar as algemas.
A solidariedade dos companheiros de Guarapari – Arivald e Pampanelli - e Carlos Alberto F. Perim e Chico Celso, que permaneceram na sala de julgamento na Universidade Federal do Espírito Santo para serem representantes, com seu filho, do companheiro Paulo Luiz Ribeiro que se encontra doente, a fala complementar de quem quis dar seu depoimento, a lágrima dos estudantes que acompanharam a sessão. Ahhh....” Meninos, eu vi”, como diria meu querido poeta Gonçalves Dias.
Mas há uma pergunta que muitos se faziam desde o início do evento: Por que o reitor da Universidade não estava presente? Tenho certeza que deve ter um bom motivo para não prestigiar o dia da Liberdade de tantos companheiros capixabas ou que fizeram de nosso Estado seu carinhoso abrigo. Seria muito importante sua presença. Creio mesmo que só um outro motivo muito maior o tenha impedido.
Nos desculpamos com os dois companheiros que ficaram para depois do intervalo. Moramos no interior e não poderíamos ficar à tarde e parabenizamos a tod@s não pela anistia em si apenas mas por, além da liberdade sonhada chegar enfim, sabermos que todos os que estavam ali sendo anistiados nesse dia, continuam na luta por um novo Brasil que, certamente vira´. E será bom, alegre, ético, harmonioso e justo.
A OAB – Ordem dos Advogados do Brasil esteve presente na pessoa do Dr. Homero Mafra e pude me lembrar que foi seu pai, o Desembargador Homero Mafra quem, há anos, proporcionou a anistia aos catadores de papel nas lutas da Região da Grande São Pedro. Ele e a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória em pessoas que não podemos esquecer.
Na solenidade estava também o Prefeito de Vitória, João Coser, presentes alguns vereadores e deputados e/ou alguns candidatos – que por motivos de legislação eleitoral não citarei os nomes – estudantes, povo em geral e nós Ruy e sua família, Gorki e eu que agradecemos especialmente aos companheiros do São Pedro que compareceram, aos companheiros das CEBs, aquelas que fundamos nos idos de 1970 /80 e que não morreram mas progrediram em organização (que é fruto de caridade), em esperança e fé e que foram mantidas pelos padres que por ali passaram, hoje administradas pelo Padre Kelder e, com muito carinho, a Perli Cipriano, cujo nome nunca sei se se escreve com I ou Y mas que deixa sua marca de amor aos deveres da Justiça e aos Direitos dessa mesma Justiça por onde passa. Obrigada Perli, obrigada aos membros da Comissão de Anistia. Não terminou. Vamos buscar o que aconteceu com os que não compareceram, vamos revisar cada item que a emoção não nos deixou perceber, vamos refazer caminhos de estudos, de seqüelas, de consequências, de perdas, mas, mais que tudo, daqui a pouco – pois é madrugada – eu vou à missa agradecer à Vida por todos nós por termos tido a oportunidade de chegar até aqui e poder ver a liberdade moral reconstituída.
Há uma canção na Igreja que cantamos assim.
Um novo sol se levanta
Sobre uma nova Civilização
Que hoje nasce
Uma semente mais forte
Que a guerra, que a morte
Nós sabemos
Que o caminho é o amor

Graça Andreatta
26 de setembro
Enviado por E-mail
Nota Blogueira: para mim esta caravana em especial me faz emocionada em ver reconhecidos verdadeiros companheiros, alguns que fizeram e/ou fazem parte da minha vida de lutas e/ou pessoal. Grande abraço a todos vcs. companheiro das lutas capixabas ontem e hoje (por incrivel coinscidencia. Nanda Tardin

domingo, 26 de setembro de 2010

VANDRÉ: DILACERANTE

"Não há por que mentir ou esconder
a dor que foi maior do que é capaz meu coração"
("Pequeno Concerto Que Virou Canção")


Foi um banho de água fria, um anticlímax, o Dossiê Globo News que marcou o reencontro dos telespectadores brasileiros com Geraldo Vandré, aos 75 anos de idade e 37 depois do última e deprimente aparição.

De positiva há a intenção manifestada por ele de retomar as atividades musicais, nem que seja gravando composições em espanhol, num país latino-americano qualquer.

E sua intenção de enveredar por poemas sinfônicos não é  tão despropositada como possa ter parecido para os que ignoram ser ele autor de uma missa apresentada em conventos dominicanos, Paixão Segundo Cristino.

Mas, não foi desta vez que a pergunta do repórter Geneton Moraes Neto – e de todos nós – teve verdadeira resposta: o que aconteceu, afinal, com Geraldo Vandré?

Só nos resta torcer para que o jornalista Vitor Nuzzi, na biografia que logo lançará do cantor e compositor paraibano, consiga desvendar o enigma.

Em primeiro lugar: Vandré foi torturado antes de partir para o exílio?

Há ex-preso político que garante tê-lo visto desmaiado numa sala de tortura. Mas, naquelas circunstâncias tão dramáticas, podia-se tomar uma pessoa por outra, ou confundir imaginação e realidade.

Quando eu estava preso na PE da Vila Militar, ouvi de cabos e sargentos relatos terríveis sobre as humilhações e indignidades a que submeteram Caetano Veloso e Gilberto Gil. Orgulhavam-se de haver colocado “no seu lugar” aquelas “bichas choronas”...

Mas, as torturas brutais não eram decididas por cabos da guarda e carcereiros entediados, e sim pelos oficiais, que as reservavam para os casos em que havia informações a serem arrancadas.

Então, Vandré só haverá sido massacrado se os ressentimentos contra ele, de tão exacerbados, tiverem feito com que recebesse tratamento diferente do habitual.

Pode ser, os militares nunca engoliram a estrofe famosa da “Caminhando”:
“Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos, de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razões”
É estranha a seletividade de sua memória, ao reconhecer, p. ex., que se refugiou na casa da viúva do Guimarães Rosa, mas omitir que o então governador de São Paulo, Abreu Sodré, o escondeu no próprio Palácio dos Bandeirantes. Quem me revelou isto, um companheiro jornalista que então atuava na imprensa palaciana, é totalmente confiável.

O certo é que, ou fugiu do País ao receber aviso da Dedé, mulher do Caetano (conforme alega) ou foi preso e depois despachado para o exterior (a versão mais plausível), vagou pelo Chile e pela França, sentiu-se infeliz e amargurado, teve problemas com drogas.

Seu disco francês (Das Terras de Benvirá) é pungente, inventário das dores de uma geração que viu seus sonhos destruídos e pagou altíssimo preço pela derrota. Chega a chorar nitidamente no meio da interpretação.

Mas, ainda era Vandré:
“Eu canto o canto
Eu brigo a briga
Porque sou forte
E tenho razão”
("Vem Vem")
Acabou não agüentando a barra do exílio e, como era usual, teve de negociar com a ditadura as condições de sua volta, para “não ter na chegada/ que morrer, amada/ ou de amor, matar” ("Canção Primeira").

Indagado sobre a entrevista que concedeu de imediato, na qual declarou a intenção de só fazer dali em diante canções de amor, ele agora diz:
“Gostaria de rever as imagens. Houve a gravação. O que foi para o ar, não sei. Queriam que fizesse uma gravação. Não lembro mais. Mas nada disse que não tenha querido dizer. Aquela declaração foi feita a pedido de alguém que se apresentou como policial federal. Fiz um depoimento aqui, no Rio. Depois disseram que tinha que ir para Brasília. Cheguei ao Brasil em 14 de julho. Em 11 de setembro de 1973, apareço como se estivesse chegando em Brasília. O depoimento foi gravado antes. Gravaram minha imagem descendo do avião em Brasília. Tudo muito manipulado. Tive que passar por um processo de readaptação ao voltar”.
A gravação era sempre parte do acordo, previamente combinada, e não “feita a pedido de alguém que se apresentou como policial federal”.

Com Gilberto Gil aconteceu o mesmo. Foi mostrado em pleno aeroporto, declarando: “Não tenho mais compromissos com a História”. Uma variante de “agora só farei canções de amor”. Os serviços de guerra psicológica das Forças Armadas não eram lá muito sutis...

Também não acredito que o depoimento tenha sido prestado a uma produtora independente. Quem costumava cumprir tais tarefas para a ditadura era a própria Globo.

E está inteiramente confirmado que o alegado "processo de readaptação" foi algo bem diferente: Vandré recebeu tratamento psiquiátrico, sob controle da ditadura, nesse período entre 14 de julho e 11 de setembro de 1973. 

Pode-se, sim, levantar a hipótese de lavagem cerebral.

De que, nesses quase dois meses em que o tiveram indefeso em suas mãos, extremamente fragilizado, hajam nele incutido a bizarra devoção pela Força Aérea Brasileira, a ponto de ele compor uma canção homenageando a FAB e de dar agora entrevista em instalações da Aeronáutica, trajando abrigo da Academia da Força Aérea.

Que o tenham condicionado a gostar do  policial bom  faz mais sentido do que uma  síndrome de Ícaro num homem com sua idade e história de vida.

Mas, é claro, trata-se apenas de uma hipótese.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

É HOJE: TV LEVA AO AR 1ª ENTREVISTA DE VANDRÉ DESDE 1973!

