domingo, 7 de fevereiro de 2010

Esclarecendo a "democracia revolucionaria"

Relutei e lamento o fato de hoje, vir aqui expor não uma briga de "companheiros" da esquerda , mas vim dar uma satisfação e alertar que não existe briga , existe é um enfrentamento de ideologias mesmo quando a seta que Lungaretti dá acena para esquerda, mas na realidade dobra mesmo é pra direita. A banda podre e entreguista/demagoga da direita,

Mesmo quando a realidade, lamentável, mas realidade , mostra os dois lados da moeda e desmascara a demagogia de quem usa uma história (questionada antes e mais ainda hoje) para defender o que é indefensável. Eu ainda assim lamento faze-lo. Mas tenho que faze-lo, em "consideração" a luta e ao POVO. A Liberdade e ao "pedido" que o lungaretti vem fazendo diariamente em seus "artigos".

Bem vamos começar do começo:



Dia 26 de janeiro se dá inicio a essa polemica, quase sempre retratada na ótica Lungaretti/Lungarzo, por serem eles “adultos e experientes revolucionarios”

Dia 30 de janeiro, após a polemica tomar conta de mails e debates entre grupos historicamente revolucionários. a mesma AI que se pronuncia em Honduras despresando forças populares , se pronuncia contra o governo da Venezuela, colocando sem meias palavras a “falta de liberdade de imprensa” no país, simplesmente por Chávez cassar concessao de emissoras golpistas, do tipo da rede Globo no Brasil. Ver : http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/anistia-internacional-e-lei-seca-golpe.html e mais detalhadamente aqui: http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/golpe-vista-anistia-internacional.html

Hoje, no Link: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/02/trevas-medievais-ira-assassina-2-e-vai.html com linguagem humanista e manipuladora Lungaretti , o "revolucionário" ()é VERGONHOSO o entreguismo "revolucionario" que em palavras humanistas e marxistas combate a luta do Povo Iraniano contra o opressor Iraque/EUA. Só faltou falar: ENTREGUEM O OURO AO BANDIDO mas , no fim do artigo falou : A rua é sempre de duas mãos. O que Ahmadinejad faz hoje inspirará os Pinochets de amanhã. fala Lungaretti, putz.. foi demais , né não? Disfarça aí cara..........

Parece até a carta dos milicos reformados do Guararapes,

Mas o que que aborreceu de fato ao Lungaretti foi o fato de falar de uma revolucionária que mesmo grávida , foi presa e torturada, perdeu a filha que esperava, MAS NAO ENTREGOU SEUS PARES e MUITO MENOS foi pra televisão dar força a DITADORES. Ah! E ao Lungarzo chateou o fato deu ter falado que Serra ( ex- presidente da UNE, Hartung Presidente de DCE , hoje colocam a tropa militar nas ruas para bater em "baderneiros em manifestação e que Roberto Freire, ex-comunista, é a favor das privatizações - Alguem concorda com os ex- esquerdistas?

Abaixo segue texto de Lungaretti e Lungarzo, e em PRETO a resposta /debate /intervensão que feita aos "argumentos" dos artigos, causou essa desagradavel situação, ao ponto de ter que vir dar satisfaçao aos companheiros/leitores:


OS XIITAS NÃO PASSARÃO
Celso Lungaretti (*)


Uma campanha de satanização ocupa alguns espaços da esquerda virtual. Explicitamente, contra a Anistia Internacional e instituições que defendem os direitos humanos. Implicitamente, contra mim e contra Carlos Lungarzo, articulistas sintonizados tanto com os ideais revolucionários quanto com os DH.

