segunda-feira, 29 de março de 2010

FRED VARGAS/CARLOS LUNGARZO PROVAM FRAUDE NO JULGAMENTO DE BATTISTI

Agora, não resta nenhuma dúvida: o escritor italiano Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua num julgamento irregular, pois não estava sendo defendido por advogados que houvesse constituído para tanto, inexistindo qualquer evidência de que, foragido no exterior, ele tivesse ciência de que o julgavam.

Quem o representou, na verdade, incorreu em crimes como os de fraude e falsidade ideológica, motivados pelo empenho em favorecer outros réus, cujos interesses eram conflitantes com os de Battisti.


Isto foi totalmente provado por uma investigação independente conduzida pela escritora Fred Vargas, que agora é disponibilizada para os brasileiros por Carlos Lungarzo, professor aposentado da Unicamp e membro há três décadas da Anistia Internacional.

Acrescento que o conteúdo desse dossiê é de extrema gravidade: comprova irrefutavelmente o direito que Cesare Battisti tem de ser julgado novamente na Itália, já que sua condenação se deu à revelia.

Esse direito está sendo escamoteado pela Justiça italiana que, ao ignorar a denúncia consistente que lhe foi apresentada, cedeu à razão de Estado, acumpliciando-se com uma fraude.

Também o relator do Caso Battisti no Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, descumpriu clamorosamente seu dever de servir à causa da Justiça e não apenas ao de uma parte, a mais poderosa: foi alertado de que o escritor sofreu gravíssima violação dos seus direitos e preferiu o caminho fácil da omissão.

Finalmente, dou testemunho pessoal de minhas tentativas de encontrar espaço para esta denúncia na grande imprensa brasileira, sem que houvesse um grande jornal, uma grande revista nem uma grande rede de TV com disposição de fazer jornalismo, publicando o que é notícia de importância decisiva num caso extremamente polêmico.

Segue o texto em que Carlos Lungarzo apresenta esse trabalho, dando as coordenadas para quem quiser conhecer o dossiê no seu todo. (Celso Lungaretti)

CASO BATTISTI, FINALMENTE: PROVA DA
FALSIFICAÇÃO DAS PROCURAÇÕES


A descoberta inicial - Em 2005, a historiadora, arqueóloga e romancista francesa FRED VARGAS, auxiliada por uma perita do Tribunal de Apelações de Paris (Evelyne Marganne) e por dois advogados franceses (Turcon & Camus), descobriu um fato fundamental: as procurações utilizadas pelos advogados italianos de Battisti, no processo de 1982 até 1990, no qual foi condenado a prisão perpétua, FORAM FALSIFICADAS.

A perita mostrou que três procurações (de maio de 1982, de julho de 1982, e de 1990) foram assinadas no mesmo momento. A doutora Vargas deduziu, então, que essas assinaturas tinham sido feitas por Battisti em folhas em branco quando fugiu da Itália. Isso é uma prática muito frequente entre perseguidos, inclusive na América Latina, pois permite que amigos e familiares usem essas folhas vazias para dar procuração a pessoas da sua confiança.

Fred Vargas percebeu também que as duas procurações separadas por dois meses (maio-julho 82) eram idênticas, e coincidiam por transparência como dois xerox coincidem com o original (salvo algumas palavras trocadas). Nenhuma pessoa jamais teve uma coordenação motriz tão perfeita como para reproduzir sua própria escrita, de maneira exata, meses depois. Segundo meu amigo Lars Brejde, professor de geometria diferencial em Oslo (que gentilmente me auxiliou por e-mail e por MSN), a probabilidade de que isso aconteça é quase zero.

OBSERVAÇÃO - Se você escreve uma linha de texto de (+ ou -) 40 caracteres, e dois dias após repete a mesma linha em outro papel, a probabilidade de que ambas coincidam é muito baixa.

Digamos que seja de uma vez em 100 (de fato, é muito menor, mas não quero parecer tendencioso). Então, a probabilidade de que coincidam duas linhas é de uma vez em 10 mil. (De fato, é um pouco menos, porque devem coincidir de maneira conjunta.) A probabilidade de que coincidam três é uma em 1 milhão (1003). Portanto, a probabilidade de que coincidam seis é de 1 vez em 1 bi. Então, a probabilidade de que coincidam as duas procurações em todos os caracteres deve ser, menos de 1 vez em 100 bi.

Portanto, a única explicação é que alguém usou uma antiga procuração verdadeira de Battisti (que ele tinha dado aos advogados em 1979), e a calcou sobre duas folhas em branco. O objetivo disto era fingir que Battisti tinha dado procuração aos advogados. Então, ele não poderia aduzir que foi julgado sem direito à legítima defesa.

(Obviamente, o julgamento teve muitas outras irregularidades, mas neste momento só nos interessa falar nisto.)

A senhora Vargas mostrou sua descoberta aos advogados defensores brasileiros, e a vários políticos e juristas que se interessaram muito e entenderam que era realmente um caso de fraude. Os advogados e o senador Suplicy denunciaram o fato publicamente. Além disso, Fred Vargas pediu ao relator do processo, Peluso, que pedisse à Itália o envio dos originais para fazer uma nova perícia no Brasil. Ele recusou.

Um fato interessante é que um amigo meu, que também tomou conhecimento da descoberta, fez xerox de tudo e conseguiu, por via de contatos familiares, ser recebido por MICHELE VALENSISE, embaixador da Itália no Brasil entre 2004 e 2009. Ele esperava que o embaixador, a quem não conhecia, se incomodasse quando lhe mostrasse os documentos, mas não foi assim. Segundo ele, o diplomático ficou pálido e sussurrou: “Eu não sabia nada. Não tive nada a ver”. Alguns meses depois desta visita, Michele foi deslocado para a Alemanha.

A minha parte - Os documentos possuídos pela doutora Vargas eram suficientes para entender o que tinha acontecido, especialmente utilizando as explicações dela. Entretanto, eu vi algumas dificuldades. O leitor médio, mesmo comprometido e solidário, nem sempre possui tempo e paciência para se mergulhar em mais de 20 documentos fotocopiados, às vezes escuros. Não é estimulante ordenar textos, olhá-los com cuidado, transcrevê-los, cortá-los, uni-los, compará-los e finalmente tirar conclusões.

Por causa dessas dificuldades, decidi fazer uma apresentação PASSO A PASSO (com 55 slides) que permitisse acompanhar todo o processo, como se fosse um catálogo para usar um aspirador ou uma receita para fazer sopa. A apresentação contém todas as xerox necessárias e os comentários. Além disso, há uma pequena animação que mostra a falsificação. Adicionalmente, o TEXTO EXPLICATIVO (de 19 páginas) que acompanha tira todas as dúvidas, junto com outro texto de Fred Vargas. No site podem analisar os 22 documentos originais, claramente expostos.

Em novembro de 2009, eu pedi à doutora Vargas as cópias dos documentos, que ela me entregou com enorme generosidade e comentários muito esclarecedores. Decidi então estudar com detalhe o problema durante dois meses. O truque do decalque era óbvio, e podia ser percebido a olho nu por qualquer pessoa, se for advertida do fato. Mas era necessário colocar tudo isso numa forma que todos pudessem acompanhar facilmente, e não deixasse nenhuma dúvida.

Portanto, auxiliado por várias pessoas, fiz uma reprodução detalhada do processo de falsificação utilizando as cópias legítimas fornecidas por Fred Vargas, tomadas dos documentos que a Itália tinha entregado a França para a extradição de Battisti. Produzi com isso uma apresentação em PowerPoint, onde se mostra de maneira indubitável a coincidência entre duas das procurações.

Uma parece xerox da outra. Ou seja, jamais poderiam ter sido escritas a mão livre. Minha apresentação inclui também exemplos históricos e EXPERIMENTOS QUE SE PROPÕEM AO LEITOR, para que ele os realize e perceba que é IMPOSSÍVEL que dois textos coincidam dessa maneira se não tivessem sido CALCADOS.

Acompanho o PowerPoint com um documento de 19 páginas onde explico o processo passo a passo. Não estou enviando cópia a todas as redes, como faço com a maioria de meus artigos, porque o tamanho dos arquivos poderia obstruir os computadores menos velozes. Mas fico totalmente ao dispor de quem se interessar para maiores esclarecimentos. Todos poderão encontrar estas provas em vários sites e blogs que cito no final desta nota.

Assumo toda a responsabilidade civil e criminal, ante qualquer suspeita de que meus dados possam estar errados, ou de que estou fazendo uma denúncia temerária.

Onde encontrar - Em meu site O Caso de Cesare Battisti (http://sites.google.com/site/lungarbattisti/) se encontra:
  1. a apresentação animada com a descrição do processo de falsificação;
  2. o texto explicativo de 19 páginas, colocado como documento PDF no ANEXO (1) (rodapé).
  3. A coleção de 22 fotocópias que compõem o material da perícia, contendo documentos públicos e escritos privados de Battisti, para propósito de comparação;
  4. outro texto explicativo, este de Fred Vargas (Anexo 2º)
Recentemente, Nádia Gal Stabile, a quem muito agradeço, construiu um blogue de excelente qualidade (http://ocasodecesarebattisti.blogspot.com/), com o mesmo nome, para que eu pudesse armazenar também aí estes documentos. Aí a visibilidade é perfeita.

Observação - Tenho absoluta confiança na correção de minhas provas. Entretanto, apreciarei muito a opinião de quaisquer outras pessoas e instituições. Especialmente, gostaria conhecer o parecer de pessoas que trabalhem em pesquisa grafológica, geometria da escrita e áreas similares. Também apreciaria a opinião de membros da PF e do MPF. Gostaria de saber se num julgamento feito no Brasil, estes documentos teriam sido aceitos.

Peço a todos os que considerem valiosa a causa da justiça, especialmente aos possuidores de blogues, sites e outros veículos, divulgar o máximo possível nossa informação.

Atenciosamente,

Carlos A. Lungarzo

domingo, 28 de março de 2010

46 VELINHAS VERMELHAS... DE SANGUE

Ao completarem-se 46 anos da quebra da normalidade institucional no Brasil, mergulhando o País nas trevas e barbárie durante duas décadas, é oportuno evocarmos o que realmente foi essa nada branda ditadura de 1964/85, defendida hoje com tamanha desfaçatez pelos jornalões, seus editorialistas e articulistas.

Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do totalitarismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a se destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.

Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.

A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.

sábado, 27 de março de 2010

GILMAR MENDES E "FOLHA DE S. PAULO": FEITOS UM PARA A OUTRA

O diabo às vezes é mostrado como um grande trapaceiro, noutras como um cavalheiro que honra seus pactos religiosamente (com o perdão da palavra...), tanto que a eloquência de um Daniel Webster é suficiente para salvar o pecador das chamas do inferno, ao qual se condenara quando trocou sua alma imortal por privilégios terrenos.