Neste sábado (25), às 21h05, o canal por assinatura Globo News apresentará uma atração imperdível:
"Depois de quatro décadas de isolamento, o cantor e compositor que se transformou em um dos maiores enigmas da MPB resolve finalmente quebrar o silêncio (...). Geraldo Vandré deu uma entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto no dia em que completava 75 anos de idade. Desde que voltou do exílio, no segundo semestre de 1973, ele não falava para a TV".
O Dossiê Globo News com Geraldo Vandré será reprisado no domingo (26), às 04h05 e às 12h30; e na 2ª feira (27), às 15h30.
HOMENAGEM
Para dimensionar a importância de Geraldo Vandré na música e na sociedade brasileira, recomendo dois diferentes enfoques de sua trajetória:
Quem tiver interesse, encontrará também no meu blogue o teleteatro que criei a partir de uma das composições do Vandré: Geração Maldita.

REFLEXÕES SOBRE O GOLPISMO E A HIDRA

Para que não pairem dúvidas, esclareço: meus alertas sobre a montagem de cenário para nova quartelada apenas colocam em evidência uma das tendências do quadro político atual -- e que não é a dominante neste momento.

Percebe-se claramente que a extrema-direita não acredita mais em reação dos seus candidatos na eleição presidencial do mês que vem. Dá a derrota como inevitável e já trabalha para uma virada de mesa.

Alguns textos publicados na imprensa também são, nitidamente, direcionados para o que virá depois da eleição de Dilma Rousseff. Caso do famoso editorial no qual a Folha de S. Paulo exortou a que se dê  paradeiro  no lulismo.

Entretanto, vale repetir mais uma vez, tudo isso só se tornará ameaça real se os eternos conspiradores conseguirem convencer os realmente poderosos de que poderão perder seus privilégios.

Sem o apoio do grande capital e dos EUA não se derruba governo no Brasil.

Quanto à caserna, também não mostra entusiasmo por aventuras que terminaram muito mal no passado, quando o poder usurpado teve de ser devolvido sob a vara da execração popular.

O passado nos ensina que os fardados são sempre a última e decisiva peça a ser colocada no quebra-cabeças golpista. Nada existe a temermos, por enquanto.

A faina manipulatória da grande imprensa serve tanto para ajudar os demotucanos a tentarem ainda virar a disputa eleitoral, como para enfraquecer previamente o governo de Dilma Rousseff e também para lastrear recaídas totalitárias. É de espectro amplo.

Da mesma forma, por trás do tal "Manifesto em Defesa da Democracia" estão tanto as figurinhas carimbadas da direita troglodita (Reinaldo Azevedo à frente), como os serristas.

Assim, o secretário de Relações Institucionais do governo paulista, Almino Affonso, está convocando um ato para a próxima 4ª feira (29), na Praça da República (capital paulista), de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a imprensa e de apoio ao candidato demotucano.

Candidamente, admitiu:
"[o manifesto dos notáveis] não faz referência a Serra, mas reforça sua candidatura. Vamos dar continuidade, com outra cara".
Aliás, a mesma duplicidade se verificava no Cansei!: havia também os legalistas, claro, mas a rede virtual neofascista apoiou em peso o movimento, na esperança de que se tornasse uma nova Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade.

A burguesia, como a hidra, tem muitas cabeças.

A pior delas, com certeza, vai se tornar bem visível após a proclamação do resultado das urnas.

Os reacionários mais empedernidos não deixarão de tentar qualquer coisa, face à perspectiva de outros oito anos de lulismo no poder (os quatro de Dilma, seguidos da volta de Lula em 2014). E o mais provável é que fracassem de novo.

Trata-se de algo que não nos deve assustar nem deter, mas contra o qual precisamos nos precaver, para não sermos apanhados de pijama, como fomos em 1964 ou como Zelaya foi no ano passado.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

REINALDO AZEVEDO LANÇA A VERSÃO RECICLADA DO "CANSEI!"

Humildemente, admito meu erro: não será no ano que vem que a direitalha começará a preparar uma virada de mesa, em razão da nova e acachapante derrota eleitoral.

Foi assim que eles agiram quando o presidente Lula conquistou seu segundo mandato.

Um semestre depois, tentaram reeditar a Marcha da Família, Com Deus, Pela Liberdade.

Só que o tal do Cansei! (foto) foi simplesmente ridículo, reunindo míseras 4 mil testemunhas no espaço imenso da Praça da Sé.

Mecanicamente, acreditei que a história se repetiria. E afirmei, no artigo As ameaças existem e ignorá-las poderá ser trágico (o qual,  timing  à parte, continua sendo uma boa  crônica da quartelada anunciada, a ser levada em conta pelos que têm a obrigação de adotar contramedidas):
"Podemos dar como favas contadas que haverá cidadãos querendo derrubar o governo no início de 2011".
Eu não espeava que, duas semanas antes do pleito, a direita golpista já tivesse desistido da cartada eleitoral e passado à etapa seguinte.

Então, um de seus mais notórios porta-vozes, Reinaldo Azevedo, está lançando a nova versão do Cansei!, provavelmente porque o João Dória ainda não se recuperou do último fiasco. Deve continuar cansadinho.

Na exortação carnavalesca que RA inseriu nesta 4ª feira em seu blogue da Veja (A democracia e o estado de direito pedem passagem...), ele deixou bem evidenciada, em caixa alta, a genealogia do novo movimento, que utiliza um manifesto de notáveis como abre-alas:

"NÃO ESTAMOS CANSADOS (sic)! AO CONTRÁRIO! ESTAMOS CHEIOS DE ENERGIA PARA DEFENDER A DEMOCRACIA, O ESTADO DE DIREITO E A LIBERDADE DE IMPRENSA".

Ou seja, a Marcha da Família foi um dos estopins de uma tragédia; o Cansei! de 2007, uma tentativa farsesca de a bisar; e o Cansei! de 2010 não passaria da farsa que reedita a farsa... como desfile carnavalesco?

Pateticamente, RA acusa "o PT e sindicalistas" de "flerte com a barbárie ditatorial", como se, afora a alegada (e, bem vistas as coisas, inofensiva) "truculência retórica", partisse deles a maior ameaça à democracia e ao estado de direito.

Não, a esquerda brasileira pode ser dada às bravatas da boca pra fora, mas as mordidas provêm sempre da direita, com seu know-how golpista aprimorado ao longo dos tempos: 1954, 1961, 1964...

Infelizmente, alguns homens dignos se deixaram iludir por esse alarmismo insuflado dia e noite pela mídia tendenciosa. Não serei eu a desmerecer suas magníficas trajetórias.

Apenas lamento que hoje estejam servindo de inocentes úteis para as vis tramóias dos inúteis.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PARA MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, REVER REPARAÇÕES NÃO É ATRIBUIÇÃO DO TCU

A Agência Brasil informa: o Ministério da Justiça pediu ao Tribunal de Contas da União que reconsidere sua decisão de revisar mais de 9 mil reparações econômicas concedidas a vítimas da ditadura militar.

Esclarece que as reparações, ainda que pagas mensalmente e de forma contínua, “têm natureza jurídica indenizatória, e não de pensão”.

Incorreu, portanto, em grave equívoco o procurador Marinus Eduardo Marsico, cujo objetivo assumido é forçar a redução dos valores concedidos a Maria Pavan Lamarca (viúva de Carlos Lamarca, executado por militares quando estava rendido e indefeso, sob a guarda do Estado brasileiro) e aos jornalistas Jaguar e Ziraldo.

Ele passou batido pelo fato de que as reparações estão fora da alçada do TCU, ao qual, segundo a Constituição, cabe apenas fiscalizar aposentadorias e pensões de servidores públicos e familiares.

Ignorou, inclusive, decisão anterior do próprio Tribunal de Contas, que, em processo de anistiados da Força Aérea Brasileira (TC 026.848/2006-1), reconheceu: “não se extrai do texto constitucional qualquer possibilidade de o TCU adentrar terreno da discricionariedade política dos atos de governo”.

O documento enfatiza que a indenização aos anistiados não tem “natureza previdenciária”, não é um direito decorrente do recolhimento de trabalho e contribuição à Previdência Social, mas um direito devido a uma lesão provocada pelo Estado. Daí decorre que “o ato de concessão da declaração da anistia, bem como da prestação permanente e continuada, não se submete a registro perante a Corte de Contas”.

Segundo o MJ, além de inconstitucional, a decisão do TCU é “inoportuna” e “injustificável”, agravando a não reconciliação do Estado com as pessoas perseguidas pelo regime militar: 
“Com a ausência de arquivos disponíveis para a sociedade, com a negativa do direito à proteção judicial das vítimas em relação aos seus torturadores, com a incapacidade do Estado em localizar os restos mortais dos desaparecidos políticos, o processo reparatório resta como baluarte da transição rumo à reconciliação”.

PARA A NOMENKLATURA CUBANA, A CULPA É DOS TRABALHADORES

Logo que foi noticiado o plano cubano de demitir 500 mil funcionários do setor estatal, equivalentes a quase 10% dos trabalhadores do país, eu já lamentei a sorte dos coitadezas que não têm "sequer um sindicato que os defenda da guilhotina, digo, do enxugamento de quadros".

Exatamente uma semana depois, a enviada especial da Folha de S. Paulo a Havana bate na mesmíssima tecla, qualificando de "fenômeno original" o papel assumido pela entidade sindical, a Central dos Trabalhadores de Cuba, de anunciar e administrar o passaralho: "em vez de defender a manutenção dos empregos, é quem apresenta as propostas de cortes".

Pior ainda é a realidade que a retórica dos dirigentes nos permite vislumbrar:
"Não é possível manter três motoristas por equipe, pagando salários que não têm respaldo na produção" (Salvador Valdés Mesa, secretário-geral da CTC).