Tudo começou quando, na véspera da posse de Porfirio Lobo, a Anistia Internacional se posicionou contra a intenção do novo presidente hondurenho, de passar uma borracha sobre os acontecimentos recentes. (A INTEGRA DO ARTIGO FOI ESSA:
http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/anistia-internacional-exorta-lobo-punir.html
)


A AI conclamou Lobo a não relevar os assassinatos, torturas, estupros e intimidações praticados pelo governo golpista de Micheletti, mas sim apurá-los e levar aos tribunais seus autores, para que a impunidade não sirva como exemplo para os próximos a atentarem contra resistentes.
( O repudio foi esse:
Eu contesto nota da Anistia Internacional
http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/eu-contesto-nota-da-anistia.html e ver as 3 postagens abaixo dessa nesse Blog Apesar de VC.
)

Apoiei tal posição, claro, porque é simplesmente a única cabível para um um homem civilizado - e, ainda mais, para um revolucionário.

Os crimes da repressão não devem ser anistiados, mas sim punidos. É como sempre nos posicionamos em relação à anistia brasileira de 1979, que igualou as vítimas a seus carrascos.

No entanto, passaram a surgir contestações delirantes, na linha de que, ao apelar para Lobo, a AI estaria reconhecendo seu governo ilegítimo.

Ora, o que importa, afinal, pseudo-reconhecimento por parte da AI, quando foi o presidente ilegalmente deposto o primeiro a reforçar a autoridade de Lobo?!

Manuel Zelaya não só negociou com Lobo para dele obter um salvo-conduto que lhe permitisse deixar o país, como expressou sua disposição de contribuir para a "reconciliação nacional".

E não se posicionou, que eu saiba, contra a anistia de Lobo, que o beneficiará tanto quanto àqueles que derramaram o sangue dos hondurenhos.

Para quem vive no mundo real, já não existe a mais remota dúvida de que a crise hondurenha foi superada.

( sobre isso Lungarzo escreve a Rede Castor assim http://apesardevc19641985.blogspot.com/2010/01/o-jornalista-lungaretti-honduras.html?zx=c453e7f10875c30a "Devemos questionar, sem dúvida, a anistia brasileira de 1979 e pedir a sua reversão; mas, teria sido justo repelir a Anistia, e deixar que as pessoas que estavam presas continuassem apodrecendo na cadeia? Seria incorreto exigir de Sebastián Piñera que continue com as tarefas de Verdade e Justiça no Chile, e “apertar” Uribe para que apure os casos de paramilitares e parapoliciais? Afinal, eles são tão de direita como Lobo e possuem ainda muito maior poder que ele! Como explicam que nosso presidente, que esta rede apóia, chame “seu amigo” a Álvaro Uribe, e se condene a ONGS que se aproximam de Lobo, não para oferecer-lhe amizade, mas cobrar-lhe os crimes de seus predecessores? O que torna a direita hondurenha tão terrivelmente pior que a colombiana?
( Resposta de Castor Filho- Rede Castor :Simples, Piñera e o Uribe foram ELEITOS em eleições LEGÍTIMAS, diferentemente do Calderón e BUSH que foram eleitos em eleições FRAUDULENTAS, p. ex.. Lobo também é uma FRAUDE
.)
Lungrazo Segue:Lobo cometeu uma fraude institucional, usando um sistema eleitoral cujo principal candidato estava proscrito, porém Geisel, Figueiredo, e outros, foram simplesmente ditadores por força. Entendo que seria uma ingenuidade pedir que Pinochet ou Videla abrissem uma investigação sobre seus próprios crimes, porque isso exigiria condenar-se a si mesmos e a todos seus colaboradores. Mas, por que supomos a priori que Lobo está comprometido com os crimes do governo golpista quando ele nem mesmo era conhecido antes das eleições?

( Castor Filho Responde: Esse parágrafo é simplesmente ridículo... Além de descabido
.)
Lungarzo segue: Como se faz, então, para aliviar a condição dos Direitos Humanos? É a política de “Tudo ou Nada” e “Quanto Pior Melhor” dos Tupamaros, dos Montoneros, do ERP da Argentina e do MIR do Chile?