Inclino-me pela segunda hipótese: o que há de pior na burguesia brasileira, corporificado na Folha de s. Paulo, concede a Gilmar Mendes, à guisa de bota-fora, a exaltação mais inverossímil, descabida e absurda. Não se vexa de nos pespegar uma aberrante mentira, como pagamento pela alma do seu fiel servidor.

Parafraseando outro clássico, este da literatura infantil, podemos dizer que a Folha insiste em apresentar como suntuosa e magnífica uma toga inexistente: o magistrado está nu.

E, de todos os juízes desta Nação em todos os tempos, Gilmar Mendes foi aquele que teve a nudez mais percebida pelos cidadãos comuns -- aqueles sujeitos na esquina aos quais ele se referiu com aristocrático desprezo em certa ocasião, caracterizando-os como imbecis cuja opinião não deve ser levada em conta pelos doutos togados.

Platão pensava diferente, saudando o espírito de justiça de que até os sujeitos na esquina são imbuídos. E Jesus Cristo considerava bem-aventurados os humildes, aos quais está reservado o reino dos Céus.

O biênio de Gilmar Mendes como presidente do Supremo Tribunal Federal foi marcado pela completa submissão da Justiça aos interesses dos poderosos, deixando em cacos a credibilidade da mais alta corte do País.

"Ao transferir o cargo para Cezar Peluso, no final de abril, Gilmar Mendes ficará não apenas como um dos mais polêmicos mas também como um dos mais ativos presidentes da história do Supremo Tribunal Federal", sentencia a Folha em editorial (Gilmar Mendes).

Omite que tal atividade só foi mesmo frenética quando se tratava de expedir habeas corpus instantâneos para o corruptor-símbolo do País e de ceder à chantagem explícita estadunidense, despachando um menino a toque de caixa para alívio dos exportadores e desonra dos demais brasileiros, reduzidos a poltrões que pulam quando o cowboy dá tiros no chão.

Eis as marcas indeléveis da gestão de Mendes:
  • a criminalização dos movimentos sociais, em declarações visivelmente orquestradas com as campanhas reacionárias da imprensa golpista;
  • o alinhamento com as falácias das viúvas da ditadura, ao qualificar de "terrorista" quem resistiu à tirania, respondendo a uma frase da ministra Dilma Rousseff sobre torturadores com uma insinuação tão injuriosa quanto descabida;
  • a evidente disposição de erigir o Supremo numa alternativa de poder, contrapondo-o em tudo e por tudo ao Executivo;
  • a abusiva manutenção de Cesare Battisti como único preso político do Brasil redemocratizado por três anos já, ao arrepio da Lei do Refúgio e da jurisprudência firmada ao longo dos tempos (e desconsiderada pelo STF num julgamento kafkiano);
  • os atentados contra a profissão de jornalista, não só contribuindo decisivamente para sua desregulamentação ao relatar no STF o processo sobre os diplomas específicos, como a alvejando com outra de suas comparações estapafúrdias (a equiparação a cozinheiros), sempre trombeteadas pela mídia.
Last but not least, Gilmar Mendes será lembrado como o presidente do STF que levou um definitivo calaboca de outro ministro em plena sessão, sem que lhe ocorresse uma mísera justificativa para sua notória compulsão por holofotes.

De resto, voltando ao patético editorial, o diabo deveria ser mais comedido suas loas, para não cair no ridículo involuntário, como neste parágrafo:
"Num país marcado pela impunidade, pode soar impróprio - e é certamente impopular - defender suspeitos da sanha persecutória de setores do Estado. Mas é tarefa da Justiça fazê-lo, e Mendes cumpriu com desassombro sua função".
Só quem for capaz de acreditar em Daniel Dantas como mero "suspeito" a ser defendido da "sanha persecutória de setores do Estado" levará a sério o panegírico da Folha. É gente que crê até em ditabranda...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ditadura Nunca Mais ! Union del Pueblos Já!

miércoles 24 de marzo de 2010
MANUEL FLORES NUNCA MORIRA. LIBERDADE PARA NUESTRA GENTE!
Que hoje , dia 24 de março seja a ultima morte sem luta em NUESTRA AMERICA.
Abaixo o Imperialismo, abaixo a Ditadura!

LIBERDADE PARA NUESTRA GENTE!
Union Del Pueblos Já!
Por la unidad y la victoria todos y todas estamos juntos

aos movimentos integrados



Para suscribirse: envíe un mensaje a uniondelospueblos- subscribe@ yahoogroups. com







miércoles 24 de marzo de 2010
MANUEL FLORES NUNCA MORIRA. LIBERDADE PARA NUESTRA GENTE!
Que hoje , dia 24 de março seja a ultima morte sem luta em NUESTRA AMERICA.
Abaixo o Imperialismo, abaixo a Ditadura!

LIBERDADE PARA NUESTRA GENTE!
Union Del Pueblos Já!


PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES - HONDURAS
¡ASESINAN AL COMPAÑERO MANUEL FLORES!
El día martes 23 de marzo, fue cobardemente asesinado el compañero MANUEL FLORES reconocido dirigente magisterial y miembro del Partido Socialista Centroamericano (PSOCA), mientras laboraba en el Instituto San José de Pedregal, por sicarios al servicio de las fuerzas fascistas hondureñas.

El PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES (PST), expresa su total repudio y condena de este nuevo y cobarde asesinato político, que es continuación de los asesinatos llevados a cabo con la táctica de la “guerra sucia” de los 80 y el “sicariato” colombiano, lanzado por las fuerzas reaccionarias y fascistas que dieron el golpe de estado el 28 de junio en contra del pueblo hondureño.

Amparados en la impunidad que desde el poder garantiza el gobierno de Pepe Lobo, los sicarios recorren libremente las calles de Honduras asesinando selectivamente a los luchadores de la Resistencia y de la izquierda hondureña. Esta es la verdadera cara de la llamada “amnistía” y del llamado “gobierno de reconciliación nacional”, que pretende engañar y adormecer al pueblo con sus cantos de sirena.

Hoy el asesinado es el compañero MANUEL FLORES, reconocido dirigente magisterial del Colegio de Profesores de Educación Media (COPEMH), ex miembro del PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES, ex candidato a Diputado Suplente por Francisco Morazán en las Elecciones Nacionales del 2005 en las planillas del Partido Unificación Democrática, y actualmente miembro del Partido Socialista Centroamericano.

Ante este nuevo crimen de la canalla fascista, el PST hace un fraterno pero firme llamado al FRENTE NACIONAL DE RESISTENCIA POPULAR, A LOS COLEGIOS MAGISTERIALES, A LAS CENTRALES OBRERAS Y ORGANIZACIONES DE IZQUIERDA para iniciar de manera inmediata un proceso de MOVILIZACIÓN NACIONAL para EXIGIR Y OBLIGAR AL REGIMEN A PARAR LOS ASESINATOS, exigiendo a las autoridades nacionales la inmediata y completa investigación de este crimen mediante la conformación de una COMISIÓN CON PLENOS PODERES en la que estén incorporados el CODEH, COFADEH, el Frente de Abogados contra el golpe y demás organismos independientes de Derechos Humanos hasta lograr el ENCARCELAMIENTO y CASTIGO de los AUTORES MATERIALES, INTELECTUALES Y POLITICOS del asesinato del compañero MANUEL FLORES y demás mártires de la RESISTENCIA.

A las organizaciones obreras y de izquierda de Centroamérica y el mundo a movilizarse en solidaridad con la resistencia hondureña exigiendo el no reconocimiento del gobierno represivo de Pepe Lobo mientras no se castigue a todos los culpables materiales, intelectuales y políticos de los crímenes contra el pueblo hondureño.

Finalmente el PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES (PST), ante el cobarde asesinato del compañero MANUEL FLORES, expresa sus condolencias y compromiso de lucha a la familia, esposa, hijos y compañeros del PARTIDO SOCIALISTA CENTROAMERICANO.

¡ANTE CADA ASESINATO PARO NACIONAL INMEDIATO!
¡CARCEL PARA LOS RESPONSABLES DEL CRIMEN!

¡COMPAÑERO MANUEL FLORES, CAMARADA SEBASTIAN, HASTA EL SOCIALISMO SIEMPRE!

Honduras, 23 de marzo del 2010

PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES
(Honduras, C.A.)

"Los trabajadores no tienen nada que perder, salvo sus cadenas. Tienen en cambio un mundo por ganar" Carlos Marx
às 12:27 0 comentários
martes 23 de marzo de 2010
sobre a necessidade de uma Midia social:
Hermanos,

Cada dia mais, vemos crescer a criminalização de nosso povo e de nossa luta.

Aparelhos midiaticos que servem ao império mentem, manipulam, criminalizam.
POR EXEMPLO: A DROGA , o TRAFICO DE DROGAs , hoje é o maior "negocio" do império, usado para alienar e aculturar nossa sociedade e nos tornar cada dia mais refem da opressoa imperialista dos que roubam nossas riquezas e escravisao nuestros hermanos.

Para essa mídia, serviçal dos interesses de EEUU, apesar dos documentos da CIA revelarem ser Uribe o chefe do trafico, ligado a Escobar, As FARCS E O MAST são os que sofrem a criminalização de serem narcotraficantes.

Agora, resgato um artigo veiculado em setembro de 2009, e chamo a um necessario debate:

quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Marqueteiro trabalha para Micheletti, Uribe e FHC e ganhou 290 mil dólares para fazer o GOLPE ser consumado


Por Bill Conroy
The Narco News Bulletin
Traducción: Fernando León
http://arlequinhn.blogspot.com/2009/09/el-gobierno-hondureno-contrata-escritor_30.html

La reciente decisión del gobierno canalla de Honduras de gastar más de un cuarto de millón de dólares para contratar a un firma publirelacionista que difunda su neolengua, está marcada por un toque de ironía que incluso George Orwell apreciaría.

Tal agencia de relaciones públicas —con sede en Washington D.C, Chlopak, Leonard, Schecther y Asociados (CLSA)— tiene entre sus socios fundadores a Peter Schechter, quien también es un escritor de ficción. Su primer libro "Fronteras imposibles", está diseñado a la manera del argumento de un guión de película clasificación B de bajo presupuesto.

He aquí como el Washington Post lo describió en una reseña en 2006:
Los terroristas de Siria, enfrentándose al reto de contrabandear 30 libras de uranio a los Estados Unidos en un momento de máxima seguridad fronteriza, diseñan un diabólico esquema: Se lo pedirán a los capos de droga colombianos que introducen grandes cantidades de contrabando cada día. El autor, hábilmente, desarrolla la trama nuclear mientras los funcionarios de inteligencia de los Estados Unidos lentamente lo esclarecen. Mientras la historia se aproxima a un clímax, todo tipo de cuestiones apremiantes nos inundan: ¿Millones de estadounidenses morirán en una explosión nuclear? Si es así, ¿se arruinará definitivamente el romance entre el Presidente Stockman y la guapa e inteligente mujer de Bogotá

?

Así que dado el aparente don de Schechter para el oficio de la ficción trillada, parece muy apropiado para él y sus socios de CLSA que estén encargados de vender la mala ficción del gobierno golpista hondureño a la comunidad internacional.