"[a reestruturação visa coibir] a baixa produtividade, as indisciplinas, as violações do estabelecido, o roubo, a falta de ética e atuações ilícitas por falta de exigência e rigor" (jornal Trabalhadores).
Para Valdés Mesa, a degola é necessária para a defesa da Revolução. "E, defendendo a Revolução, defendemos os trabalhadores."

Primeiramente, o óbvio: é repulsivo estarem apresentando medidas de ordem macroeconômica como se fossem tão somente um castigo para os trabalhadores relapsos.

Já não basta atirá-los na rua da amargura? Ainda têm de expô-los à execração dos demais, ao trombetearem que a culpa é deles mesmos?

O certo é que, por diversos motivos, dentre os quais o embargo estadunidense, o modelo cubano não estava funcionando e se decidiu admitir que os investimentos privados tenham maior peso na atividade econômica (hoje, sua participação está na casa de 5%).

Era isto que deveria ser exposto, honestamente, ao povo cubano. A verdade é revolucionária, lembram?

Mas, este poderia concluir que, afinal, os dirigentes não são infalíveis, errando como qualquer humano erra.

Então, para que não pairasse dúvida acerca da divindade da  nomenklatura, o jeito foi vilificar os demitidos, erigindo-os em bodes expiatórios.

Que cada companheiro decida de que lado está, quando se chocam os trabalhadores e o Estado que deveria a eles pertencer. Eu me alinharei sempre com os trabalhadores.

De resto, fica mais uma vez evidenciado que eles não estão encarando o trabalho como sua contribuição para a sociedade. Têm a mesma má vontade e os mesmos desígnios individualistas de quem está submetido ao capitalismo.

Para não alongar esta discussão, constatarei que, se isto ocorre após cinco décadas de Revolução, só podemos depreender que:
  • ou os trabalhadores querem mesmo é melhora material, consumismo, lixando-se para a libertação da sociedade como um todo -- o que implicaria a inexistência de esperança para a humanidade;
  • ou o que  pegou  foi só a tentativa de se construir o socialismo num país isolado e atrasado.
Fico com Marx: nosso objetivo não é a igualdade na penúria, mas sim a distribuição equânime das riquezas.

As que já são geradas e as que o seriam caso o labor dos homens priorizasse o socialmente útil, descartando o suntuário e o parasitário (cujo peso é cada vez maior, à medida que se aprofunda a degenerescência do capitalismo).

A mudança de foco -- da ganância e da busca do privilégio para a solidariedade e o bem comum -- ou se dará em escala mundial, puxada pelos países de economia mais avançada, ou vai abortar, gerando modelos híbridos como o soviético, o chinês e o cubano, que fracassam e acabam reintroduzindo o capitalismo.

Estou sendo herético?

Não, estou apenas resgatando o Marx original, que pouca gente leu.

domingo, 19 de setembro de 2010

ALÉM DA CREDIBILIDADE, A 'FOLHA' PERDEU O SENSO DE RIDÍCULO

Na última 4ª feira (15), certo de que a Folha de S. Paulo continuaria escamoteando as boas práticas jornalísticas, postei e divulguei o artigo Caso Battisti: a 'Folha' driblará de novo o direito de resposta?.
Resumindo:
  • o jornal publicara na 2ª feira um panfletinho canhestro, de viés escrachadamente direitista, perpetrado por uma nada ilustre desconhecida para pressionar o presidente Lula a decidir de maneira injusta e indigna o caso da extradição do perseguido político italiano Cesare Battisti;
  • no mesmo dia o companheiro Carlos Lungarzo detonou tal falácia parágrafo por parágrafo, produzindo uma refutação exemplar e enviando-a à Folha lá pela hora do almoço;
  • o pasquim da  ditabranda  começou a enrolar o Lungarzo na própria 2ª e continuou na 3ª, com o editor de Opinião finalmente prometendo uma resposta... para a 5ª, quando o assunto estaria frio como um iceberg;
  • antes disto, na 4ª, publicou no Painel do Leitor uma refutação do advogado Barroso, fiel à sua prática de fornecer tribuna privilegiada para as piores aberrações e relegar as contestações à seção de leitores, que o Paulo Francis apropriadamente definia como "muro das lamentações";
  • cantei a bola no meu artigo, antecipando que este seria o pretexto utilizado pela Folha para não publicar o artigo do Lungarzo, negando-lhe o direito de resposta no mesmo espaço e com o mesmo destaque, como era praxe no jornalismo de verdade, mas deixou de sê-lo quando os jornais ficaram submetidos a banqueiros credores ou a filhinhos de patrões.
Errei: o pretexto que o editor de Opinião utilizou para tapar o sol com a peneira, desta vez, foi de que eu publicara o artigo do Lungarzo no meu blogue e, provavelmente, o espalhara pela minha rede...

Esperei até hoje para ver se a ombudsman, em sua coluna dominical, cumpriria seu dever de abordar este caso. Também se omitiu.

Então, só me resta dividi-lo com vocês.

É hilário constatar que, da forma como o editor de Opinião da Folha colocou a questão, euzinho fui colocado em pé de igualdade com o autoproclamado maior jornal do País: o que sai no blogue do Lungaretti, a Folha não publica.

Foi a homenagem que o vício prestou à virtude, pois, modéstia à parte, nos meus espaços se pratica um jornalismo inexistente na Folha desde os idos dos '70, quando tinha um diretor de redação de verdade, Cláudio Abramo.

Da mesma forma que o Gabeira e o Serra abdicaram da própria identidade, tornando-se o avesso do que eram, a Folha hoje não passa de um ex-jornal que virou mero  house organ  da direita golpista, obcecado em fabricar factóides políticos, no afã de fornecer munição eleitoral para tais e quais candidaturas em detrimento de outras.

Seu compromisso não é mais com a informação, e sim com a manipulação.

sábado, 18 de setembro de 2010

Juntos Somos Fortes: Empoderamento Popular via Internet Banda Larga aut...

Juntos Somos Fortes: Empoderamento Popular via Internet Banda Larga aut...: "Inclusão Digital não é dar internet de graça à população. Inclusão Social é dar uma finalidade ao uso dessa internet'. (Marcelo Salgado) E ..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

PAUTA GOLPISTA: 'FOLHA' PEDE QUE SE DÊ "PARADEIRO" NO LULISMO

Quando surgiam as mais escabrosas revelações sobre o esquema de corrupção montado por PC Farias, meus colegas de trabalho no Palácio dos Bandeirantes, alguns com décadas de atuação na imprensa governamental, eram unânimes em afirmar que o tesoureiro de Fernando Collor apenas fizera , de forma mais amadoresca, o que todos faziam: "Onde já se viu passar cheques a torto e a direito? Deveria pagar tudo em dinheiro vivo, como o daqui..."

Por conhecer a História deste país e saber muito bem como  aquilo que todos fazem  foi trunfo importante para os conspiradores que causaram a morte de Getúlio Vargas e derrubaram o governo legítimo de João Goulart, eu reintroduzi no debate político uma velha máxima do Paulo Francis: combate à corrupção é bandeira da direita.

Agora, talvez, a ficha caia para os companheiros que não concordaram comigo quando a bola da vez era Daniel Dantas -- o qual, como PC Farias, apenas dera bandeira ao fazer o que fazem todos os banqueiros (parasitas supremos do capitalismo), pois o maior roubo de todos é a própria fundação do banco, como falou e disse Bertold Brecht.

Agora, foi só ser exposto um dos infinitos esquemas de corrupção existentes no Brasil e a mídia golpista já começou a espalhar sugestões veladas de golpe de estado, como faz a Folha de S. Paulo em seu editorial desta 6ª feira:
"Nesta hora em que as pesquisas de intenção de voto apontam para uma vitória acachapante da candidata oficial, mais do que nunca é preciso estabelecer limites e encontrar um paradeiro à ação de um grupo político que se mostra disposto a afrontar garantias democráticas e princípios republicanos de forma recorrente".
Estando a candidata oficial prestes a ser eleita de forma acachapante, qual o  paradeiro  que se poderá dar à ação do grupo político que o editorialista da Folha qualifica de delinquente contumaz?

Ora, se a afronta à democracia e à república vem sendo recorrente, depreende-se que o Legislativo e o Judiciário não estejam conseguindo encontrar tal  paradeiro.

Então, quem será o verdadeiro destinatário da conclamação do jornal da  ditabranda? Os fardados, que não têm a missão constitucional de serem instrumento de   paradeiro  nenhum, mas a direita sempre tenta convencer a agirem como tal?

Os precedentes levam a crer que sim...

De resto, espero que os companheiros de esquerda façam uma rigorosa autocrítica por terem, como eu sempre adverti, levado água para o moinho da direita, ao estimularem as Operações Satiagrahas e Leis da Ficha Limpa da vida, como se fossem meros pequeno-burgueses moralistas.

A posição de revolucionários deve ser sempre inequívoca, incisiva e didática: a corrupção é inerente ao capitalismo, que coloca a ganância e a busca do privilégio acima de todos os outros valores da vida social, então só será extinta quando o próprio capitalismo for extinto.

Estimular ilusões reformistas pode render votos e proporcionar pequenos ganhos políticos, mas implica cumplicidade com o anestesiamento da consciência das massas, ao incutir-lhes a esperança de que meros retoques na fachada salvarão um edifício cujos alicerces estão podres.