(Nanda Tardin obs: Reparem : Lungarzo detesta a resistencia e os grupos da resistencia, pra mim é ENTREGUISTA, só faltou falar: devenos deixar que tomem nossas riquesas e deem golpes ditatorias em nossos países
)
Lungarzo Segue:Devemos entrar com nossas tropas no coração das prisões hondurenhas para que o sistema tenha mais mortos e possamos nos gabarmos de sermos vítimas do inimigo?
(
Castor Responde : Os Tupamaros, o Sendero Luminoso, o MIR , os Motoneros, a ALN e outros movimentos de resistência na AL são HERÓICOS... Eles foram os VERDADEIROS lutadores pelos direitos humanos. Devemos nossa manca E FRÁGIL democracia a ELES, jamais a alguma ONG e muito menos à ação da AI .)
Lungarzo Segue: A autora das críticas, Fernanda Tardin, afirma também, que exigir de Lobo uma investigação sobre os crimes dos DH, significa desprezar o valor da resistência hondurenha. Esta visão do problema nos faz regredir a um modelo de luta que parecia superado. Com efeito, existe uma chance de que Lobo consiga parar, por meio de um julgamento, a continuidade da repressão. De fato, isso aconteceu em alguns países como Uruguai, embora não seja muito simples. Se considerarmos Lobo apenas um usurpador cujas ações carecem de valor (mesmo para punir torturadores) , a conseqüência será que os repressores terão liberdade absoluta, pois não há outra força equivalente à do governo para coagir os membros do exército e da polícia.
(
Castor Responde: NENHUM modelo de luta está superado. Quem decide pelo modelo de luta é o POVO atingido. O que devemos fazer, como libertários, é APOIAR a ESCOLHA daquele povo. Será que você esqueceu o quanto apoiamos o Vietnã? Ou os TALIBÃS? Ou a RESISTÊNCIA PALESTINA? Ou a IRAQUIANA? Aliás, cansei de assistir palestras da AI em SP sobre a crueldade dos ... VIETCONGS. Não é notável ?)
Lungarzo Segue- Então, reconhecer a Resistência Hondurenha como a única força política, implica atribuir-lhe toda a responsabilidade de lutar, e como essa resistência é notoriamente fraca (não é o Vietcong, nem Hammas, nem nada parecido), a continuidade da luta multiplicará as vítimas. Colocando em pratos limpos: haverá mais mortos e torturas, mais catástrofes humanitárias. .. Por que será que procuramos isso? É um retorno à política de entregar mais mortos para ganhar mais admiração do povo (como dizia na Argentina a guerrilha dos Montoneros)?
Teve um péssimo desfecho, claro, mas não adianta brigarmos com fatos consumados. A comunidade internacional acabará reconhecendo Lobo, como o próprio Brasil se prepara para o fazer. É tudo questão de tempo.
Por que? Porque a resistência a um golpe de Estado em nome do presidente deposto só se mantém enquanto tal presidente permanece firme.
Ao abandonar o Brasil em 1964, João Goulart deixou de ser a bandeira dos que resistiam à quartelada. A luta contra o arbítrio ainda mobilizava muita gente. A restituição de Goulart, não. Ao priorizar a salvação da própria pele, ele se descredenciara para o exercício do poder.
OBS: (por Nanda Tardin)Mas mesmo assim KID- LUNGARETTI foi com Lamarca formar um grupo de resistencia e ao "cair" fez acordo com militares e em rede pública desfez-se da resistencia ( COMO FAZ AGORA, claro no artigo, numa elaborada linguagem de humanista e democracia)adulando a Ditadura e os ditadores, além de ter entregue seus pares ( sob tortura, mas entregou)

Da mesma forma, a pá de cal na resistência hondurenha ao golpe de 2009 foi o acordo selado por Zelaya com Lobo. O resto é desconversa e/ou sonho de uma noite de verão.