Esa ficción, basado en la lectura del Registro de Agentes Extranjeros de CLSA en el Departamento de Justicia, es para

promover la dictadura del presidente y usurpador Roberto Micheletti, como una democracia "a través de la utilización de los medios de comunicación, contactos responsables de las políticas y los eventos, y la difusión pública de información a los funcionarios del gobierno, medios de comunicación y grupos no-gubernamentales", todo ello con el objetivo de avanzar en "el nivel de comunicación, conciencia y atención sobre la situación política en Honduras."



Esa situación política (que por supuesto debe ser encalada por medio de técnicas de ficción que la firma publirelacionista empleará) continua deteriorándose como Al Giordano de Narco News escribió ayer:

En la mañana del 28 de junio, soldados del régimen golpista irrumpieron en las oficinas de Radio Globo y del Canal 36 en Tegucigalpa, para silenciar sus transmisores. Las dos emisoras presentaron órdenes ante la corte para poder volver al aire. Por los últimos tres meses han sido sujeto de órdenes por escrito del régimen de Honduras de suspender sus emisiones (los periodistas, a su vez, se negaron a ser censurados), y de ataques paramilitares que derraman ácido sobre sus transmisores, y aún así, las emisoras y sus periodistas heroicamente han vuelto al aire rápidamente.

Esta mañana, tres meses después, se experimentó un déjà vu. Las mismas tropas militares volvieron a escenificar la batalla del 28 de junio, derribaron las puertas de ambas emisoras, pero esta vez llevándose los transmisores y el equipo. Los soldados han rodeado ambas sedes de las emisoras para evitar que la gente las recupere.

El régimen golpista está aferrado al poder ilegítimamente, amenazado en cada frente por la verdad y la justicia, lo que significa que debe crear una ilusión de sanción democrática, y con ese objetivo, ha firmado un contrato por USD$292,000 con CLSA, llamando a la firma a "diseñar una campaña de persuasión."

ATENÇÃO aos Outros Clientes e campanhas:

Schechter, el jefe ilusionista de CLSA, sabe como vender la ficción política, ya lo ha hecho en el pasado. Como parte del trabajo de consultoría electoral ha trabajado para el ex presidente mexicano Ernesto Zedillo, para el presidente colombiano Álvaro Uribe y para el ex presidente brasileño Fernando Henrique Cardoso —este último es un contacto útil dado que el presidente electo democráticamente, Manuel Zelaya, está refugiado en la embajada brasileña de Tegucigalpa, Honduras.


A principios del verano la Clase Golpista, ahora en control en Honduras, mantuvo como cabilderos para que elogiaran al régimen a un consumado cómplice de Bill y Hilary Clinton, Lanny Davis, así como también al diplomático de la era de Bush y figura del escándalo Irán-Contras, Roger Noriega —ambos partidarios incondicionales del libre comercio. Asimismo, Schechter está en el tren neoliberal y sostiene sin reparos en una entrada de blog que el acuerdo de libre comercio con Colombia “debe pasar”, debido a que la “policía, los políticos y los periodistas de ese país, son los primeros en ser asesinados en la batalla para limpiar los narcóticos de las calles de los Estados Unidos.” Nuevamente recuerde que este hombre es el maestro de las películas de ficción clasificación B.

Schecter parece tener también poco respeto por el Presidente Obama, quien ya ha considerado el golpe de Estado en Honduras como “ilegal”. Schechter escribió para la publicación El Espectador un artículo el 8 de noviembre de 2008, donde dice:

La campaña de Obama se enfocó fuertemente en la retórica, pero no así en la sustancia.

Esa línea le debería de abrir muchas puertas a Schechter dentro de la administración de Obama y asegurarle a Micheletti —cuyo canciller previamente había insultado a Obama con un insulto racial— que la inversioń de USD$292,000 en el trabajo publirelacionista de CLSA vale la pena.

Schechter, no obstante, sí ha “conectado” algún tipo de apoyo que lo respalda en ese contrato en caso de que la actual administración no reconozca su presencia.

De acuerdo a los documentos presentados al Departamento de Justicia, los otros socios que asisten a Schechter en las relaciones públicas de los golpistas, incluyen a Sharon Castillo y Juan Cortiñas-García.

* Castillo nombra entre sus anteriores clientes al ex presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada —que dimitió de su cargo a raíz de la “guerra del gas” de octubre de 2003, en la que las fuerzas de seguridad del gobierno asesinaron a unas 70 personas e hirieron a otras mil.

* Castillo, antigua productora y reportera de Univision, trabajó como directora de medios de comunicación especializados y portavoz de la campaña Bush-Cheney en 2004.

* Cortiñas-García, además de su nuevo trabajo para la Junta de Gobierno de Honduras, también está aportando su experiencia publirelacionista a un grupo de compañias estadounidenses y latinoamericanas que tienen participación en el gasoducto Camisea en Perú. Y parece que ese proyecto lo puede mantener ocupado.

De Amazonwatch.org:

En los primeros 18 meses después de que entró en funcionamiento en agosto de 2004, el gasoducto Camisea, que se extiende desde el Amazonas, por los Andes y hasta la costa del Pacífico, se ha roto cuatro veces, con al menos tres derrames graves.

Este terrible historial es muy inusual para una tubería de este tipo, y se dan a pesar de las aseveraciones continuas del consorcio y del Banco Interamericano de Desarrollo de que esos problemas no ocurrirían.

De acuerdo al informe independiente de febrero de 2006 de la consultoría en ingeniería sin fines de lucro, E-Tech International, el gasoducto fue construido con soldadores no calificados y no capacitados, usando tuberías corroídas, y evitando así onerosos gastos por finalización tardía que hubieran sumado USD$90 millones.

El Proyecto Camisea es propiedad de dos consorcios de pequeñas empresas con un pobre historial de medio ambiente, encabezado por Hunt Oil —una compañia de estrechos vínculos con la administración Bush, con sede en Dallas. El presidente ejecutivo, Ray L. Hunt, contribuyó a la campaña presidencial de Bush y también es miembro del consejo de administración de Halliburton, empresa antes dirigida por el ex vicepresidente Dich Cheney.

Por cierto, Hunt Oil, aparece en la del sitio de Internet de CLSA como “cliente.”

Teniendo en cuenta todos estos personajes y la intriga, tal vez Schechter se inspire en escribir una novela futura con el tema de Latinoamérica en ella.
O LIVRO FICTICIO sobre o "DITADOR da AL"
Sinopsis de la trama: Un asediado, y megalómano dictador de América Central teme que su control sobre el poder se le escape mientras el pueblo se levanta. Así que, el y los oligarcas, apuntalan su régimen pagando miles de dólares a un grupo de cabilderos y publirelacionistas en un esfuerzo por “constuir una campaña de persuasión”, dirigida a conservar el poder.

Pero entonces, ¿podrá ser todavía considerada como ficción?

Permanezcan en sintonía.


0 Reply to "El Gobierno hondureño contrata a escritor de ficción por 290 mil dólares para apuntalar al régimen.


A proposta pro debate é :
Uma outra mídia é preciso. A NOSSA MIDIA. A Mídia da Union del Pueblo de Nuestra America.

às 11:49 0 comentários
Union De Pueblos
Hermanos,
Dois artigos se completam e atestam :
a UNION DEL POVOS DE NUESTRA AMERICA É PRECISO,

Por la unidad y la victoria todos y todas estamos juntos



Un rotundo mentís a las especulaciones y la campaña mediática desinformadora sobre Venezuela:

Chávez: «Internet debe ser una trinchera de lucha contra el capitalismo»
Chávez, durante su intervención semanal en TV / REUTERS

EP | CARACAS
Actualizado Lunes , 22-03-10 a las 14 : 01

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, ha negado que su Gobierno esté planeando restringir el uso de internet, si bien reconoció que se penalizará a aquellas páginas web que difundan información que pueda contribuir a sembrar el pánico entre la población.

«Está corriendo una noticia falsa, porque es falsa, de que vamos a limitar Internet, que la vamos a controlar. Es falso. Nosotros tenemos una estrategia central y no es otra que transferir poder al pueblo y el primer poder es el conocimiento» , ha asegurado en su programa televisivo semanal.
«Aquí Internet es ley. Es ley desde el año 2000. Dicen que Chávez va a eliminar internet; no, aquí hay un decreto que declaró el uso de Internet asunto de interés nacional. Es casi que obligatorio (garantizar su libre uso)», sotuvo el mandatario venezolano.

Chávez, sin embargo, afirmó que se castigará de acuerdo a las leyes vigentes a los responsables de las páginas de Internet que difundan información que cree alarma social, y puso como ejemplo el caso de hace dos semanas, cuando desde el foro de usuarios de un medio digital crítico con su Gobierno se anunció la muerte de Diosdado Cabello, ministro de Obras Públicas y Vivienda.

En ese momento se dispararon las especulaciones de que el Ejecutivo venezolano restringiría el acceso a Internet de ciertas páginas críticas, imitando los Gobiernos de países aliados como Cuba o Irán. Sin embargo, tanto Chávez como otros miembros del Gobierno se apresuraron a negar este extremo, si bien recalcaron la necesidad de que los medios fueran responsables en la difusión de sus informaciones y se ajustaran a la ley.

«Trinchera de lucha»El presidente de Venezuela afirmó que la Red ha de ser una «trinchera de lucha» contra «los valores del capitalismo» que por ella circulan, y alertó contra el uso indebido de Internet, a través de la cual, afirmó, «se han dado hasta golpes de Estado».

Durante la emisión de su programa dominical Chávez inauguró un centro de Internet en Caracas, e hizo un llamamiento al público allí presente para que incrementen su uso de la Red. «Ahora ustedes son soldados en una trinchera. Y no puede haber venezolano que no se incorpore al programa de alfabetizació n tecnológica, que ya ha alfabetizado a más de 600.000 personas en estos años», afirmó.

El mandatario dio estadísticas de cómo su Gobierno ha incrementado el uso de Internet en el país. Señaló que en Venezuela el número de internautas en 2000 era de 273.537, mientras que en 2009 esta cifra ascendió a 1.585.497, lo que representa un crecimiento de más del 600 por ciento. «Esto nadie lo dice, pero en cambio, corre por el mundo la noticia de que vamos a acabar con Internet, que vamos a restringir el servicio», denunció Chávez.

http://www.abc. es/20100322/ medios-redes- web/chavez- internet- debe-trinchera- 201003221359. html
--
Lic. Rosa Cristina Báez Valdés "La Polilla Cubana"
------------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- ----
a UNION DEL POVOS DE NUESTRA AMERICA É PRECISO,

Por la unidad y la victoria todos y todas estamos juntos
Para suscribirse: envíe un mensaje a uniondelospueblos- subscribe@ yahoogroups. com
----http://uniondep ueblosdeamerical atinaecaribe. blogspot. com/----- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- -----

MANUEL FLORES NUNCA MORIRA

MANUEL FLORES NUNCA MORIRA

Ayer 24 de marzo, sicarios al servicio de la burguesía golpista hicieron que dejara de latir el corazón de MANUEL FLORES; un buen hombre, lúcido, transparente, amplio y consecuente.