"Que suas palavras sejam sempre sim, sim, ou não, não, pois tudo o mais será sugerido pelo demônio", disse um santo medieval.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CASO BATTISTI: A 'FOLHA' DRIBLARÁ DE NOVO O DIREITO DE RESPOSTA?

A Folha de S. Paulo, como o leopardo, não perde as pintas. Usa sempre os mesmos subterfúgios para esquivar-se de seguir as boas práticas jornalísticas.

Em 1994, o escritor Marcelo Paiva me fez acusação gratuíta e gravíssima na capa da Ilustrada e tive de brigar muito, apelando inclusive ao próprio diretor de redação, para que respeitassem integralmente o direito que o próprio manual de procedimentos do jornal me concedia: o de que fosse publicada minha réplica e, havendo tréplica, também um pronunciamento final.

Quiseram escamotear o último, alegando falta de espaço por causa da Copa do Mundo. A redação e a própria ombudsman da época tentaram sair por essa tangente. Quando cobrei do Otavinho Frias Filho a observância das normas do manual por ele introduzido, muito a contragosto, o jornal aquiesceu.

Só que, àquela altura, nenhuma das partes tinha fontes ou evidências irrefutáveis para lastrear suas afirmações. Acabou ficando minha palavra contra a do Paiva.

Dez anos e alguns meses depois, encontrei a prova de que necessitava -- um relatório confidencial de operações do II Exército -- e apelei à Folha, no sentido de que fosse esclarecido definitivamente o episódio, em benefício dos leitores e da minha honra.

Enrolaram-me  durante umas três semanas, incumbindo o diretor da sucursal do RJ de receber a minha versão e preparar uma matéria... só que ele sempre alegava ter algo mais urgente para fazer.

Finalmente, o grande historiador Jacob Gorender enviou carta ao Painel do Leitor da Folha, fazendo a autocrítica dele, Gorender, por haver acreditado na versão que me dava como delator da área de treinamento guerrilheiro em Registro, quando escreveu seu clássico Combate nas Trevas.

A Folha aproveitou a oportunidade para se livrar de uma obrigação que relutava em cumprir: comunicou-me que considerava a publicação da carta do Gorender como suficiente para reposicionar a questão, inteirando os leitores da nova evolução do caso.

Ou seja, Gorender fez sua autocrítica. E quanto à Folha, que me havia lançado uma pecha infame em espaço dos mais nobres (a capa do seu caderno de Variedades)? Não se manifestou, simplesmente. Pois, ter oferecido espaço à carta do Gorender não significava sequer que concordasse com a conclusão a que ele chegou..

Consultei advogados. Poderia pleitear judicialmente direito de resposta, mas eu estava em péssima situação financeira e nenhum se propôs a me representar de graça.

Na eventualidade de uma ação por danos morais ou coisa que o valha, o advogado, pelo menos, poderia atuar na esperança de receber parte substancial da indenização pleiteada. Mas, como já se haviam passado dez anos, meu direito tinha prescrito.

A HISTÓRIA SE REPETE?

Por que evoco isto?

Porque, aparentemente, a Folha voltou a proceder da mesmíssima maneira.

Publicou na 2ª feira (13) um artigo medíocre, engrossando o lobby que pressiona o presidente Lula a entregar Cesare Battisti à Itália.

Recebeu, lá pela hora do almoço, uma refutação parágrafo a parágrafo do nosso bom Carlos Lungarzo. Exercício incontestável do direito de resposta, partido de um respeitado professor acadêmico e principal representante da Anistia Internacional no Brasil.

Iniciou os negaceios, a  enrolação. Ante a insistência do Lungarzo, prometeu resposta para a 5ª feira (16).

Hoje (15), no Painel do Leitor, publicou mensagem do advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso:
"O artigo (...) apresenta uma crítica ao governo federal e à sua política externa.

"Nesse contexto, defende a entrega de Cesare Battisti à Itália mais de 30 anos após os fatos relevantes.

"O STF autorizou a extradição por 5 votos a 4, transferindo a decisão final ao presidente da República. A autorização foi dada em uma hipótese rara de voto de Minerva a favor da acusação e contra o parecer do procurador-geral da República, que era pela validade do refúgio.

"Foi a primeira vez que um ato de refúgio foi anulado, decisão criticada por alguns dos principais juristas do país em carta ao presidente Lula.

"Cesare Battisti é um escritor pacato, que há muitos anos vivia na França com sua família até que o governo Berlusconi passou a persegui-lo. Foi condenado à revelia em um segundo julgamento, com base apenas em delações premiadas. No primeiro, nem sequer foi acusado. Em sua crítica, a articulista faz uma opção política e diz preferir a Itália à Venezuela, Cuba e Irã.

"Essa não é uma razão para mandar alguém para a prisão pelo resto da vida".
Gato escaldado, eu adivinho que a resposta ao Lungarzo amanhã será a mesma que eu recebi em 2004: "A Folha considera que a publicação da carta do Barroso já foi suficiente...".

Só que não foi: artigo se responde com artigo, no mesmo espaço e com tamanho equivalente.

Então, ofereço aos meus leitores a oportunidade de conhecerem a brilhante refutação do Lungarzo.

Se a Folha não fizer o mesmo com seus leitores, é porque não está, como eu, comprometida com o verdadeiro jornalismo.
ACOLHER BATTISTI É UMA ESCOLHA ÉTICA

Carlos Alberto Lungarzo (*)
Como simples mortal, nunca consegui, apesar dos muitos esforços, aprender a refinada linguagem dos juristas. Entretanto, sei o que é uma escolha ética: é escolher pela verdade. Por causa disso, desejo indicar que nas acusações contra Battisti há numerosas inverdades. Vejamos algumas:

No relatório da ext 1085 (versão publicada pelo próprio STF), p. 53 (ad calcem) diz: “Homicídio de LINO SABBADIN, perpetrado em Mestre, em 16.2.1979. Battisti, no interior do estabelecimento comercial de propriedade da vítima, desfechou-Ihe diversos tiros a queima-roupa”. Entretanto, a sentença do Tribunal de Júri de Milão, de 13.12.88, RG 49/84, diz, na página 448 (embaixo): “É significativa a comparação entre o retrato falado [...] e a foto de Giacomini”. Na pág. 678, §2 diz-se que “[Giacomini] tem admitido totalmente sua responsabilidade [...] relativo ao homicídio Sabbadin”.
Em nenhum documento italiano se diz que Sabbadin tenha recebido tiros de duas armas diferentes. Sempre se afirma que Giacomini atirou e que Battisti era escolta. (A cumplicidade de Battisti não foi provada, nem afirmada por Giacomini, mas isto é outra história). Portanto, onde teve Peluso uma fonte tão boa que é melhor que a sentença italiana? Por que ele inventou este fato?

Na matéria em apreço se diz que houve “oportunidade de defesa e impugnação”. Foi? Onde estão as provas? As procurações que os advogados Pelazza e Fuga usaram como se fossem de Battisti, foram falsificadas, como provou a historiadora e arqueóloga Fred Vargas. Como entendi que era necessária uma prova muito detalhada, fiz uma animação de mais de 50 frames, onde se demonstra passo a passo a forma em que esta falsificação foi feita. Está em numerosos sites e em meu blog, onde estão também todas as cópias dos documentos carimbados na França:

http://ocasodecesarebattisti.blogspot.com/search/label/FALSIFICA%C3%87%C3%95ES

A autora diz que a delação premiada é usada no Brasil. Não diz, porém, que mereceu muitos reparos dos melhores juristas e magistrados, entre eles Marco Aurélio de Mello e Menezes Direito, de ideologias muito diversas. Aos que dizem que Battisti foi terrorista sugiro ler a proposta de definição de novembro de 2004, da ONU, um órgão que pode ser considerado conhecedor do assunto.

“No episódio de que ora se trata, a única soberania não observada foi a italiana.” A ideia atual é que a soberania vale dentro das fronteiras de um país, no mar territorial, nas embaixadas, etc. O Planalto não está dentro de soberania do estado italiano. A lei nº 9.474/97 veda refúgio a autores de crimes considerados hediondos, mas, como disse a ministra Carmen Lúcia, esse conceito não existia na Itália na época (nem no Brasil).

O que chama minha atenção é a referência à ditadura castrista, e as soberanias cubanas, venezuelana e iraniana. Nós, militantes de Direitos Humanos, temos defendido Zapata e, obviamente Sakinheh, e sob nenhuma hipótese aceitamos que esses direitos possam ser violados sob qualquer pretexto. Este assunto nada tem a ver com o caso Battisti. O fato de que a autora inclua estas observações me faz pensar que seu objetivo tampouco é jurídico.

Aliás, me pergunto o seguinte: se eu fosse conivente com crimes contra os Direitos Humanos em Cuba e no Irã, isso significa que também deveria ser conivente com os mesmos crimes na Itália? Ou seja, uma injustiça apagaria as outras?

* Carlos Lungarzo é professor titular aposentado da Unicamp e membro de Anistia Internacional

terça-feira, 14 de setembro de 2010

FURACÃO SOBRE CUBA...

...é o título de um livro escrito em 1960 por Jean-Paul Sartre, que li quando começava a me direcionar para a política revolucionária. Fez-me admirar muito a ilha.

O filósofo existencialista francês se referia, claro, ao furacão que varrera Cuba no ano anterior, quando os guerrilheiros de Fidel e Che derrubaram o governo despótico e corrupto de Fulgêncio Batista.