A luta pela justiça social em Honduras passou para outra etapa; quem insistir em olhar para trás não responderá adequadamente aos novos desafios, nem enxergará as possibilidades que surgirão doravante. (NÂO SENHOR HONDURAS SEGUE RESISTINDO - Convocam CONSTITUINTE entre outras: trong>Comentário de Oscar A A - Resistencia Hondurenha:
Ou aqui
OU AQUIResolución de la Asociación Americana de Antropología en apoyo a la Resistencia
ou aqui:
http://www.radioglobohonduras.com/
Ou aqui:
http://ellibertador.hn/ Alias o que a AI que massacra o governo Venezuelano contra a falta de "Liberdade de Imprensa"., fala sobre o principal jornal Hondurenho destruido por militares ditadores? O que a AI faz para restaurar o maquinario do Jornal e garantir sua veiculação?...
Creo firmemente que Roberto Quesada tiene razón, una forma de convocar al diàlogo y la reconciliaciòn nacional sería instalando la Asamblea Nacional Constituyente y Popular.
http://hondurasurgente.blogspot.com/2010/02/cesar-ham-romeo-y-la-honduras-vigilada.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+hondurasurgente+%28Honduras+Urgente%29


A História é dinâmica... e implacável com quem não consegue acompanhar tal dinâmica.

Quanto à Anistia Internacional, ela só pode conclamar os governantes a respeitarem os valores civilizados. Não tem tropas para impor sua vontade a mandatários, nem para derrubar governos ilegais e/ou injustos. ( Nanda Tardin- e pode tb. via "revolucionários" classificar um Governo de ditador por falta de "liberdade de Imprensa, como fez aqui:
http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/golpe-vista-anistia-internacional.html ou usar palavras humanista para justificar que o IRA não pode reagir ao massacre3 de seu povo e ao saque de suas..., como aqui:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/02/trevas-medievais-ira-assassina-2-e-vai.html )


Sua autoridade é moral - e, enquanto tal, indiscutível.

Só pessoas com poucas informações ou muita má fé são capazes de a questionar, com suas obtusas teorias conspiratórias que remontam à guerra fria (e, como ressaltou o Lungarzo, são erguidas sobre o vazio, já que não citam fontes confiáveis nem oferecem provas de nada).

De resto, não há explicação plausível para essa grita histérica e essa argumentação estapafúrdia que tantos lançaram repentina e simultaneamente contra a AI, a não ser um desígnio político.

Será o de solapar a credibilidade das instituições defensoras dos DH, para diminuir o impacto de seus relatórios contra governos "amigos" que atropelam os valores civilizados?

Ou uma reação ao prestígio que o Lungarzo e eu conquistamos ao travarmos a luta extremamente desigual contra os linchadores de Cesare Battisti?

Ou, ainda, o temor de que finalmente frutifique minha pregação de anos, no sentido de que os ideais revolucionários não servem como desculpa para violações dos DH (pois a revolução só voltará a ser internacional caso se torne atraente também para os cidadãos das nações mais desenvolvidas, ciosos de sua liberdade)?

Provavelmente, de tudo um pouco.

O certo é que pregações rancorosas e negativas jamais ampliarão nossas fileiras.

Continuarei cumprindo a missão que assumi, de abrir mentes e sensibilizar corações para a possibilidade de se proporcionar a todos os habitantes do planeta uma existência digna, a partir de uma nova organização da sociedade, que contemple o atendimento das necessidades humanas e não a realização do lucro.

E meu lema continuará sendo o de que quem não está contra mim, poderá ser meu aliado.

É assim que agem os empenhados em mudar o mundo: somando apoios, ao invés de hostilizar e afugentar quem não reza exatamente pela mesma cartilha.

Há uma grande diferença entre revolucionários e fanáticos religiosos. Uns constroem o futuro, outros querem recriar o passado.

Não passarão. (Que os leitores julguem o quao REVOLUCIONARIO é Lungaretti)

* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

Análise de uma Crítica à Anistia Internacional

Carlos Alberto Lungarzo

Anistia Internacional (USA)

Reg. 2152711

Neste último domingo (31/01), o blogue Juntos Somos Fortes, publicou texto (http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/anistia-internacional-e-lei-seca-golpe.html ) de um articulista conhecido na esquerda latino-americana, Laerte Braga, no qual se refere em termos nada cordiais à Anistia Internacional (AI).

Quando li o artigo, entendi que o direito do autor a se expressar em quaisquer termos sobre nós fazia parte da liberdade de opinião que nossa organização tanto preza, e que talvez mesmo uma moderada e amigável crítica da matéria pudesse parecer patrulhamento.