Manuel fue un luchador social incansable; dirigente gremial probado e insobornable, orgullo del magisterio; también fue un resistente inclaudicable desde el primer día del golpe y un incansable en las caminatas y en las trincheras, donde lo encontrábamos quienes aprendimos a admirarlo.

También fue un camarada de izquierda serio, crítico, honesto y firme en sus convicciones, cualidades que le ganaron el aprecio de sus compañeros (as). Militaba en el Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) y antes lo hizo en el Partido Socialista de los Trabajadores (PST), identificándose con el trotskismo al cual entregó prácticamente su vida.

En la intencionalidad de los golpistas, su muerte tiene un claro mensaje de intimidación, no sólo contra el magisterio, en una época en la que la burguesía se apresta a destruir su más importante conquista histórica, el Estatuto del Docente, sino también para la izquierda socialista, en un momento de importantes definiciones históricas sobre el rumbo que debe tomar el país.

Sin embargo, calculan mal: Podrán parar su corazón pero no pueden impedir que su pasión por la Revolución nos contagie. Podrán apagar la llama de su mente, pero no pueden impedir que su luz continúe irradiándonos a través de sus artículos y sus libros.

Lejos de amedrentar el espíritu de lucha del Pueblo en Resistencia, crímenes perpetrados contra hombres de la altura de Manuel Flores, solo echan más leña al fuego de la indignación y el coraje del magisterio, de la Resistencia y de los revolucionarios. Lo muestra el hecho de que los docentes de educación media respondieron a este crimen con un paro de labores.

Por eso, me sumo a aquellos compañeros(as) que proponen seguir el ejemplo de los docentes: Combatir la represión con Movilización. Por cada muerto debe haber un paro de labores, una movilización o protesta exigiendo el castigo de los asesinos materiales e intelectuales. Solo así cada compañero o compañera caída(o) sera un motivo más de lucha, obteniendo los golpistas el efecto contrario al que buscan.

¡Hasta en eso Manuel Flores nos inspira!


De ahí que sea justo decir que Manuel es de los Muertos que Nunca Mueren.

COMPAÑERO MANUEL FLORES: HASTA EL SOCIALISMO SIEMPRE!

TOMAS ANDINO MENCIA

--------------------------------------------------------------------------------
PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES - HONDURAS
¡ASESINAN AL COMPAÑERO MANUEL FLORES!
El día martes 23 de marzo, fue cobardemente asesinado el compañero MANUEL FLORES reconocido dirigente magisterial y miembro del Partido Socialista Centroamericano (PSOCA), mientras laboraba en el Instituto San José de Pedregal, por sicarios al servicio de las fuerzas fascistas hondureñas.


El PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES (PST), expresa su total repudio y condena de este nuevo y cobarde asesinato político, que es continuación de los asesinatos llevados a cabo con la táctica de la “guerra sucia” de los 80 y el “sicariato” colombiano, lanzado por las fuerzas reaccionarias y fascistas que dieron el golpe de estado el 28 de junio en contra del pueblo hondureño.


Amparados en la impunidad que desde el poder garantiza el gobierno de Pepe Lobo, los sicarios recorren libremente las calles de Honduras asesinando selectivamente a los luchadores de la Resistencia y de la izquierda hondureña. Esta es la verdadera cara de la llamada “amnistía” y del llamado “gobierno de reconciliación nacional”, que pretende engañar y adormecer al pueblo con sus cantos de sirena.


Hoy el asesinado es el compañero MANUEL FLORES, reconocido dirigente magisterial del Colegio de Profesores de Educación Media (COPEMH), ex miembro del PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES, ex candidato a Diputado Suplente por Francisco Morazán en las Elecciones Nacionales del 2005 en las planillas del Partido Unificación Democrática, y actualmente miembro del Partido Socialista Centroamericano.


Ante este nuevo crimen de la canalla fascista, el PST hace un fraterno pero firme llamado al FRENTE NACIONAL DE RESISTENCIA POPULAR, A LOS COLEGIOS MAGISTERIALES, A LAS CENTRALES OBRERAS Y ORGANIZACIONES DE IZQUIERDA para iniciar de manera inmediata un proceso de MOVILIZACIÓN NACIONAL para EXIGIR Y OBLIGAR AL REGIMEN A PARAR LOS ASESINATOS, exigiendo a las autoridades nacionales la inmediata y completa investigación de este crimen mediante la conformación de una COMISIÓN CON PLENOS PODERES en la que estén incorporados el CODEH, COFADEH, el Frente de Abogados contra el golpe y demás organismos independientes de Derechos Humanos hasta lograr el ENCARCELAMIENTO y CASTIGO de los AUTORES MATERIALES, INTELECTUALES Y POLITICOS del asesinato del compañero MANUEL FLORES y demás mártires de la RESISTENCIA.


A las organizaciones obreras y de izquierda de Centroamérica y el mundo a movilizarse en solidaridad con la resistencia hondureña exigiendo el no reconocimiento del gobierno represivo de Pepe Lobo mientras no se castigue a todos los culpables materiales, intelectuales y políticos de los crímenes contra el pueblo hondureño.


Finalmente el PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES (PST), ante el cobarde asesinato del compañero MANUEL FLORES, expresa sus condolencias y compromiso de lucha a la familia, esposa, hijos y compañeros del PARTIDO SOCIALISTA CENTROAMERICANO.


¡ANTE CADA ASESINATO PARO NACIONAL INMEDIATO!
¡CARCEL PARA LOS RESPONSABLES DEL CRIMEN!


¡COMPAÑERO MANUEL FLORES, CAMARADA SEBASTIAN, HASTA EL SOCIALISMO SIEMPRE!


Honduras, 23 de marzo del 2010


PARTIDO SOCIALISTA DE LOS TRABAJADORES
(Honduras, C.A.)


"Los trabajadores no tienen nada que perder, salvo sus cadenas. Tienen en cambio un mundo por ganar" Carlos Marx

TORTURA, ATÉ QUANDO MAIS?

Graças a uma indicação do bom amigo e correspondente José Caldas da Costa, autor de Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura, tomei conhecimento detalhado de um dos muitos casos escabrosos das prisões do Espírito Santo, este ocorrido no município de Viana.

O jornal capixaba em que Caldas colabora tem nome engraçado, Século Diário. Faz lembrar o Planeta Diário, no qual o Super-Homem finge ser apenas o tímido repórter Clark Kent.

Mas, foi alentador constatar que, longe dos grandes centros, continua se praticando o jornalismo de verdade que, aqui, no más.

Primeiro, o Século Diário fez longa e dramática reconstituição (Masmorras escondem histórias de morte, dor e suplício), em sua edição do último fim de semana, de um episódio de julho de 2009: Lucas Costa de Jesus, de 19 anos, detido por bancar seu vício em drogas traficando pequenas quantidades de maconha, foi alvejado pela tropa de choque que invadiu seu pavilhão na chamada penitenciária de Cascuvi. A bala de borracha o deixou com o lado esquerdo do corpo paralisado, preso a uma cadeira de rodas.

As recordações da casa dos mortos que o repórter José Rabelo colheu de Lucas são bem mais estarrecedoras do que as de Fiodor Dostoievski. Como esta, sobre o assassinato de um preso por outros:
"Lucas conta que durante o curto período em que esteve em Cascuvi, presenciou a cena bárbara de um detento sendo esquartejado. 'Eles chegam bem de surpresa. Enquanto uns cobrem cabeça do preso com um lençol, os outros já vão enfiando os chuchos (...) no peito e na barriga. Na sequencia, eles começam a cortar as partes do corpo. Puseram o coração ainda quente na minha mão e eu tive que segurar. Dava pra ver aquelas coisa amarela saindo. Acho que era gordura'".
E eis o episódio que o privou de uma existência normal:
"Lucas (...) não se lembra de quase nada que aconteceu na noite daquela sinistra segunda-feira (13/07/2009). 'Estava me preparando pra dormir. Já estava até deitado na parte de cima do beliche. Era mais de dez horas da noite quando escutamos os passos dos policiais do BME [Batalhão de Missões Especiais] subindo as escadas correndo. Eles começaram a bater no chapão. Depois entraram com tudo, batendo na gente com cassetetes, dando tiros de 12 e jogando gás. Quando acordei, já estava no hospital. Não me lembro de mais nada. Só sei que estou vivo hoje porque (...) um preso me pegou no colo e implorou socorro para mim".
Depois de passar quase um mês em coma, Lucas voltou a Cascuvi e acabou sendo libertado pela Justiça em função da lastimável condição física a que fora reduzido (tendo até de usar fraldas geriátricas) e da inexistência de cuidados médicos adequados naquela penitenciária.

Apesar da inacreditável omissão do Estado, que não fornece recursos para sua reabilitação (a família é paupérrima e não tem como custear tomografias, fisioterapia, etc.), ele já começa a andar com muletas.

VISITANTES: REVISTAS ÍNTIMAS DE
MENINOS DURAM QUASE MEIA HORA

Mas, o pior de tudo é que não se trata de caso isolado naquele pretenso centro de reeducação (duplipensar orwelliano?), mas sim da ponta de um iceberg, conforme se constata na reportagem seguinte do Século Diário, Pedro Valls exige que caso de baleado na Cascuvi seja investigado ‘até o fim’.

Aí ficamos sabendo que, em agosto/2009, o então desembargador Pedro Valls Feu Rosa, pediu providências das autoridades competentes para apuração imediata de crimes de execuções e torturas e lesões corporais contra Lucas e outros 12 detentos, assinalando:
“...todos os laudos de exame de lesões corporais destes 13 reeducandos foram emitidos em um mesmo dia! Em todos eles o médico legista (...) foi claro: ‘Houve ofensa à integridade física ou à saúde do paciente, e esta ocorreu em decorrência de ação contundente’. (...) Chamou-me a atenção, na sinistra lista que li, o relato alusivo ao (...) 'Lucas Costa de Jesus. Vítima de tortura, espancamento e lesões corporais (...) por parte de policiais dentro do presídio’.(...) Noventa dias foi o tempo que o Estado levou para massacrá-lo, torturá-lo, transformá-lo em paraplégico e depois colocá-lo em liberdade (...) preso a uma cadeira de rodas”.
E o quadro geral que o desembargador apresentou de Cascuvi, novamente, consegue superar o que Dostoievski e nosso Graciliano Ramos narraram, só ficando atrás mesmo dos horrores relatados por Alexander Soljenitsin:
Ocupação das celas. “São inúmeras as denúncias sobre a venda das mesmas. O preso que não tem como pagar passa de presídio em presídio e fica geralmente nas celas mais superlotadas e sujas. Para ter direito a cama ou (...) rede (...) tem que pagar. No IRS a galeria (...) destinada a presos que trabalham (...) custa muito dinheiro. Temos informação que chega a custar até R$ 15 mil uma vaga nessa galeria.”