Cinco décadas depois, um novo furacão está se desencadeando sobre Cuba, segundo notícia da Folha.com:
"Cuba anunciou nesta segunda-feira que vai cortar ao menos meio milhão de funcionários públicos até o começo do ano que vem, e reduzir as restrições a empreendimentos privados para ajudá-los a encontrar novos empregos. É a medida mais dramática já anunciada no governo de Raúl Castro para atenuar a grave situação econômica que enfrenta a ilha".
Bota dramáticidade nisso. Sendo a força de trabalho cubana de 5,1 milhões de cidadãos, 4,2 milhões dos quais a serviço do Estado, significa que quase 10% dos trabalhadores e 12% dos funcionários do setor estatal serão atingidos pelo passaralho "até o primeiro trimestre de 2011".

O comunicado do sindicato oficial, a Central de Trabalhadores de Cuba, é taxativo:
"Nosso Estado não pode e não deve continuar apoiando negócios, entidades produtivas e serviços com folhas de pagamentos inflacionadas, e perdas que prejudicam nossa economia são, em última instância, contraprodutivas, criando hábitos ruins e distorcendo a conduta do trabalhador".
Qualquer semelhança com a retórica adotada pelos países capitalistas nos funestos tempos de Reagan e Thatcher não é mera coincidência. Os poderosos sempre apresentam como necessárias e salutares as medidas que infelicitam os coitadezas.

Os quais são mais coitadezas ainda quando não têm sequer um sindicato que os defenda da guilhotina, digo,  do  enxugamento de quadros (ah, os eufemismos!).

E, para quem ficou surpreso com a recente alusão de Fidel Castro à ineficiência do modelo econômico cubano, vale lembrar que já a reconhecera em discurso proferido na Páscoa, quando sugeriu que fossem demitidos até 1 milhão de trabalhadores. Raul deixou pela metade.

Não vou repetir a argumentação do meu artigo A frase de Fidel e o besteirol do PIG. Apenas destacar que ficou novamente comprovada a impossibilidade de se construir o socialismo em países isolados, atrasados e asfixiados pelos inimigos. c.q.d.

Triste sina, a de nações como Cuba. Sob o capitalismo, relegavam-na a cassino, cabaré e bordel de luxo para ricaços estrangeiros.

Depois da revolução, confinada como pestilenta pelo embargo estadunidense, não conseguiu construir uma economia próspera. E ainda serve como espantalho para a propaganda burguesa: "Vejam como o comunismo empobrece um país!"...

Certo está Hugo Chávez: precisamos reerguer o movimento revolucionário em escala planetária -- não necessariamente por meio da 5ª Internacional que ele está lançando.

Mas, o caminho é esse mesmo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Juntos Somos Fortes: Isto é Militancia : Panfletagem e Formação

Juntos Somos Fortes: Isto é Militancia : Panfletagem e Formação: "Clique na foto e abrirá outros exemplos de FUTURO . O comandante Clemente segue firme na luta contra a ditadura. Se arma do VERBO e com o ..."

domingo, 12 de setembro de 2010

A FRASE DE FIDEL E O BESTEIROL DO PIG

A grande imprensa brasileira saudou efusivamente a afirmação de Fidel Castro, de que o modelo econômico cubano não funcionaria (mais tarde relativizada por ele, sob a alegação de não era exatamente isto que queria dizer).

troféu PIG  coube a Suely Caldas que, em O Estado de S. Paulo, deitou falação sobre o que está muito além dos seus conhecimentos:
"A esperança de um mundo igual e justo, lançada por Karl Marx e Friedrich Engels no século 19, não logrou sucesso em nenhuma das experiências socialistas vividas ao longo do século 20. Entre outras razões de ordem econômica, também porque nunca conseguiram se sustentar sem a imposição de uma ditadura a subjugar uma população que ansiava por liberdade".
Até quando será invocado o santo nome de Marx em vão?

Ele jamais pregou a construção do socialismo em países isolados e atrasados.

Acreditava que, como consequência de suas próprias contradições (principalmente a apropriação individual do produto do trabalho coletivo), o capitalismo passaria a frear o desenvolvimento das forças produtivas, ao invés de o alavancar.

Então, em sua marcha para o progresso, a humanidade seria obrigada a evoluir para uma forma de organização econômica, política e social que libertasse as forças produtivas do jugo do lucro.

Ou seja, em termos simplificados, o contínuo crescimento da produção era limitado pelo fato de que os produtores, ao serem espoliados de uma parcela do resultado do seu labor, não tinham meios para adquirir tantos produtos quanto geravam.

Então, essa produção que excedia o poder aquisitivo dos consumidores era destruída (queimas de café para evitar a queda do preço no mercado, p. ex.) ou, por mecanismos mais sutis,  remanejada: a economia se voltava para atividades parasitárias ou para a indústria de guerra.

Ou seja, o peso descomunal que o setor financeiro adquiriu no capitalismo do século 20 foi uma forma de manter pessoas trabalhando para nada produzirem de útil, necessário ou válido. É a condenação mais gritante de um sistema putrefato, que mantém os homens a labutarem em vão, quando poderiam estar trabalhando muito menos e vivendo muito melhor, livres do tacão da necessidade e do estresse da competição encarniçada.

As duas guerras mundiais e os muitos conflitos localizados, idem. Em vez de se direcionar o esforço dos seres humanos para melhorar a existência dos seres humanos, passou-se a empregá-lo no seu extermínio.

Como alternativa, as grandes recessões periódicas que assolam o capitalismo até hoje.

Antes, a superprodução desembocava automaticamente na crise.

Depois, para permitir que os consumidores adquirissem aquilo que não podiam pagar, criaram-se mecanismos de crédito que resolvem o problema imediato, mas, como bola de neve, acabam gerando dívidas impagáveis à frente.

Até que essa economia artificial, fictícia, estoura como bolha de sabão.

Exatamente como Marx dizia, a contradição insolúvel do capitalismo engendrará crises cíclicas até que ele seja superado pela racionalidade econômica.

Elas podem não ocorrer mais a cada dez anos, mas continuam tão inevitáveis quanto antes.

Face a tal mostrengo, como ousa e jornalista empertigada criticar o socialismo real? Quem tem algo a dizer sobre ele somos nós, não ela.

REVOLUÇÃO MUNDIAL x SOCIALISMO NUM SÓ PAÍS

No princípio, os  profetas  apregoavam uma maré revolucionária que uniria e imantaria os proletários de todos os países, varrendo o planeta. É o que lemos no mais inspirado panfleto político que a humanidade já produziu, o Manifesto do Partido Comunista de 1848.

Levando em conta não só que os trabalhadores do mundo inteiro estavam irmanados pela sina de terem uma substancial parcela da riqueza que geravam (a mais-valia) expropriada pelo patronato, como também que a exploração capitalista havia subjugado países e culturas, submetendo proletários de todos os quadrantes a uma mesma lógica de dominação, os papas do marxismo profetizaram que o socialismo seria igualmente implantado em escala global, começando pelas nações de economias mais avançadas e se estendendo a todas as outras.

O movimento revolucionário foi, pouco a pouco, conquistado pela premissa teórica do internacionalismo, ainda mais depois que a heróica Comuna de Paris foi esmagada em 1871 pela ação conjunta de tropas reacionárias francesas com o invasor alemão. Se as nações capitalistas conjugariam suas forças para sufocar qualquer governo operário que fosse instalado, então os movimentos revolucionários precisariam também transpor fronteiras, para terem alguma chance de êxito – foi a conclusão que se impôs.

Outra, de consequências trágicas: a tese de que, como era desigual o ritmo com que as nações amadureciam para a experiência socialista, poderia se recorrer a uma ditadura momentânea do proletariado (já que a Comuna de Paris parecera ter sido derrotada por excesso de brandura) naquelas que se libertassem primeiramente, para resistirem ao capitalismo agonizante até que a revolução vencesse no mundo inteiro.

No entanto, a ditadura do proletariado deveria se tornar cada vez menos ditadura, tendo a função de preparar as condições para seu desaparecimento, por obsolescência.

Em 1917, surgiu a primeira oportunidade de tomada de poder pelos revolucionários desde a Comuna de Paris. E os bolcheviques discutiram apaixonadamente se seria válida uma revolução em país tão atrasado como a Rússia – uma verdadeira heresia à luz dos ensinamentos marxistas.

Para Marx, o socialismo viria distribuir de forma equânime as riquezas geradas sob o capitalismo, de forma que beneficiassem o conjunto da população e não apenas uma minoria privilegiada. Então, ele sempre augurara que a revolução mundial começaria nos países capitalistas mais avançados, como a Inglaterra, a França e a Alemanha.

Um governo revolucionário na Rússia seria obrigado a cumprir tarefas características da fase da acumulação primitiva do capital, como a criação de infra-estrutura básica e a industrialização do país. O justificado temor de alguns dirigentes bolcheviques era de que, assumindo tais encargos, a revolução acabasse se desvirtuando irremediavelmente.

Prevaleceu, entretanto, a posição de que a revolução russa seria o estopim da revolução mundial, começando pela tomada de poder na Alemanha. Então, alavancada e apoiada pelos países socialistas mais prósperos, a construção do socialismo na Rússia se tornaria viável.

Os bolcheviques venceram, mas seus congêneres alemães foram derrotados em 1918. A maré revolucionária acabou sendo contida e, como se previa, várias nações capitalistas se coligaram para combater pelas armas o nascente governo revolucionário. Mesmo assim, o gênio militar de Trotsky acabou garantindo, apesar da enorme disparidade de forças, a sobrevivência da URSS.

