sábado, 30 de janeiro de 2010

Comentários sobre a defesa de Carlos Lungarzo à Celso Lungaretti

Marcos Rebello




Comentários sobre a defesa de Carlos Lungarzo à Celso Lungaretti

"Em seus blogs de anteontem, Celso apresentou uma matéria singela, rigorosa, sem alarde, como é seu estilo, comentando a declaração de Kerrie Howard (diretora adjunta do Programa da Amnesty International para as Américas) sobre Honduras. Kerrie exige ao novo governo, surgido do golpe de estado que deslocou a Zelaya e colocou a Micheletti, uma apuração profunda e independente dos crimes cometidos contra os DH na gestão anterior, e a individualização e condenação dos responsáveis."

Vamos por partes. Mas bem curto para chegarmos no fundo da questão.
Como seria possivel desenvolver uma matéria rigorosa ao comentar a declaração da diretora da AI sobre Honduras quando o governo instalado por eleições hiper-parciais e em estado-de-sítio sob os auspícios de interesses corporativos que incitaram e planejaram o golpe são os mesmos a serem beneficiados?

Como seria possível o mesmo conjunto de juizes que sancionaram o golpe, que se calaram durante o período de alta repressão, com assassinatos encomendados, cerceamento de TODOS os direitos públicos e civis pudesse com a mesma tinta absolver aqueles que lhes impõe um veredito?

Que consciência é capaz de abrigar dois opostos irreconciliáveis ao ponto de, em um tribunal de justiça, absolver e condenar o mesmo crime ao mesmo tempo?

Que espécie de malabarismo mental pretende a AI que se faça nesses senhores?

Apenas a Amnesty International consegue essa proeza!

Em nome de que, e de quem? Do debate para um pseudo-desenvolvimento pela dialética Hegeliana? Em prol de interesses democraticos legítimos? Balela!

"Pedir o julgamento dos torturadores, executores de brutalidade policial, homicídio e estupro, é atuar em direção a uma comissão de verdade e justiça e contra a impunidade."

A cartilha já está escrita! Destroem-se os direitos garantidos pela plena democracia para depois concertar por meio de anistias e comissões de verdade e reconciliação. Sim, concerta-se o que estava certo depois que os interesses estejam garantidos. Em Honduras, o processo do golpe, da repressão e da negação dos direitos não servem de exêmplo. Não existiu e não existe. É um sonho. Acorda, imbecil! É uma cirurgia!

Agora pergunta-se por que a ênfaze em que se aceitem esses absurdos. A resposta é muito simples. Porque os poderes sabem da ansiedade que habita em qualquer um que pretenda ter a sua voz no meio dos debates de consequência, e que deve fazer vista grossa às mais óbvias transgressões que uma mente que raciocina lógica e independentemente abomina. É o preço a ser pago para sair do obscurantismo e fazer parte daquela esquerda que negocia com o grande capital, o mesmo que dá golpes em todo estado de direito a qualquer hora sob qualquer pretexto. É a chicana na reta dos verdadeiros direitos, e que aponta, la na frente, à existência de uma direita e de uma esquerda perfeitamente controlaveis pelos Think Tanks que ditam as ideologias de ponto e contraponto para fazer crer que existe alternância de poder na democracia de cartas marcadas. Acontece, entretanto, que quando esse script não é seguido à risca, aparecem esses "sonhos" incômodos que são os golpes de estado onde morrem dezenas ou centenas de pessoas que não se submetem. Tudo perfeitamente aceitável. Afinal, deve haver alguma "ordem" nesse mundo. Certo?!

Meus cumprimentos à Amnesty International em preservar essa "ordem" e promover um "diálogo" para simular democracia e acomodar interesses.

Marcos Rebello

29/01/2010

Marcos Rebello é parte da comunidade de Diplomatas Brasileiro, estudioso de documentos secretos da CIA e das CPIs brasileiras a partir da "abertura pós ditadura". Analista , consultor e comentarista Político.

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