Saúde. “60% dos detentos estão infectados com doenças infectocontagiosas somente porque faltam condições mínimas de higiene, tais como banheiro decente, água filtrada e sabão.”

Alimentação. “A comida que é servida aos presos é horrível, além de custar em média 12 a 14 reais e vem sempre estragada, fria e entregue fora do horário comum das refeições.”

Visitas. “Fila para entrar. Mesmo chegando às 5 horas da manhã não se consegue entrar no horário, pois as mulheres dos chefes do crime chegam tarde e entram na frente da fila, pois os seus lugares são garantidos pelos próprios policiais.”

Revista íntima dos familiares. “Há ocasiões onde várias mulheres ficam nuas durante horas aguardando as agentes concluírem a revista. Os locais das revistas são imundos, cheios de fungos. As revistas são coletivas, o que constrange ainda mais. As portas são abertas sem nenhum cuidado, com as mulheres ainda nuas. É comum as mães, mulheres e irmãs ouvirem comentários maldosos e olhares indiscretos dos agentes e policiais. Porém o pior acontece com as crianças e principalmente com os meninos. Ficam nus sozinhos e tem seus órgãos genitais revistados por policiais militares. Temos relato de que às vezes uma revista em uma criança chega a durar quase meia hora. (...) Em outras vezes as meninas são revistadas junto com as mães tendo que assistir todo o procedimento vexatório que a sua mãe é submetida e sendo obrigada a olhar e depois essa mesma criança fica completamente nua diante das agentes. (...) No dia de visita a maior parte dos familiares sai chorando e constrangido da sala da revista íntima.”

Crime de tortura. “Destes temos as provas de uns cem e temos também um CD com fotos de todos esses casos."
Lucas confirma as torturas:
“Eu apanhava ou era torturado sem saber qual era o motivo. Os policiais ou agentes chegavam de repente, mandavam a gente tirar toda a roupa e levavam a gente pro pátio, que já estava todo molhado. Isso tudo debaixo de pancada. Depois eles mandavam a gente sentar no chão molhado e começavam a dar choque. Eles riam muito da nossa cara”.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA PUBLICOU INFORME SOBRE A SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NOS ESTADOS UNIDOS

A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA PUBLICOU INFORME SOBRE A SITUAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NOS ESTADOS UNIDOS

13 de março de 2010

A República Popular da China publicou o informe sobre a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos na qual afirmou que “ o mundo sofre um sério desastre devido a crise financeira produzida por grandes bancos e assinala que a liberdade de imprensa está subordinada ao que chamam de interesses nacionais dos Estados Unidos”, destacando também que Washington monopoliza 10 dos 12 servidores centrais de Internet existentes no mundo e que pretende impulsionar sua hegemonia com o argumento de defender a liberdade na rede.

O documento intitulado Registro de los derechos humanos de Estados Unidos en 2009 aborda temas como a segurança pessoal e da propriedade , os direitos civis, políticos, econômicos, sociais, as garantiras para as mulheres, e crianças, assim como as violações dos direitos básicos nos Estados Unidos e outros paises.

O texto difundido nessa ultima sexta feira, pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado da Republica Popular da China, foi em resposta ao elaborado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que na véspera deu a conhecer a sua avaliação anual sobre os direitos humanos no mundo em 2009.

O texto foi elaborado com base em artigos colocados na mídia estadunidense e em informes de organismos governamentais. De maneira similar ao documento anual estadunidense, o texto chinês separa por capítulos os temas, com títulos como “Pisoteando a soberania de outros paises e seus direitos humanos” e Espiando aos cidadãos.

O documento acusa que o informe anual estadunidense é um instrumento político que interfere nos assuntos internos de outros paises, difama a imagem de outras nações e persegue os interesses estratégicos de Washington. “Como nos anos anteriores, o informe está cheio de acusações sobre a situação dos direitos humanos em mais de 190 países e regiões, incluída a China, não dizendo nada sobre os abusos contra as garantias básicas em seu território, nem sobre os excessos que comete com seu poder militar, indica o texto chinês”.

“No tempo que o mundo sofre um sério desastre em direitos humanos causado pela crise financeira global induzida pelos Estados Unidos, o governo segue omisso a seus problemas de direitos humanos e só acusa os outros paises como sendo responsáveis. É realmente uma lástima que isso aconteça”, enfatiza o informe.

Destaca que nos Estados Unidos não é permitida a plena liberdade de mídia e expressão, ao tempo em que são realizados amplamente casos de escuta telefônicas, controle e monitoria da Internet – tudo desencadeado depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, assim como é explicita a iniciativa do Congresso de impor sanções ás cadeias árabes de televisão por satélite.

Durante a jornada, nenhum meio informativo dos Estados Unidos havia dado a conhecer o informe chinês. Nem os canais da CNN em inglês ou os informe em espanhol da Radio Nacional Pública, ou os sítios na Internet de diários como o New York Times ou o The Washington Post, todos completamente omissos sobre o relatório.

Ao referir-se sobre a situação dos crimes com violência nos Estados Unidos, o documento assegura que essa situação significa uma ameaça para as vidas, propriedades e segurança das pessoas e suas famílias. Recorda que em 2008 os estadunidenses enfrentaram 4,9 milhões de crimes violentos, 16,3 milhões de propriedades foram roubadas e ocorreram 137 mil assaltos a mão armada. Ao citar o Escritório Federal de Investigação (FBI), o informe indica que houve 14.180 assassinatos em 2008.

Assim mesmo destaca que as escolas se converteram na pior área de violência, devido as freqüentes agressões armadas em universidades e centros de educação básica e média. Também dão conta do abuso de poder de autoridades ao assegurar que nos últimos dois anos os policiais de Nova Iorque acusados por uso de força cresceram em 50% em relação ao ano anterior.

O documento sustém que na maioria das cidades estadunidenses a policia detém, interroga e amedronta a mais de um milhão de pessoas. As prisões estadunidenses estão super-povoadas e em 2008 a número de réus se elevou significativamente. Menciona que o governo da Califórnia pretendia fazer regressar aos seus paises de origem a milhares de não documentados que se encontram detidos nas prisões do Estado, com o propósito de reduzir o excesso de população. De igual forma, cita os casos de abusos referidos pela mídia estadunidense e Nações Unidas e que ocorreram no Afeganistão, Iraque e na base naval dos Estados Unidos em Guantânamo em Cuba.

O extenso relatório explica que em sua qualidade de maior vendedor de armas do mundo, os acordos militares desse país têm gerado instabilidade por todo o planeta, enquanto incrementa seu próprio orçamento militar e encabeça a lista global sobre a matéria.

Recorda que em princípios de 2010 o governo dos Estados Unidos anunciou a venda de armas a Taiwan por 6,4 bilhões de dólares, apesar do enérgico protesto de Beijin já que afeta seriamente o interesse de segurança da China e provoca indignação de seu povo.

Enfatiza também que o Pentágono construiu as bases militares em todo o mundo, o qual se associa com casos de violações dos direitos humanos aos habitantes locais. Destaca que os Estados Unidos contam com 900 dessas instalações que acolhem mais de 190 mil soldados e outros 115 mil empregados, Essas bases danificam e contaminam o meio ambiente.

Ao referir-se ás tecnologias de comunicação, ressaltam que os Estados Unidos negaram as petições de outras nações, assim como de organizações internacionais, incluída as Nações Unidas, de romper seu monopólio sobre os servidores e descentralizar seu poder de gerenciamento sobre a Internet, pois controla 10 dos 12 servidores centrais da rede. Também tem intervindo em assuntos internos de outros paises fazendo uso do controle que tem sobre os recursos da rede e tem a seu serviço uma equipe especial de hackers, enfatiza. o relatório chinês.

Tradução do original em espanhol realizada por Jacob David Blinder

Lea el texto completo de Informe de violaciones de los Derechos Humanos en Estados Unidos en el 2009 (en Inglés)
(Tomado del diario La Jornada)


--------------------------------------------------------------------------------

URL del artículo : http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/03/13/china-publica-informe-sobre-la-situacion-de-derechos-humanos-en-eeuu-documento/

Enviado por Jacob Blinder

quinta-feira, 18 de março de 2010

LAMARCA É DIFAMADO NO YOUTUBE

Mitos e Lendas Sobre Carlos Lamarca é o título de uma montagem extremamente injuriosa e difamatória, que foi vista quase 22 mil vezes, desde que a postaram há dois anos no YouTube. Tem oito minutos de duração. O link é http://www.youtube.com/watch?v=ja_Q3Ngnldc

Conscientes de que cometiam um delito, os autores não assumiram a "obra". É estarrecedor que se possa, anonimamente, assacar calúnias tão graves contra um morto. A internet continua uma terra sem lei, infestada de fichas falsas e versões falaciosas. Até quando?

Mas, quem a postou foi tolo a ponto de acrescentar, na sinopse introdutória, uma recomendação que equivale a uma assinatura: "Conheça mais sobre sua trajetória em www.ternuma.com.br".

Está repleta de sórdidas mentiras, como a de que Lamarca enviou sua família a Cuba, não para colocá-la a salvo da sanha dos militares torturadores quando se tornasse conhecida sua adesão aos movimentos de resistência, mas em razão da relação amorosa que já estaria mantendo com Iara Iavelberg.

Esta foi, na verdade, iniciada meio ano depois, quando ele já militava na clandestinidade, sendo um dos líderes revolucionários mais perseguidos pela ditadura.

A infamia dos fascistas virtuais é não só desmascarada pelos relatos dos sobreviventes, como se choca com a própria sistemática da luta armada: tal envolvimento representaria, em 1968, um altíssimo risco de segurança, sendo ele um militar na ativa e ela uma resistente cuja identidade a repressão já conhecia.

Vale acrescentar que manter vida dupla conflitava tanto com a moral revolucionária quanto com o espírito militar, que marcava muito a personalidade de Lamarca.

Ele, inclusive, hesitou durante três meses antes de ceder à atração que surgira entre ambos, o que só veio a acontecer em meados de 1969. E, no final do ano, quando participamos juntos da equipe precursora da instalação de uma escola de guerrilhas em Registro (SP), ainda sentia-se culpado e pesaroso, chegando a chorar quando recebia cartas da família.

Outra invencionice ignóbil é a de que ele teria castrado o tenente Alberto Mendes Jr. e o forçado a engolir os órgãos genitais. Esta patranha fazia parte da propaganda enganosa que os serviços de guerra psicológica das Forças Armadas disseminavam na época, sem comprovação de espécie alguma. Puro Goebbels: martelar tanto uma mentira que ela acabasse passando por verdade.

E quem conhece, por pouco que seja, a política do período, morrerá de rir com a afirmação de que Lamarca estava a soldo de Cuba e da União Soviética.