Quando ficou evidente que a revolução mundial não ocorreria tão cedo, a União Soviética tratou de sair sozinha da armadilha em que se colocara. Devastada e isolada, precisou criar uma economia moderna a partir do nada.

Nenhum ardor revolucionário seria capaz de levar as massas a empreenderem esforços titânicos e a suportarem privações dia após dia, indefinidamente. Só mesmo a força bruta garantiria essa mobilização permanente, sobre-humana, de energias para o desenvolvimento econômico. A tirania stalinista cumpriu esse papel.

A revolução nunca mais voltou aos trilhos marxistas. Como único país dito socialista, a URSS passou a projetar mundialmente seu modelo despótico, que encontrou viva rejeição nas nações avançadas. Nestas, as únicas adesões não se deveram à atuação política dos trabalhadores, mas sim às baionetas do Exército Vermelho, quando da vitória sobre o nazismo.

Tomada autêntica de poder houve em outros países pobres e atrasados, como a China, Cuba, Vietnã e Camboja. E todos repetiram a trajetória para o modelo autoritário do socialismo num só país stalinista.

AVANÇO TECNOLÓGICO x LETARGIA ECONÔMICA

Mas, a arregimentação autoritária da mão-de-obra só funcionou a contento na etapa da industrialização pesada.

Na segunda metade do século 20, a economia capitalista avançou noutra direção, a da sofisticação tecnológica, da miniaturização, da gestação sôfrega de novas manias consumistas. Informática, biotecnologia, novos materiais, novos processos.

O avanço movido a ganância, com base no talento individual, na pesquisa e na tecnologia, derrotou a economia letárgica da URSS, tornada jurássica da noite para o dia, e sua  nomenklatura  arrogante que se reservava todos os privilégios.

Comprovava-se a máxima marxista segundo a qual são os países com forças produtivas mais desenvolvidas que determinam os rumos da humanidade.

O bloco soviético desabou como uma fruta apodrecida. Seus países voltaram ao capitalismo e à democracia burguesa.

A China conseguiu manter o sistema político autoritário, à custa de mesclar a economia estatizada com a iniciativa privada. Criou o pior dos mundos possíveis: algo assim como o milagre brasileiro, com a falta de liberdade sendo aceita em função das melhoras materiais proporcionadas pelo regime (e do espírito tradicionalmente submisso dos asiáticos).

Sobrou para os idealistas do século 21 a missão de recolocar a revolução nos trilhos, para que ainda seja cumprindo o sonho original de Marx: não apenas regimes híbridos em países isolados, mas sim o planeta inteiro transformado no “reino da liberdade, para além da necessidade”, em que:
  • cada cidadão contribua no limite de suas possibilidades para que todos os cidadãos tenham o suficiente para suprirem as suas necessidades e desenvolverem plenamente as suas potencialidades; e
  • o estado desapareça, com os cidadãos assumindo a administração das coisas como parte de sua rotina e a ninguém ocorra administrar os homens, já que eles serão, para sempre, sujeitos da sua própria História.
Engendrarmos uma onda revolucionária capaz de varrer o planeta é tarefa gigantesca? É.

Mas, em relação ao século 19, há uma mudança importante: ela se tornou muito mais necessária, como alternativa à regressão -- talvez, até, à própria aniquilação -- da humanidade.

Pois, salta aos olhos que, mantida a prioridade dos interesses individuais sobre os coletivos, a exaustão de recursos naturais e as catástrofes ecológicas reduzirão drasticamente os contingentes humanos, ou os exterminarão de vez.

A opção a fazermos, como disse Norman O. Brown, agora é entre a vida numa sociedade solidária e harmoniosa, ou a morte sob o capitalismo excludente e predatório.

Apesar deles : Unidos e unindo para que DITADURA NUNCA MAIS



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1.
Frente Nacional de Resistencia supera la meta de un millón 250 mil firmas

Red Morazánica de Información

Tegucigalpa 12 de septiembre de 2010. El Frente Nacional de Resistencia Popular FNRP, superó hoy la meta de un millón 250 mil firmas , de la Declaración Soberana por la Constituyente Popular y Participativa y por el retorno del Presidente Manuel Zelaya Rosales, el Padre Andrés Tamayo y los demás expatriados y exilados políticos.

El frente llego hoy domingo a un millón 269 mil 142 firmas, antes del día impuesto como fecha límite para la recolección de las firmas, el próximo 15 de septiembre, día en el que se conmemora el 189 aniversario de la independencia de Honduras, del Reino de España.

Los coordinadores del proceso de recolección de firmas el Profesor Eulogio Chávez y el abogado Rasel Tome, informaron al pueblo hondureño que la meta fue sobrepasada en el escrutinio realizado en la sede del Sindicato de Trabajadores de la Industria de la Bebida y Similares STIBYS.

El subcoordinador del Frente Juan Barahona, celebró el haber superado la meta, lo que calificó como “un triunfo de la resistencia a nivel nacional, algo que debe ser celebrado por todos aquellos que buscaron las firmas” en barrios, colonias, aldeas y caseríos en todo el país.

De la misma forma se manifestó uno de los coordinadores del proceso de recolección Rasel Tome, quien afirmó que el haber superado la meta es un reflejo del voluntariado a nivel nacional, en la lucha por una sociedad más justa más equitativa

Es un triunfo que nos aproxima a la Asamblea Nacional Constituyente, dijo Barahona en el programa Resistencia que dirige el periodista Felix Antonio Molina.

Barahona expresó que la superación de la meta es un compromiso con el cambio social en el país, porque la recolección de las firmas se hizo a pesar de la represión y de la campaña en contra de la recolección de firmas por parte de medios de comunicación.

Barahona anuncio que las firmas no van a ser entregadas, ni al ejecutivo, ni al poder legislativo, ni a ningún poder o institución del estado, nosotros con el pueblo vamos a decidir qué hacemos con las firmas para llegar a la constituyente, enfatizó el dirigente.

Tome agregó que cada una de las firmas es un mandato claro, para el retorno seguro de Manuel Zelaya Rosales, por una nueva constitución y los más de 200 exiliados políticos.
El 19 de julio de 2010, el Comité Ejecutivo del FNRP, en su primera reunión de trabajo, determinó que, los 56 delegados de los 18 departamentos del país y de organizaciones sociales, que componen la Coordinación, concentraran sus acciones en la colecta de firmas de declaraciones soberanas para una Constituyente.

El 20 de abril de 2010, a 297 días de resistencia, en medio de una movilización a la salida de la región sur de Honduras, miles de integrantes del FNRP comenzaron a registrar, en plena calle, sus primeras firmas ciudadanas.

¿Qué es la firma de declaración soberana?

Cada ciudadano y cada ciudadana, declara y firma su voluntad para que “nos convoquemos a una Asamblea Nacional Constituyente”, a instalarse con una “mayoría popular” para redactar y aprobar una “nueva constitución” que “garantice” los derechos fundamentales, individuales y colectivos “de manera efectiva”, y democratice de manera

De esta manera el Frente de Resistencia avanza en su proyecto político y para el 15 de septiembre, tiene convocada una movilización a nivel nacional, a la que hoy han confirmado su participación diferentes institutos públicos, quienes rechazaron participar junto al gobierno de "facto" que preside Porfirio Lobo Sosa.

_____________________________________

Hoy Lunes 13 a las 9:00 am y a las 5:00 pm tod@s al auditorio central de la UNAH.

FORO AMPLIO PARA LA DEFENSA DE LA AUTONOMIA UNIVERSITARIA

Estudiantes indepentientes, frentes estudiantiles, docentes, ADUNAH,
trabajadores universitarios, SITRAUNAH, padres de familia, defensores de la Autonomia.


¡Venceremos!

¡Necedad!

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2.
Maestros ratifican que desfilaran con el Frente Nacional de Resistencia

Tegucigalpa 12 de septiembre de 2010. Los diferentes colegios de profesores de Honduras ratificaron su decisión de movilizarse con el Frente Nacional de Resistencia Popular FNRP y no participaran en el desfile que organiza la Secretaria de Educación, con motivo del 15 de septiembre.

Los docentes han expresado hoy su voluntad de participar junto al pueblo en la gran manifestación organizada por el FNRP, con motivo de los 189 años de independencia política del Reino de España.

El presidente del Colegio de Profesores de Educación Media de Honduras COPEMH, ratificó que los maestros no llevaran a los alumnos a desfilar con los militares, en referencia al desfile organizado por el gobierno, si no que al contrario desfilaran con el pueblo, en la movilización organizada por el FNRP.

El FNRP, tiene planificado una movilización para reclamar su derecho a una Asamblea Nacional Constituyente, que garantice la independencia del pueblo de los sectores de poder y de gobiernos extranjeros.

Desde el año pasado el pueblo le ha dado la espalda a los desfiles organizados por el gobierno y ha aprovechado la ocasión para reclamar su derecho a una verdadera independencia y exigir su derecho a la Democracia, burlado con el golpe de Estado.

La negativa es en repudio al golpe de Estado y a los militares hondureños que se prestaron para romper el orden constitucional, que se mantiene roto desde junio de 2009.

El Frente de Resistencia tiene planificado presentar al mundo y a los hondureños en particular la recolección de más de un millón 250 mil firmas, para convocar al pueblo a una Asamblea Constituyente y exigir el retorno del Presidente Manuel Zelaya Rosales, El Padre Andrés Tamayo y todos los expatriados y exiliados políticos.