Entretanto, lembrei que, nos dias anteriores, houve uma polêmica diversificada, incluindo várias pessoas, cujo eixo era a denuncia de que AI era uma arma do imperialismo, o golpismo e o sionismo, e que as pessoas que elogiam sua atividade (p. ex., Celso Lungaretti) seriam, no mínimo, “inocentes úteis”.

(E Não é?
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/02/trevas-medievais-ira-assassina-2-e-vai.html
http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/01/golpe-vista-anistia-internacional.html )



Decidi então fazer uma breve análise do estudo de Braga, tendo em conta que, depois que AI do Brasil foi desativada em 2001, os que ainda pertencemos à organização no País (porém, em outras áreas), somos poucos e estamos obrigados a dar explicações. Eis o motivo, então, desta análise.

No §3, junto a algumas brincadeiras que não provocariam a aposentadoria de Woody Allen (p. ex., que “AI” pode querer dizer “Anistia Internacional”, mas também “Ato Institucional”), o autor diz que AI é fachada para encobrir “negócios” do império dos EUA.

(Mas Tb. Não se pronuncia em relação a isso: http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/02/alvaro-uribe-del-cartel-de-medellin.html )

Críticas como esta foram feitas muitas vezes, desde a que a ONG apareceu no começo dos anos 60, e ninguém nunca cobrou explicações por considerá-las demasiado absurdas, mas acredito que não se deva descartar uma opinião sem prévia análise.

Primeiramente, a relação de AI com Estados Unidos não é muito forte. Temos muitos membros, porque (como em meu caso), aqueles que ficaram em seu país sem uma seção de AI, ou que nunca tiveram uma, se tornam membros “internacionais” e escolhem especialmente os Estados Unidos por sua maior infra-estrutura.

BEM... nas palavras de Lungarzo mesmo, numa replica a Rede Castor, a AI era assim:Finalmente: ninguém é perfeito e toda instituição pode ser corrompida, mas isso tem sido infreqüente na Anistia. Os casos em que a corrupção ganhou (por vários anos) a batalha na Anistia Internacional foram poucos: aliás, o único exemplo que conheço é o do Brasil. ( Com efeito: fundada em 1986 por um autêntico lutador dos Direitos Humanos, o jornalista R. Konder, AI do Brasil foi astuciosamente “ocupada” por um grupo de empresários que se vincularam ao mercado e a trataram como uma ONG comum, trocando patrocínio por propaganda e lucro. Para este caso, se aplica perfeitamente a crítica do coordenador da rede da qual falamos. Entre outras, a indústria de brinquedos, cuja imagem é fácil de tornar simpática pelo caráter nobre das crianças foi uma isca útil. O chefe da Associação de Fabricantes e o Presidente da Anistia desenvolveram parcerias fantasiadas de defesa dos DH das crianças, que, na prática, eram campanhas publicitárias apoiadas no prestígio de AI.
Ora, logo que Londres tomou conhecimento deste e outros golpes, dissolveu, de maneira sumaríssima, e pela primeira vez em sua história, uma seção nacional. Por isso eu sou agora um membro Internacional, sem lar fixo, e me submeto à seção norte-americana.
(Mas este foi UM processo longo, que demorou 15 anos em desenvolver- se. Estou preparando há vários meses um detalhado artigo sobre este assunto).

Membros Internacionais são os que agem no país onde moram, mas dependem de uma seção externa, e portanto ficam reduzidos, como em meu caso, a membros quase independentes, que tomam iniciativas próprias, porém sempre de acordo com os princípios da organização.

A AI surgiu na Grã Bretanha e, apesar da subserviência do governo britânico em relação com Estados Unidos, existe, como todo o mundo sabe, uma grande repulsa dos intelectuais, ativistas e outras figuras do UK contra os norte-americanos, aos quais consideram rudimentares, fanáticos religiosos, incivilizados, etc.