Não só seria a forma mais arriscada do mundo para alguém ganhar dinheiro, como a URSS era inimiga figadal das guerrilhas latino-americanas: os partidos comunistas sob sua orientação boicotaram a luta de Guevara na Bolívia e tudo fizeram para atrapalhar os planos de Lamarca, inclusive denunciando-o como agente da CIA em seu jornal.

Ridículo extremo é insistirem em que Lamarca teria sido morto em combate, quando já não existe dúvida nenhuma, nem de historiadores idôneos nem do Estado brasileiro, quanto ao fato de ele haver sido executado depois de rendido (a exemplo do que aconteceria com a maioria dos guerrilheiros do Araguaia).

Não só o Ministério Público Federal tem obrigação de apurar o crime que está sendo perpetrado contra a verdade histórica e a memória de um herói nacional, como Chico Buarque e Milton Nascimento não podem consentir que uma imundície dessas utilize na trilha musical suas gravações de "Apesar de Você" e "Cálice".

Raul Seixas, por sua vez, deve estar revirando na cova, face a uso tão repulsivo de sua interpretação de "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones".

PRESIDENTE URUGUAIO, EX-TUPAMARO, QUER MILITARES IDOSOS FORA DAS GRADES

Com a autoridade moral de quem ousou pegar em armas contra o arbítrio, o presidente uruguaio José "Pepe" Mujica defendeu nesta 4ª feira (17/03) a libertação ou colocação em prisão domiciliar dos militares com mais de 70 anos que cumprem penas por crimes cometidos durante o período ditatorial de 1973/85.

Mujica, que foi um dos líderes dos guerrilheiros urbanos Tupamaros, passou 14 anos detido e fez parte do chamado grupo dos reféns: seria morto se os remanescentes da guerrilha retomassem as ações armadas.

Além de grandeza pessoal, Mujica mostra também coerência: a compaixão e o humanitarismo impregnavam os projetos de uma sociedade redimida, acalentados por ele e seus bravos companheiros.

Era o sonho de gerarem um homem novo que lhes dava força para travarem luta desigual contra o que havia de pior na sociedade velha.

Mujica vai enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional, dando permissão à justiça para liberar militares septuagenários presos (há dezenas deles), seja em função de sua idade ou por estarem sofrendo problemas de saúde. Justifica:
"Eu não quero presos velhos. Velhos com 75 ou 80 anos. E isso não só para militares, mas para todos os demais presos desta idade".
Um dia antes, almoçando com militares, Mujica lhes disse que as novas gerações de soldados não deveriam carregar o peso das atrocidades cometidas por seus antecessores.

E convocou-os a colaborarem na construção de casas populares. "Nossa luta deve ser contra a pobreza", afirmou.

O ACERTO DAS CONTAS DO PASSADO

Defendo posição semelhante desde que Tarso Genro e Paulo Vannuchi convocaram uma audiência pública para discutir a punição dos torturadores, em julho de 2008, iniciando um tiroteio político-jurídico que perdura até hoje, sem resultados concretos.

Na ocasião, lancei minha proposta para o acerto das contas do passado, sugerindo que, ao invés de tentarmos encarcerar anciãos, empenhássemo-nos em legar para os pósteros um veredicto correto sobre o período, com a adoção das seguintes medidas:
  • o reconhecimento oficial, por parte do Estado brasileiro, de que houve usurpação do poder em 1964, tendo os governos ilegítimos que se sucederam até 1985 cometido crimes generalizados e de extrema gravidade;
  • que, portanto, todos aqueles que ordenaram, autorizaram, cometeram, concorreram para ou foram coniventes com esses crimes, são criminosos aos olhos da História e da Nação brasileira;
  • que, não tendo tais criminosos sido punidos no momento apropriado por omissão do Estado, este, reconhecendo sua incúria e priorizando a pacificação nacional, conceda-lhes anistia de suas responsabilidades criminais;
  • que os cidadãos brasileiros acusados de “subversão” e “terrorismo” com base em inquéritos contaminados pela prática generalizada da tortura e condenados por tribunais militares que aplicavam leis de exceção, passem a ser considerados, para todos os efeitos, inocentes dos crimes que lhes foram imputados, pois exerciam o legítimo direito de resistência à tirania.
Com isto, passariam a existir fundamentos legais para a punição dos que insistem até hoje em enaltecer uma ditadura brutal (a exemplo das penas aplicadas na Europa a quem nega o Holocausto) e dos que utilizam as falácias dos Inquéritos Policiais-Militares do período para denegrir resistentes vivos e mortos.

Minha exortação final foi bem no espírito do posicionamento ora adotado por Mujica. Talvez os que me ignoraram tenham refletido melhor desde então. Talvez o façam agora. Continuarei insistindo, pois é a contribuição mais importante que tenho a oferecer aos companheiros:
"Os melhores seres humanos querem esperanças, não vingança; soluções reais, não catarse; humanidade, não beligerância. A esquerda precisa voltar a ter um ideário positivo, encarnando, para o cidadão comum, a promessa de um futuro melhor; e não revolver exaustivamente o sangue e a lama, concorrendo também para o clima negativo que faz a maioria concluir que é inútil lutar pelo bem comum e mais sensato zelar pelos próprios interesses".

terça-feira, 16 de março de 2010

CRÔNICA DA FALÊNCIA FRAUDULENTA

Menino, nos longínquos anos 50 eu ficava deslumbrado com a imponência do Mappin, a maior e mais vistosa loja de departamentos paulistana.

Erguidos face a face, o Mappin e o Teatro Municipal, tão enormes quanto majestosos, faziam da Praça Ramos de Azevedo o cartão postal de São Paulo.

Seu relógio era uma espécie de Big Ben para os que passavam e para os que esperavam ônibus.

Parecia destinado a durar para sempre. Eu ainda ignorava que tudo que é solido desmancha no ar.

Depois, lá pelos 15 anos, tentei carreira de vendedor. Ia oferecer os carrinhos de chá e mesas de jogo que meu avô fabricava.

Trajando meu primeiro terno, circulei muito, a pé e de ônibus, sem conseguir mais do que 2 ou 3 pedidos. O verdadeiro vendedor já atendia as lojas promissoras.

Inexperiente e sem desenvoltura, eu ainda tinha de tirar leite de pedra. Não conseguia.

Tentei de tudo. Percorri de ponta a ponta a av. Celso Garcia, que tinha forte comércio moveleiro. Em vão.

Fui até a São Bernardo do Campo, sem perceber que lá havia muitas lojas de móveis porque existiam muitas fábricas.

Compadecendo-se da minha falta de jeito, um velho me comprou um carrinho e uma mesa. Vovô detestou ir da Mooca ao ABC para entregar duas míseras peças.

Arrisquei também uma subida ao Olimpo, ou seja, ao Mappin.

Depois de um chá de cadeira de mais de uma hora, o encarregado das compras, do alto de sua magnificência, dignou-se a explicar os fatos da vida: só adquiria itens em grande quantidade, e por preços bem inferiores aos oferecidos a outros comerciantes.

Fabriquetas só recorriam ao Mappin em último caso, quando uma grande encomenda era cancelada e tinham de reduzir o prejuízo.

Aprendi uma boa lição sobre como agiam os tubarões do mercado, aqueles que gostavam de levar vantagem, certo? (parafraseando o bordão do jogador Gerson, nos repulsivos comerciais de TV da década seguinte).

Fundado em 1913, o gigante Mappin desabou em 1999, numa das mais escandalosas falências fraudulentas de que se tem notícia.

Leio agora que o juiz Beethoven Ferreira acaba de nomear um segundo síndico para a massa falida, incumbido de rastrear no exterior os ativos escondidos por Ricardo Mansur, o último proprietário do Mappin.

Os credores não veem a cor do dinheiro, mas Mansur gasta R$ 25 mil por mês só no aluguel da casa que possui no condomínio mais caro de Ribeirão Preto, interior paulista.

Ele e sua mulher são sócios dos dois clubes mais luxuosos da cidade -- cujo requinte desfrutam quando não estão espairecendo em Paris, Nova York ou Miami, hospedados sempre em hotéis cinco estrelas.

E, driblando a lei, o empresário formalmente falido e cheio de dívidas é o verdadeiro dono de negócios como uma usina, uma destilaria e uma faculdade, adquiridos em nome de terceiros mas por ele administrados.

"Como ele pode ter feito tudo isso, se o que ele tinha a gente tomou para pagar parte das dívidas trabalhistas? Isso não pode passar despercebido pelo poder público. É acintoso", diz o juiz Beethoven Ferreira.

Discordo. Trata-se apenas da versão brasileira do capitalismo, pois aqui se conseguiu tornar execrável o que, em si, já é péssimo.

O jingle dos tempos prósperos era "Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora, Mappin, é a liquidação".

Liquidados mesmo foram os funcionários e os fornecedores que não fugiram correndo dessa arapuca.

segunda-feira, 15 de março de 2010

SOLIDARIEDADE PARA COM UM CUBANO E SEIS IRANIANOS

Quando comecei a espalhar meus textos na internet, percebi que nela o recurso à falsidade, à demagogia, à calúnia, à injúria, à difamação e à manipulação partiam de todas as coordenadas do espectro político.

Não havia mais escrúpulos, nem equilíbrio, nem mesmo respeito pela verossimilhança. Valia tudo para satanizar os inimigos e endeusar os amigos.

Então, tomei a decisão de preservar sempre meu compromisso com a verdade, minha independência de análise e meus princípios, até porque nunca me vi como integrante de hordas e rolos compressores. Sou psicologicamente incapaz de cometer injustiças e/ou avalizar mentiras convenientes, seja lá contra quem for e em nome de que causa for.

Ademais, percebi claramente que a falácia de um dia é jogada no dia seguinte na cara de quem com ela compactuou, pois as situações são dinâmicas; daí eu repetir sempre que a rua é de duas mãos.

[Em seu "Samba Chorado", Billy Blanco disse tudo: "O que dá pra rir dá pra chorar/ Questão só de peso e medida/ Problema de hora e lugar/ Mas tudo são coisas da vida"...]

Essa postura muito me valeu nos debates públicos sobre o Caso Battisti. O primeiro ataque dos linchadores era sempre alegando minha suposta incoerência, por estar defendendo o Cesare e não haver feito o mesmo pelos pugilistas cubanos, despachados a toque de caixa para a ilha. Davam como favas contadas que eu teria me omitido ou aprovado os trâmites açodados que o governo adotou.

Eu quebrava as pernas dos reacionários ao informar que, antes mesmo do senador Eduardo Suplicy, havia me posicionado publicamente contra o descumprimento do ritual a ser seguido nesses casos, para proteção dos direitos humanos dos envolvidos, pouco importando sua grandeza ou pequenez (aqueles boxeadores estavam muito longe de merecer admiração como seres humanos!).