El ministro de educación Alejandro Ventura, de forma obligada, estaría llamando a los militares y policías a desfilar, para cubrir el vacío que le harán los diferentes institutos públicos, que han anunciado que desfilaran con la Resistencia.

El Instituto Central Vicente Cáceres el más grande del país ya anuncio que para evitar algún conflicto no desfilaran el 15 de septiembre.

Otros como el Instituto Jesús Aguilar Paz, cuyos estudiantes han resistido a los gases lacrimógenos con el Frente de Resistencia, ya están preparados para engalanar la movilización resistente.

El año pasado el FNRP, logró movilizar a millares de hondureños para repudiar el golpe de Estado y la militarización del país.

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3.
El FMI en Honduras: ayudas que matan



El Fondo Monetario Internacional (FMI) se lanza nuevamente a reconquistar el terreno que había perdido en Honduras cuando el gobierno de Manuel Zelaya dejó a un lado al organismo financiero y se acercó a la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA) con la esperanza de mejorar las condiciones de vida de su población que ha vivido durante décadas entre la miseria y la pobreza.

El último compromiso con el FMI venció en marzo de 2007 y Zelaya no lo renovó debido a las políticas de recortes sociales, libre comercio y privatizaciones que esa institución impone a sus deudores.

Tras el golpe de Estado del 28 de junio de 2009 y la imposición del régimen de facto de Roberto Micheletti, que contó con el apoyo de Estados Unidos, la burguesía nacional y los organismos financieros internacionales, el país centroamericano se convirtió en un caos y cayó en un profundo declive económico, el cual ha continuado tras el “triunfo” del mandatario Porfirio Lobo, con solo el 30 % del electorado.

La entrada de Honduras al ALBA a mediados de 2008 puso en tensión a todas las fuerzas de ultraderecha y a las transnacionales como la estadounidense Chiquita, antigua United Fruit, que exporta desde esa nación 8 000 000 de cajas de piña y 22 millones de cajas de plátanos; o a las farmacéuticas que proveen el 80 % de las medicinas que se comercian en el país.

Con el ALBA, Honduras recibió millones de dólares para diferentes proyectos económicos y sociales que fueron puestos en ejecución, así como 20.000 barriles diarios de crudo venezolano que le permitía resolver la grave crisis energética del país.

Los servicios de salud y educación comenzaron a brindarse gratuitamente en muchas dependencias del Estado, mientras se mejoraban los sistemas de acueducto y alcantarillado y la alfabetización se realizaban por toda la nación.

Zelaya, con la mira puesta en el mejoramiento de la población, decretó en enero de 2009 un aumento del salario mínimo de 184 a 289 dólares mensuales. La vida de la población más necesitada comenzaba a cambiar para bien de la mayoría.

Estados Unidos y las transnacionales no podían permitir que en Centroamérica, otro país (antes lo había hecho Nicaragua) se uniera al ALBA en completa contradicción a los Tratados de Libre Comercio con los cuales Washington intenta mantener controlada económica y políticamente a toda la región.

Honduras, con un PIB de 14 000 millones de dólares y unos 8 200 000 habitantes clasifica como el segundo país más pobre de América Latina detrás de Haití, pues Nicaragua pese a tener un PIB menor, en los últimos años ha llevado a cabo políticas socio-económicas que han ayudado a disminuir ese índice entre su población.

Cifras de organizaciones internacionales indican que el 80 % de la población, es decir, 6 500 000 ciudadanos son considerados pobres y se estima que después del golpe, otros 150 000 han pasado a integrar esa categoría.

El Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD), pese a que ofrece cifras ligeramente inferiores, comunicó que la pobreza sigue siendo más aguda en las zonas rurales.

Según la Encuesta de Hogares, la población pobre del país asciende a 71.7 %, de los cuales el 72.2 % se halla en un estado de pobreza extrema, dice el informe.

En las zonas urbanas, agrega, de las 65.8 % que vive en condiciones de pobreza, un 36.7 % vive en pobreza extrema; a nivel rural el 77.7 % de la población se considera pobre, de los cuales 67.9 % está en la condición de pobreza extrema.

La desigualdad ha ido creciendo inconmensurablemente con las políticas neoliberales y de privatizaciones aplicadas pues 15 familias controlan el 80 % de las riquezas, mientras que el 80 % de la población recibe menos del 10 %.

Micheletti y Lobo, con solo 14 meses en el poder, han revertido el 99 % de las leyes en beneficio de la mayoría de la población que tomó el gobierno de Zelaya durante tres años y medio.

Entre las más perjudiciales están la congelación de la Ley del Salario Mínimo, fragmentación de las jornadas laborales, derogación de los acuerdos con el ALBA, restitución de privilegios a las compañías transnacionales en todos los sectores, impulso de las privatizaciones, entre éstas la estatal Hondutel en la cual Micheletti era consejero.

El jefe del oficialista Centro Asesor para el Desarrollo de los Recursos Humanos (CADERH), Leonel Bendeck, admitió que desde junio de 2009 (fecha del golpe), se han perdido 230 000 empleos, pero se lo achacó a la inseguridad en el país y a la crisis económica.

El único sector que ha mantenido los puestos laborales es el de las maquilas donde según denuncias de los sindicatos y de Organizaciones No Gubernamentales, la explotación de los obreros alcanza grados extremos.

La tensa situación que se vive en el país continúa aumentando y en los últimos meses sectores estudiantiles y obreros han protagonizado numerosas huelgas para exigir la disminución en el costo de los estudios, así como demandas de un nuevo salario mínimo, estabilidad laboral y cese de las privatizaciones.

No importa que la mayoritaria población este imposibilitada de acceder a la educación, a la salud, a beneficios por maternidad o jubilaciones, lo importante parece ser que el FMI regrese por sus anchas a Honduras donde nuevamente impartirá órdenes para que no aumente la inflación y se congelen los gastos en la seguridad social.

La ministra de la presidencia María Antonieta de Bográn informó que el país firmará en los próximos meses un acuerdo Stand By con el FMI.

De esa forma se elevará el Producto Interno Bruto y Tegucigalpa podrá entonces restituir el capital recibido del organismo junto con los altos impuestos agregados.

Como dice el viejo refrán: Ayudas que matan.



4.
El legado de Allende: construir Izquierda

Punto Final


Hace cuarenta años, el 4 de septiembre de 1970, Salvador Allende ganó las elecciones presidenciales, aunque debió esperar ser ratificado por el Congreso Pleno. El triunfo de Allende se constituyó en un hito histórico y en una lección política que no deben olvidarse. La incansable lucha por forjar una identidad de Izquierda orientada hacia el socialismo, por fin había dado frutos. Nunca una elección presidencial en Chile alcanzó tanto dramatismo. Los ciudadanos estaban conscientes de que el país se jugaba cuestiones trascendentales que determinarían su futuro. El enfrentamiento básico era entre la Izquierda y la derecha, representadas por el senador Salvador Allende Gossens y por el ex presidente y empresario Jorge Alessandri Rodríguez. Había un tercer candidato, Radomiro Tomic Romero, de la Democracia Cristiana, con un programa que planteaba el “socialismo comunitario”, lo cual lo acercaba a las posiciones de Izquierda.

La acorralada derecha buscaba fórmulas desesperadas para defender sus intereses. No descartaba nada. A fines de 1969, un alzamiento en el regimiento Tacna, encabezado por el general Roberto Viaux, tuvo al gobierno de Frei Montalva al borde del precipicio. Grupos ultraderechistas levantaban cabeza. En el plano político, la derecha postulaba la “Nueva República”, que esbozaba elementos neoliberales y un firme autoritarismo para cerrar el paso a la Izquierda. Por su parte, la Unidad Popular, alianza amplia en torno a socialistas y comunistas, integraba al Partido Radical y a sectores cristianos desgajados de la DC que formaron el partido Mapu, y a laicos y progresistas que se definían de Izquierda. La candidatura de Salvador Allende emergía con posibilidades de triunfo. La Izquierda venía ganando terreno y un sólido movimiento sindical, organizado en torno a la Central Unica de Trabajadores, se extendía al campo a través de sindicatos agrícolas movilizados y de gran convocatoria. El movimiento estudiantil, mayoritariamente de izquierda, era potente y de alcance nacional. El movimiento de los sin casa campeaba en las principales ciudades. Existía así una amplia base social para el movimiento político que planteaba un programa centrado en la nacionalización de las riquezas básicas, en la profundización de la reforma agraria y en la constitución de un área social de la economía, conformada por la banca, los principales monopolios y empresas estratégicas. Se proponía asimismo una nueva Constitución y una institucionalidad acorde con las transformaciones que se impulsarían, una ampliación de la democracia y la real vigencia de los derechos y libertades individuales y colectivos. Era, en síntesis, lo que se conoció como la “vía pacífica al socialismo”, un proyecto inédito en la historia de la Humanidad.