Pode até ser verdade (eu não possuo informação nenhuma neste sentido, até porque a AI tem um total de 2,43 mi de membros) que alguns de nossos colegas recebam dinheiro do Pentágono, da Cia, do KKK, ou de qualquer outro agente imperialista, fascista, do crime organizado, etc.

Entretanto, é bem sabido que nossa organização, tanto o secretariado Central em Londres, como sua seção norte-americana, tem estado em permanente conflito com os governos dos Estados Unidos.

Já mencionei numa matéria anterior que, em 2004 e 2005, o governo Bush ficou furioso contra nossos relatórios sobre tortura. Aliás, nem mesmo com democratas como Clinton nossa relação foi pacífica. Como indicou Lungaretti com uma longa lista de críticas de AI ao presidente Obama, também temos graves diferenças com este governo.

Por sinal, me surpreende (porque é algo que acreditava não existir mais no mundo atual) o desprezo absoluto de nossos detratores por coisas tais como fontes bibliográficas, páginas de internet confiáveis, informações jornalísticas, etc. Parece que, para eles, tudo isso é lixo juntado pelo imperialismo.

Ainda mais curioso é que estes críticos entendam que devamos acreditar neles, cujas fontes nunca são indicadas, mas parecem nutrir-se em veículos tão sérios como as emissoras bolivarianas, os comunicados iranianos (aliás, quem lê farsi por aqui?) e os fatwa do Talibã.

Vejamos este caso: o autor desta matéria reconhece que AI condena a barbárie de Israel, e o depois acrescenta “e daí?”, incluindo uma comparação desvairada com Ermírio de Moraes: “O que isto quer dizer? Que AI ‘simula’ atacar Israel, assim como Moraes simula fazer obras altruístas, e que ela depreda o povo palestino como os capitalistas brasileiros depredam a ecologia brasileira e assassinam camponeses e índios”.

Sugiro ao autor uma reflexão de dois segundos. Como faríamos isso? Como tiramos proveito de Israel, e o que fazemos com nossos proventos? Onde estão as ‘baixas’ produzidas por nossa ação homicida?

Por acaso, alguém provou alguma vez uma conexão mínima entre o terrorismo de estado desse país e nossa organização? Por outro lado, talvez por falta de informação, ou por dificuldade para entendê-la, os debatedores nesta diatribe parecem não entender que DH, como qualquer outra coisa, podem ser deturpados e é necessário diferenciar bem entre os que deturpam e os que mantêm uma linha positiva.

P. ex., as secretarias e ministérios de DH, tal como aconteceu na Argentina o e no Brasil, são órgãos oficiais criados, justamente, para manter sob controle a indignação das vítimas das ditaduras. O PNDH-3, embora deva ser apoiado porque não há nada melhor, já traz consigo uma estratégia que facilita as negociações, recuos e manobras para não ‘ofender’ os militares. Em poucos dias, passou-se de um projeto digno de um país como Holanda, a um recuo em todos os aspectos, para não desagradar aos antigos algozes, para não ofender a Igreja Católica, para não ferir a moral medieval pela qual nos guiamos, etc.

Na Argentina foi muito pior. A Secretaria de DH fundada em 1984 pelo presidente Alfonsín visava evitar que quase um 8% da população, cujos parentes tinham morrido na repressão, tomassem conta das investigações sobre DH e deflagrassem uma avalanche social de denúncias e investigações. A Secretaria de DH serviu como “amortecedor” ás exigências de justiça das vítimas da insanidade assassina dos fardados.

O aparelho estatal de DH argentino conseguiu atrasar a punição dos militares em nada menos que 21 anos: o inquérito começou em 1984, foi abortado em seguida com manobras jurídico-parlamentares e só retomado em 2005. Esse atraso nunca poderá descontar-se e os principais criminosos de guerra estão morrendo de velhos antes de poder prestar contas por suas atrocidades.

Entendo, obviamente, que haja muita farsa sobre os DH, como foi a campanha de Jimmy Carter, como são as de alguns dos órgãos internacionais, etc., como foram os planos de alguns dos PNDH anteriores (pelo menos parcialmente), mas não é possível atacar a todos da mesma maneira.