Aí entrava, também, minha convicção de que certos princípios, institutos e entidades devem ser defendidos em toda e qualquer circunstância pelos revolucionários, pois podem significar a diferença entre a vida e a morte para os militantes das causas justas:
  • asilo político;
  • habeas corpus (mesmo que quem o conceda seja um vil serviçal dos poderosos e que quem o tente contornar com novo mandado de prisão esteja moralmente certo, pois o precedente da avacalhação do HC poderá ser aproveitado pelos gorilas e vitimar nossos companheiros adiante);
  • greves de fome como a do bispo do São Francisco e a de Orlando Zapata, pois não podemos jamais desacreditar uma forma de luta que, na grande maioria dos casos, é adotada por idealistas (trata-se de uma opção de homens, não de garotinhos);
  • organismos e ONGs que defendem os direitos humanos.
Quanto ao último item, no fundo, o que importa mesmo é se a denúncia em questão procede, não o encaminhamento dado a qualquer outro episódio.

A esquerda autoritária, ao defender governos transgressores dos direitos humanos, frequentemente tenta desqualificar os acusadores, alegando que não mostram o mesmo empenho quando as violações provêm do outro lado.

Isto, no fundo, equivale a uma admissão de culpa. E, sendo revolucionários, não podemos usar os pecados alheios como atenuante para nossos atos. O que Hitler fez, p. ex., nós não podemos fazer. Estamos aqui para libertar a humanidade, não para agrilhoá-la de outra maneira.

* * *

Por último: independentemente de quaisquer outras considerações, temos o compromisso moral de nos alinharmos com o cubano Guillermo Fariñas em sua HERÓICA luta pela liberdade de outros dissidentes.

Quem passa o que ele está passando, não o faz por dinheiro ou motivos indignos. Mercenários não são solidários. Só não vê quem não quer.

E temos também a obrigação de tudo fazermos para que não sejam ASSASSINADOS os seis manifestantes que acabam de ser condenados à morte no Irã como "inimigos de Deus".

Fanáticos religiosos, obscurantistas e ultraconservadores, os mandatários iranianos consideram que o protesto pacífico desses pobres coitados merece pena capital por haver ocorrido no dia em que os muçulmanos relembram o martírio do neto de Maomé.

Pelo mesmíssimo critério, os futuros Pinochets poderão condenar à morte quem fizer passeata na 6ª Feira Santa ou no Natal.

sábado, 13 de março de 2010

CUBA "NÃO É PARADIGMA" PARA O BRASIL EM DH, DIZ GARCIA

O caso mais célebre de dissidente político que morreu em greve de fome: o irlandês Bob Sands, em 1981. Aguentou 66 dias.


Esqueçam o exemplo desastrado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu para ilustrar sua posição de que não se pode libertar todo e qualquer detento que faça greve de fome.

Se ele acrescentasse que cada caso é um caso, a ser abordado de acordo com suas especificidades, ninguém estaria reclamando.
Os bandidos paulistas é que não tinham nada a ver com este assunto. Errou Lula ao misturar alhos com bugalhos.

A posição oficial do Governo Lula foi dada nesta 6ª feira (12) pelo assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, em coletiva à imprensa. Ele esclareceu que:
  • as polêmicas declarações foram "laterais" (ou seja, referem-se a aspectos secundários e não ao âmago da questão) e "não refletem a posição do Brasil e nem do Lula sobre os direitos humanos";
  • "o regime de Cuba não é paradigma para o nosso", em matéria de DH;
  • o Brasil faz defesa "intransigente" dos DH, mas só debate "nos fóruns multilaterais";
  • como os cubanos não dialogam "na base da exigência", criticá-los seria "contraproducente", daí Lula preferir tratar do assunto com "discrição".
Assim, segundo Garcia, o Brasil se dissocia do enfoque cubano dos direitos humanos, pois os DH são defendidos de forma intransigente por nosso país (e, depreende-se, não o são pelo regime dos irmãos Castro).

Mais: Cuba infringe mesmo os DH dos opositores de consciência, mas se manterá intransigente diante de pressões externas para rever suas práticas. Então, Lula acredita que uma atuação discreta seja mais adequada para atingir-se tal objetivo.

Colocada nestes termos, é uma posição defensável e equilibrada, após os excessos cometidos de parte a parte nesta polêmica desfocada: de um lado a grande imprensa, tendenciosamente, conferiu importância demasiada a uma fala distraída de Lula; do outro, os defensores de Cuba satanizaram uma vítima, negando-lhe até a condição de perseguido político, embora ele fosse reconhecido como tal pela Anistia Internacional desde janeiro de 2o04 (vide aqui).

Quanto à decisão de ignorar os apelos dos dissidentes cubanos, porque "o governo brasileiro não é uma ONG" e só se relaciona com outros governos, formalmente é inatacável, mas isto não a impede de ser chocante ao extremo para quem tem nossas tradições humanitárias e compassivas.

Caberia melhor, p. ex., para anglo-saxões, que colocam a lei acima de tudo (às vezes, até do espírito de justiça).

Gente como a dama de ferro Margareth Thatcher.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A NAU DOS INSENSATOS


Num extremo a imprensa burguesa, manipulando grotescamente o seu público ao derivar as mais sinistras implicações da frase infeliz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os dissidentes cubanos, como se ele fosse um circunspecto pensador acadêmico e não um intuitivo que improvisa suas falas, empolga-se com os aplausos e frequentemente cai em ridículo por dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça.

Noutro, uma esquerda obtusa (vide alguns comentários neste site, p. ex.) que pensa servir à causa revolucionária negando aquilo que todos sabem ser verdade -- postura cujo único resultado concreto é fazer-nos perder credibilidade junto a quem ainda consegue separar fatos de propaganda política.

No meio, eu e o Carlos Lungarzo, mantendo a fidelidade à proposta original do marxismo e anarquismo, que nasceram ambos libertários.

É claro que os dois rolos compressores prevalecem sobre nós, em termos de volume de textos espalhados e de pessoas atingidas.

Mas, o importante é oferecermos, aos poucos que chegam a ler nossos artigos, uma alternativa a esses enfoques de tempo de guerra, em que grassa a mentira como terra.

"Cada verso é uma semente/ no deserto do meu tempo", disse o grande Sérgio Ricardo.

Incrivelmente, o deserto ficou mais árido depois de escorraçada a ditadura militar e do próprio fim da guerra fria. Esta última parece ter se transferido para a internet, que virou terreno minado onde só conseguem sobreviver exércitos.

Isenção, equilíbrio e espírito de justiça viraram palavrões e os que ainda os preservam são taxados de agentes inimigos. [Vide meu caso: os direitistas me apontam como lulista atrás de uma boquinha, enquanto os stalinistas garantem estar a serviço da CIA qualquer um que dê ouvidos às entidades defensoras dos direitos humanos, inclusive eu.]

É estressante ir contra a corrente, sendo vítima da incompreensão e, frequentemente, das mais vis calúnias? É.

Mas, ao contrário da música célebre do Chico Buarque, não vejo roda-viva a que não poderei resistir. Já passei pelas piores imagináveis e conservei meus ideais. Enquanto estiver vivo, continuarei denunciando o primarismo político da direita putrefata e da esquerda troglodita.

Um precedente histórico que sempre me vem à lembrança é o da República de Weimar. Os nazistas a atacavam pela direita e os comunistas, temerariamente, o faziam pela esquerda. Alcunhavam os sociais-democratas, seus aliados naturais, de "sociais-fascistas".

Apostaram todas as suas fichas em que, contribuindo para a derrubada do governo democrático, seriam eles a conquistar o poder, vencendo a batalha subsequente contra os nazistas.

Mas perderam, condenando a Alemanha à barbárie hitlerista e os outros povos aos horrores da II Guerra Mundial.

Quem não aprende com as lições da História, tende a cometer novamente os mesmos erros. Quase sempre trágicos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CONY ESTÁ CERTO: FOI UMA PISADA NA BOLA DE LULA

Nem sempre eu encontro o enfoque certo para abordar um assunto que está no noticiário.

Na 4ª feira (10/03), lendo a declaração em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecia comparar dissidentes cubanos com bandidos de São Paulo, percebi que não era bem isso o que ele tinha em mente.

O fato é que Lula, em função da simpatia que nutre pelo regime dos irmãos Castro, assumiu a difícil tarefa de defender uma posição indefensável. E, claro, raciocínios tortuosos acabam levando a escorregadelas ideológicas.

A mim me pareceu que ele quis, simplesmente, dizer que não se podem abrir as portas das prisões para todo e qualquer detento que fizer greve de fome. E não soube expressar esta idéia, recorrendo ao exemplo errado para ilustrar seu pensamento.

Vai daí que, para não somar minha voz à grita ensurdecedora dos reacionários da grande imprensa, mas também para não deixar de manifestar meu inconformismo com a estranha prática de se defender algozes em lugar das vítimas, reproduzi e endossei o artigo com o qual Carlos Lungarzo dignamente rebateu a descaracterização do personagem Orlando Zapata.

Um dia se passou e as lágrimas de crocodilo dos jornalões só fizeram aumentar: editoriais, colunas, artigos, notícias e charges martelam a idéia de que Lula não só é cúmplice das ditaduras de esquerda, como gostaria de implantar uma dessas no Brasil.

O exagero salta aos olhos, assim como é evidente que alguém na posição de Lula não deve conceder, de mão beijada, tais trunfos aos inimigos. Cala-te, boca!

E eu acabei encontrando o enfoque certo para a questão: aquele a que o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony chegou em sua coluna, avaliando a declaração infeliz de Lula como uma pisada de bola.

O Cony tem minha irrestrita admiração até a década de 1960. Mas, quando as perseguições da ditadura militar o conduziram à rua da amargura, não se conformou com a omissão dos amigos e companheiros de ideais, que realmente deixaram de estender-lhe a mão no momento em que mais necessitava.

Tornou-se um homem amargo e até egoísta, como se viu em 2004, quando não só furou a fila da sopa dos pobres (a anistia federal), como usou sua influência para receber um prato bem melhor do que os pobres recebiam.

Lá com seus botões, talvez considere dispensável ser solidário com aqueles que não se solidarizaram às suas agruras. Mas, grandes homens são os que conseguem superar tais mágoas.

A escorregadela -- no caso de Cony, moral -- incide sobre sua biografia, mas não sobre sua capacidade intelectual. Continua sendo um de nossos mais brilhantes homens de texto, como se pode constatar na coluna desta 5ª feira, na qual nem compactua com o deslize de Lula, nem o superdimensiona:
"Que Lula pisou na bola, pisou. Sua declaração a propósito da greve de fome de um dissidente cubano foi infeliz - e, além de infeliz, oportunista e contrária à sua própria biografia.

"Infeliz porque se espera de Lula uma coerência mínima com o seu passado, passado de luta na oposição. Ele próprio chegou a ser um preso político e sabe melhor do que ninguém a diferença entre um deles e o preso comum.

"A greve de fome é antes de mais nada um recurso à propaganda contra um regime ou contra as condições subumanas das prisões. É um recurso válido até mesmo para os presos comuns, e muito mais para os presos políticos.