Internacionalmente eran los tiempos de la Guerra Fría; la Unión Soviética y el socialismo aparecían compitiendo exitosamente con el imperialismo. En América Latina -a partir de 1959 con la Revolución Cubana- había avances populares que Estados Unidos miraba con preocupación. No quería “una nueva Cuba” en su patio trasero. Con ese pretexto había invadido República Dominicana para derrocar al gobierno democrático de Juan Bosch y en 1964, respaldó el golpe militar en Brasil que derrocó al presidente Joao Goulart. Sin embargo, no cesaba el avance de los pueblos. En Bolivia, luego de la muerte del comandante Ernesto Che Guevara en una operación dirigida por norteamericanos, se producían avances democráticos con el gobierno del general Juan José Torres (1970-71), mientras en Argentina el peronismo impulsaba el retorno de su líder, y en Perú el general Juan Velasco Alvarado se empeñaba en reformas antiimperialistas e integradoras de la población indígena. En Uruguay la situación, asimismo, era inquietante para la oligarquía. Para Estados Unidos, Chile era una pieza clave en su ajedrez de dominación regional. Ya en las elecciones de 1964 había apoyado sin tapujos la candidatura de Eduardo Frei Montalva y su “revolución en libertad”. Enormes flujos de dólares financiaron una impresionante campaña de terror contra Salvador Allende y la izquierda. El presidente Kennedy -que impulsaba la Alianza para el Progreso- imaginaba que la Democracia Cristiana en Chile podía levantarse como alternativa a la Revolución Cubana. La trayectoria de Salvador Allende como parlamentario y líder popular era impecable. Había sido ministro de Salud del gobierno del Frente Popular (1938-41) y como senador un invariable demócrata, antiimperialista y partidario del entendimiento socialista-comunista, de la unidad de la clase obrera y de los más amplios sectores sociales explotados por el capitalismo. Valiente defensor de la Revolución Cubana, memorables habían sido sus luchas contra la Ley de Defensa Permanente de la Democracia, paradigma del anticomunismo, y su constante denuncia de los manejos del imperialismo y del despojo que cometían las empresas norteamericanas Anaconda y Kennecott con el cobre chileno. Allende era un líder respetado y querido por el pueblo, que sabía que no sería traicionado por él. En muchos aspectos era un educador y un organizador notable, de ejemplar perseverancia en la lucha por la unidad de la izquierda.

En el país, la sociedad se convulsionaba. Surgían los “cristianos por el socialismo”, los estudiantes de la Universidad Católica se tomaban la casa central para imponer profundas reformas y denunciaban las mentiras de El Mercurio; se produjo la toma de la Catedral de Santiago por sacerdotes, religiosas y laicos que pedían mayor compromiso de la Iglesia con el pueblo. El país esperaba grandes cambios en el marco de un nuevo período histórico cuajado de promesas de justicia e igualdad. La campaña electoral fue muy dura. La derecha se lanzó a fondo, reeditando -corregida y aumentada- la campaña de terror de 1964. Intensificó su presión hacia las fuerzas armadas, en las cuales buena parte de la oficialidad había pasado por las escuelas de formación antisubversiva del Pentágono. El financiamiento de la CIA volvió a afluir a través de la ITT, que controlaba el monopolio telefónico. Con todo, las elecciones fueron tranquilas y, sobre todo, estrechas. Allende obtuvo algo más de un millón de votos, ganando por 40.000 mil preferencias a Alessandri, y obteniendo 36,3% del total de sufragios. Tomic obtuvo 27,84%, con más de ochocientos mil sufragios. Como buena parte de su votación era antiderechista, estaba claro que la izquierda contaba con un apoyo muy superior a la derecha.

Los resultados se conocieron en la tarde del 4 de septiembre y de inmediato Tomic reconoció el triunfo de Allende. Esa misma noche, luego de momentos de tensión -cuando tanques del ejército fueron desplegados en la Alameda- hubo una enorme manifestación frente a la Federación de Estudiantes de Chile. Decenas de miles de personas llegaron desde las poblaciones periféricas para celebrar el triunfo. Parecía que nunca el pueblo se había sentido tan alegre y esperanzado. El discurso de Allende fue emotivo y profundo. Recordó las luchas populares, los esfuerzos cotidianos del pueblo para subsistir y luchar, y asumió su triunfo como una continuidad con el Frente Popular, y antes, con el gobierno del presidente José Manuel Balmaceda -empujado a la muerte por la oligarquía- y con la lucha incansable de Luis Emilio Recabarren, organizador de la clase obrera chilena. Los sesenta días siguientes, hasta el momento en que el nuevo presidente debía asumir el mando, fueron conmocionantes. La derecha entró en pánico. Agustín Edwards, dueño de El Mercurio, voló a Estados Unidos para pedir al gobierno norteamericano que interviniera en Chile a fin de impedir que Allende llegara a La Moneda. En Washington encontró oídos receptivos en el presidente Richard Nixon y su gobierno. Se inició así una ola de actos terroristas por parte de grupos de ultraderecha (ver páginas 4 y 5 de esta edición), que recibían aliento, dinero e instrucción terrorista desde el exterior.

El 3 de noviembre de 1970, sin embargo, derrotando las maniobras y actos criminales como el asesinato del general René Schneider, comandante en jefe del ejército, Salvador Allende asumió el mando. Comenzó así el gobierno más progresista, liberador y popular de la historia de Chile. En medio de la férrea oposición y conspiración de la derecha junto con el gobierno de Estados Unidos, Allende consiguió logros notables como la nacionalización del cobre, la profundización de la reforma agraria, las políticas de salud, educación y vivienda, y avances gigantescos en el plano cultural. Se desataron las fuerzas creadoras del pueblo al influjo de un programa socialista y democrático. Los pobres de la ciudad y del campo alcanzaron el protagonismo y participación que durante decenios se les había negado. En el ámbito internacional, Chile logró un reconocimiento mundial que valorizó el intento de avanzar al socialismo en libertad. Pero este noble propósito se vio frustrado por la conspiración interna y externa, sin negar los errores de la propia Unidad Popular, que culminaron con el golpe militar del 11 de septiembre de 1973. El presidente Salvador Allende, fiel a su juramento, prefirió morir en La Moneda a traicionar la confianza del pueblo.

Hoy -como en los años que precedieron al triunfo de Allende- sigue vigente alcanzar el requisito que gestó la victoria de 1970. Aludimos a la unidad del conjunto de la izquierda, hoy atomizada. Es el paso indispensable para construir su propia identidad ideológica y programática y, desde allí, avanzar a acuerdos políticos y sociales más amplios. En América Latina hoy se abren paso tendencias revolucionarias que con sus diferentes particularidades están haciendo el camino que se intentó en Chile. De alguna manera los procesos de Venezuela, Bolivia y Ecuador reivindican la vía pacífica al socialismo, que proclamara con resuelta convicción democrática el presidente mártir Salvador Allende. Se reinician tiempos de revolución que en las condiciones contemporáneas hacen volver la mirada a la senda que abriera con su sacrificio el presidente Allende.

(Editorial de “Punto Final”, edición Nº 717, septiembre, 2010)

Fuente: www.puntofinal.cl www.pf-memoriahistorica.org



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5.
Marchan en Argentina por libertad de antiterroristas cubanos

Centenares de personas marcharon hoy hasta la embajada de Estados Unidos en Buenos Aires para exigir al presidente Barack Obama la inmediata liberación de cinco antiterroristas cubanos encarcelados en aquella nación desde 1998.

Representantes de la Regional Metropolitana del Movimiento Argentino de Solidaridad con Cuba (MASCUBA), de organizaciones políticas y sociales, y del Comité Argentino por la Libertad de Los Cinco participaron en la demostración, efectuada a horas de cumplirse 12 años del injusto encierro.

Junto a los nuestros, muchos puños se levantarán hoy en todo el mundo para reclamar que cese la injusticia contra Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino y Fernando González, subrayó una proclama leída en el acto.

El texto esclarece que Los Cinco fueron detenidos cuando cumplían como única misión averiguar los planes de grupos terroristas anticubanos que operan libremente en Miami, Florida, para alertar a la isla sobre estas funestas pretensiones.

La justicia y el gobierno estadounidense conocen perfectamente esta verdad, pero lejos de reevaluar el caso avalan el accionar de verdaderos terroristas internacionales dentro de su territorio, agrega.

En otra de sus partes, la proclama insta al jefe de la Casa Blanca a utilizar sus atribuciones constitucionales para retirar los falsos cargos levantados contra Gerardo, Antonio, René, Ramón y Fernando, y ordenar su inmediata liberación.

A la marcha de esta tarde asistieron también invitados de Bolivia, Chile, Uruguay, Paraguay y Brasil llegados aquí para asistir mañana a la Primera Reunión Internacional Regional del Cono Sur en respaldo a Los Cinco.

Como parte de las actividades a propósito de cumplirse 12 años del injusto encarcelamiento de los patriotas cubanos, anoche se presentó aquí el libro Los héroes prohibidos: la historia no contada de Los Cinco.

La obra recoge una serie de artículos escritos por el presidente del parlamento cubano, Ricardo Alarcón, que reúne así “una historia de heroísmo del siglo XXI”, señaló la prologuista Stella Calloni, quien elogió la elocuencia, sabiduría y prosa impecable del autor.

El libro de Ricardo nos llega hoy “como un arma de paz para una lucha que nos necesita a todos”, enfatizó Calloni.

(Con información de Prensa Latina)

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Este es un grupo de correos de amigos de la Organizacion Politica Los Necios. Creemos en el debate, en el ejercicio de opinar y difundir pensamiento revolucionario, sentimiento humano. Tambien para hacer acopio de ideas, observaciones, criticas y pensamientos que contribuyan con la construccion de una nueva sociedad hondureña y centro americana, que a la vez nuestra luz crezca y se comparta con el mundo.

¡Venceremos!

¡Necedad!

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