A AI tem, em todo o planeta, um único ponto negativo de grande porte (talvez haja outros menores que eu desconheço). Essa mácula surgiu no Brasil, não sei se por acaso ou porque o país oferecia melhores condições para isso.

Em 1985, Rodolfo Konder, uma pessoa com o perfil típico de militante de DH, fundou a seção Brasileira de AI, e começou a implementar os primeiros planos de proteção a esses Direitos que houve no país.

Se sua obra tivesse continuado, nestes 25 anos teríamos avançado significativamente. Mas, no Brasil a verdadeira lei é o lucro das empresas, e a AI, como qualquer outra instituição da região (privada ou pública) acabou dominada pelos abutres empresariais.

Konder foi perdendo controle e um grupo de empresário ganhou umas eleições muito obscuras. P. ex., embora eu estivesse rigorosamente em dia com todas minhas obrigações e fosse um membro histórico da AI (tinha fundado, junto com outras duas pessoas, a seção argentina em 1984), nunca me comunicaram a data das eleições.

As novas autoridades, formada por administradores de empresas e empresários (especialmente os da área de brinquedos, que, pelo forte apelo emocional das crianças, eram os mais próximos aos DH), transformaram a seção brasileira de AI numa ONG comercial, promovendo o merchandising de seus “patrocinadores”.

Isto nunca tinha acontecido. A AI de Londres agiu imediatamente, e deflagrou um processo para dissolver definitivamente essa seção. (Até hoje, não existe uma seção Brasileira de AI, e não pensamos em reativá-la. Talvez passem décadas ou séculos até que isso aconteça. O senhor Braga pode dormir tranqüilo: não haverá uma AI no Brasil)

Se demorarmos tanto na dissolução de seção de SP, foi por causa da famosa “justiça de colarinho branco”. Os que se tinham apoderado da seção, entraram com dúzias de recursos na justiça, que obviamente apoiou a parte mais influente e a menos ética.

Só foi possível a dissolução total da seção BR de AI em 2001, apesar de ser um direito líquido e certo dissolver qualquer agência que esteja atuando contra sua matriz, em qualquer lugar do mundo.

Ora, instituições são grupos de pessoas, e só podem ser “culpadas” quando as pessoas que estabelecem suas políticas (seus “líderes”) o são. Não pode culpar-se uma ONG, nem um governo, nem uma empresa, por ter alguns membros corruptos, mas apenas quando compactua com tais corruptos. E isto não aconteceu: a AI de Londres dissolveu a seção brasileira e proibiu o uso de seu nome. A demora foi por culpa da cumplicidade judicial com os corruptos.

Voltando ao golpismo da AI. Dizer que não se pode matar na rua a pessoas que protestam não é golpismo. A AI nunca disse nem sugeriu que o governo venezuelano tenha ordenado à polícia que executasse o massacre. Apenas instouao governo a fazer uma investigação (o que, obviamente, é responsabilidade do poder público).

Para terminar. Esta campanha contra os DH não me surpreende, pois vi coisas piores na Argentina durante minha juventude (sou da mesma geração que a maioria dos contendores neste espaço). Num grau muito maior (tanto em intensidade como em quantidade de pessoas), o esquema é o mesmo que vemos agora no Brasil.

Antes do lulismo e do chavismo, já existiu na Argentina o peronismo, que foi muito mais “atuante”. No começo dos 70, quando Perón voltou à Argentina, pessoas desiludidas da esquerda e jovens impacientes que queriam a revolução imediata, passaram a integrar algo parecido ao que hoje seria o bolivarianismo.

O grande inimigo era o imperialismo; e o grande objetivo, o “socialismo nacional”. Democracia era coisa estrangeira e direitos humanos (como dizia uma canção dos montoneros) não passavam de “frescura de veados e maconheiros”.

Da AI ninguém falava. A idéia de criar comissões nacionais de DH foi resistida, inclusive a tiros... enfim, uma história para ser esquecida.

Detesto os chavões, mas Marx parece ter razão. O bolivarianismo repete, como comédia, o que o peronismo já representou como tragédia.

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