"O oportunismo de Lula está claro: as suas relações com o regime cubano são estridentes e até louváveis, pois, de certa forma, sem o apelo à violência, a cartilha do petismo não é tão diferente da cartilha castrista, seja ela administrada por Fidel ou por Raul.

"Ele sabe compensar essa predileção pelos governos de esquerda indo visitar amistosamente velhos ditadores de direita, o que lhe dá uma aura de equidistante, de cidadão do mundo.

"Mas condenar a greve de fome de um dissidente de um regime antidemocrático, como o de Cuba, é ir além da imagem que ele procura firmar, de político mais importante do mundo.

"A comparação que ele fez também foi infeliz. Se os presos comuns de São Paulo fizessem greve de fome, não deveriam ser soltos, mas atendidos em suas exigências de tratamento carcerário, que, como sabemos, não é lá essas coisas.

"Em resumo: a declaração de Lula sobre o dissidente cubano mostra que cada vez mais ele se afasta de suas origens pessoais e políticas, tornando-se não um preso comum, mas um político comum".

quarta-feira, 10 de março de 2010

A SATANIZAÇÃO DOS DISSIDENTES CUBANOS

"A liberdade é, sempre e fundamentalmente, a liberdade de quem discorda de nós." (Rosa Luxemburgo)

Cuba tem carradas de razão ao protestar contra o embargo comercial estadunidense, que asfixia sua economia há décadas.

Mas, com sua insistência em manter um estado policial tipicamente stalinista, praticando violações grosseiras dos direitos humanos de dissidentes e insatisfeitos de todos tipos, afugenta os homens justos que tenderiam a simpatizar com sua causa, dando um ruinoso tiro no pé.

As perdas irreparáveis que sofre na batalha pela conquista dos corações e mentes, ao fornecer de mão beijada trunfos valiosíssimos à propaganda inimiga, nem de longe são justificadas por um perigo real que as vítimas dessas perseguições e arbitrariedades estivessem causando.

Então, não vejo proveito nenhum em ajudar a vender gato por lebre, satanizando um Orlando Zapata para livrar a cara dos desatinados que causaram sua morte e dão má fama à revolução em escala mundial, fazendo-a passar por liberticida.

Lamentavelmente, vilificar a vítima para inocentar o algoz é o que boa parte dos esquerdistas virtuais está fazendo.

Eu me coloco inteiramente ao lado do bravo companheiro Carlos Lungarzo e das entidades que, no cumprimento de sua missão de defender os direitos humanos em todo mundo, posicionam-se consistentemente contra os excessos repressivos de Cuba.

Daí fazer minha a argumentação de Lungarzo no seu digno artigo Os Argumentos Oficiais Contra Zapata, cujos principais trechos reproduzo em seguida:
"...a simples falsidade dos pró-americanos garante a sinceridade dos antiamericanos?

"Esta pergunta veio à tona quando assisti a um vídeo que exibe uma matéria de
Cuba InformaçãoTV, na qual se refuta que a morte de Orlando Zapata Tamayo fosse uma violação dos DH...

"Entre os primeiros 47 segundos e o 1:03 minuto, o locutor adverte sobre as exigências de Zapata, que pretendia ter 'fogão, televisor e telefone em sua cela', que ele qualifica como impensáveis em qualquer prisão do mundo. Curiosamente, o governo cubano nunca tinha denunciado que estas eram as reivindicações de Zapata e só as fez públicas agora. Entretanto, mesmo em países como Brasil, onde o sistema carcerário é truculento, alguns presos (e nem sempre os abastados) possuem algumas facilidades que lhes permitem telefonar e assistir TV, mesmo que não seja através de um aparelho exclusivo em sua cela.

"O segundo argumento contra Zapata é mais grave. Ele seria pintado pela imprensa capitalista como um bom proletário, mas na realidade, seria um 'violento delinqüente comum' processado a partir de 1993 por violação de domicílio, estelionato, e lesões (1:04-1:30). Não se indica a exata índole das lesões, mas apenas que eram graves, pelas quais foi condenado a 3 anos. Essa pena foi estendida para 24 anos por agressão violenta aos guardas prisionais (1:30-1:35). Não falemos de provas, mas o apresentador nem mesmo dá detalhes de como foram estas agressões nem os nomes das vítimas.

"Informa-se depois (1:35-1:50) que Zapata não aparece entre os 75 detidos em março de 2003 por alegados contatos com os Estados Unidos, nem foi apresentado como prisioneiro político no relatório do Departamento de Estado americano desse ano, onde se faz um balanço da situação dos DH em Cuba. Este argumento é usado pela fonte cubana para afirmar que os Estados Unidos não o consideravam um preso político, mas apenas um criminoso comum, que depois teria sido utilizado pelos dissidentes.

"Vale a pena observar que, no relatório sobre DH em Cuba em 2003 (sem julgar sobre a qualidade da informação) o Departamento de Estado apresenta um panorama geral dividido por itens, mas NÃO FAZ UMA LISTA dos 75 presos. É claro que Zapata não está na lista de presos, porque, simplesmente, NÃO HÁ LISTA DE PRESOS. O relatório apenas menciona aqueles mais conhecidos, como Lorenzo Copello Castillo, Barbaro Sevilla Garcia e Jorge Martinez Isaac, os três que foram executados pela tentativa de assaltar uma barca.

"Também é mencionado Manuel Vazquez Portal por ter apresentado uma queixa sobre sua situação prisional. Outros mencionados são: Luis Enrique Ferrer Garcia; Martha Beatriz Roque Cabello; Oscar Elias Biscet; Pedro Pablo Alvarez Ramos; Antonio Diaz; Regis Iglesias Ramirez; Raul Rivero; Marcelo Manuel Lopez Banobre; Manuel Vazquez Portal; Oscar Mario Gonzalez. Destes, alguns eram jornalistas, outros líderes de oposição e alguns outros militantes destacados de oposição.

"Observe que só são mencionados 14 detentos, sobre um total de 75. Pessoas que eram simples aderentes ou simpatizantes provavelmente não foram tidas em conta pelo Departamento de Estado. Estados Unidos nunca se preocupou por vítimas de qualquer natureza, salvo que tivessem relevância para seus projetos. Então, Zapata não foi citado porque era pouco interessante para os Estados Unidos.

"É CURIOSO QUE O GOVERNO CUBANO CONSIDERE UM ELEMENTO CONTRA ZAPATA O FATO DE QUE SEU MAIOR INIMIGO, OS ESTADOS UNIDOS, NÃO O MENCIONE...

"Entretanto, Anistia Internacional, que acredita que os DH são iguais para todos, menciona claramente Zapata ao conceder-lhe o status de prisioneiro de consciência. No seguinte site, você pode conferir a ficha redigida por AI em relação com Orlando Zapata:
Orlando Zapata Tamayo
Data de prisão: 20 de Março 2003
Sentença: Sem julgamento ainda, indiciado por “desacato”, “desordem pública” e “desobediência”.

Orlando Zapata Tamayo é membro do Movimento Alternativa Republicana e membro do Conselho Nacional de Resistência Cívica.


Foi preso várias vezes no passado. Por exemplo, foi temporariamente detido em 03/07/2002 e em 28/10/2002. Em novembro de 2002, depois de fazer parte numa oficina sobre DH no Parque Central de Havana, José Marti, ele e outros 8 opositores foram arrestados e depois libertados. Ele foi também preso em 06/12/2002, junto como Oscar Biscet, mas foi libertado no dia 08/03/2003.
"Segundo o relato da TV cubana, sendo Zapata um criminoso vulgar e um sujeito sem ideologia nenhuma, teria sido facilmente cooptado por Oswaldo Payá Sardinhas e Marta Roque, dois dirigentes de movimentos opositores, que o teriam convencido da importância de sua causa e lhe teriam conseguido uma boa pensão para sua família, paga pela máfia que apóia os cubanos de Miami. (1:56-2:26).

"Antes que Zapata se tornasse conhecido, as informações sobre ele o indicavam como um militante de base da oposição. Assim sendo, o que Roque e Payá poderiam ter feito era apenas estabelecer uma aliança, no sentido de que Zapata trabalhasse para seu movimento. Até aí, tudo pode ser verdadeiro. Também pode ser verdade que sua família recebesse uma pensão da máfia. Como todos sabem, é difícil saber nos Estados Unidos qual é a origem do dinheiro. Por outro lado, é ridículo pensar que uma família miserável que tem um parente preso rejeitaria uma pensão, percebendo que a prisão de Orlando era uma aberração e não um ato de justiça.

"A afirmação mais curiosa aparece entre os instantes 2:27 e 2:58. Aí, o locutor disse que os verdadeiros opositores convenceram a este homem (que, segundo se pode inferir das insinuações do relato, estaria grato pela ajuda dada a sua família) para fazer greve de fome.

"Em seguida, se menciona que REJEITOU TODA ASSISTÊNCIA MÉDICA, e se destaca a solidariedade dos médicos do governo que em nenhum momento o abandonaram.

"A atenção médica recebida deve ter sido real. Entretanto, chama a atenção que um criminoso sem ideais políticos fizesse GREVE DE FOME POR UM DEVER DE CONSCIÊNCIA PARA COM SEUS PROTETORES. Aliás, no site de Payá na Internet, o blogueiro estimula a todos os opositores cubanos a preservar suas vidas, e não fazer greve de fome.

"Então, será que ZAPATA ERA TÃO SIMPLES QUE NÃO SABIA QUE UMA PESSOA PRECISA COMER PARA VIVER???

"Até pode ser verdade que ele tenha resistido a receber assistência médica no começo, mas, quando percebeu que estava morrendo, SERÁ QUE ALGUM IDEAL OU PRINCÍPIO ÉTICO O ANIMOU A CONTINUAR???

"...Segundo a descrição feita pela TV cubana, Zapata seria um lumpen sem valor que se venderia a qualquer um. Então, como uma pessoa assim pode ser convencida a morrer por uma causa? Até onde se conhecem as greves de fome, não há nenhum caso de alguém que não tivesse uma motivação, social, ética ou religiosa muito clara; correta ou errada, mas clara.

"A idéia de ser subornado pelos agentes americanos coloca esta pergunta: subornado a troco de que? O que faria ele com algum dinheiro depois de morto?

"A única hipótese possível, mesmo aceitando a explicação da TV Cubana é que Zapata se deixou morrer por desespero. Fosse apenas um lumpen (existem lumpen em Cuba depois de 50 anos de Revolução???), ou um agente da CIA, ou qualquer outra coisa, é natural que um homem condenado a penas crescentes de prisão (no último momento atingiam os 36 anos), sem a menor possibilidade de defesa nem de julgamento limpo, só pense em morrer.

"Acima de qualquer outra idéia (cuja existência não negamos) em valores éticos ou sociais, seu desespero face uma morte lenta conduz naturalmente ao desejo de uma morte mais rápida. Como disse o senador Cristóvão Buarque, a morte por greve de fome é muito mais cruel que a morte por fuzilamento. Acrescentemos, porém, que é bem mais macia que uma agonia de décadas."