terça-feira, 13 de julho de 2010

CASO POLANSKI: OS EUA BLEFAVAM E A SUÍÇA PAGOU PRA VER

Polanski foi acusado por fanáticos religiosos dos
EUA de promover o satanismo em "O Bebê de
Rosemary", quando nada mais fez do que
levar às telas o thriller de Ira Levin...


Teve desfecho exemplar o caso da perseguição rancorosa e descabida que a Justiça dos EUA moveu contra o cineasta franco-polonês Roman Polanski, pedindo sua extradição ao governo suíço por conta de um caso dúbio ocorrido em 1977.
A ministra da Justiça helvética, Eveline Widmer-Schlumpf, comunicou nesta 2a. feira (12) ter decidido rejeitar o pedido, liberando Polanski da prisão domiciliar que cumpria em seu chalé, na estação de esqui de Gstaad.

O principal motivo da recusa foi a falta de provas conclusivas sobre o processo estadunidense.

A defesa de Polanski alegou ter o juiz encarregado do caso nos EUA declarado que o tribunal já se dava por satisfeito com as imposições acatadas pelo cineasta, mas tal informação (e outras) não constou do dossiê enviado à Suíça.

As autoridades helvéticas solicitaram formalmente à Justiça dos EUA que lhes encaminhasse as atas de tal sessão, não sendo atendidas.

"Nestas condições, não podemos excluir com total certeza que Roman Polanski já tenha purgado sua pena e que, portanto, a reivindicação de extradição sofre de um vício grave", afirmou a ministra Schlumpf.

Ficou totalmente confirmado o que eu noticiei no início de maio: EUA mentem para obter extradição de Polanski.

MORALISMO DE JECAS

Polanski foi acusado de, numa festa de notáveis de Hollywood, haver mantido relações sexuais com uma modelo de 13 anos.

O termo estupro andou sendo utilizado levianamente pela imprensa brasileira, já que, em nosso País, subentende coação. Os estadunidenses, com seu moralismo de jecas, o aplicam até a sexo consentido, desde que praticado por adulto com menor. Faltou explicar esta diferença

Polanski admitiu ter transado com a modelo, mas ressalvou que a relação foi consentida e que ela não era virgem.

Em meus artigos, concedi o benefício da dúvida a Polanski, por vários motivos:
  • pais zelosos jamais deixariam sua filha participar de uma festinha desse tipo, então o caso pareceu-me uma variante da arapuca que uma vigarista armou para extorquir dinheiro do boxeador Mike Tyson (sendo ridiculamente apoiada pela Justiça dos EUA...);
  • Polanski estava na mira dos segmentos mais conservadores e fanatizados da sociedade estadunidense desde 1968, quando dirigiu O Bebê de Rosemary, então poderia ter havido parcialidade na condução do seu caso;
  • a suposta vítima acabou retirando, quando adulta, a queixa que seus país apresentaram contra Polanski;
  • como jornalista, conheço muito bem a compulsão por holofotes de alguns burocratas que exercem atividades tediosas e medíocres, então tive absoluta certeza de que, fosse Polanski um cidadão comum, não estaria sendo perseguido de forma tão encarniçada tanto tempo depois; e
  • sempre considerei a prescrição de crimes um componente fundamental da civilização, então avaliei como uma desumanidade a detenção de Polanski aos 76 anos de idade, quando sua periculosidade para a sociedade era nenhuma e sua contribuição, das mais relevantes.
O certo é que Polanski permaneceu encarcerado entre 26 de setembro e 4 de dezembro, quando obteve o benefício da prisão domiciliar, em que permaneceu até hoje.

Para nada.

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