segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

BARACK BUSH OU GEORGE OBAMA?

Quando foi anunciada a vitória de Barack Obama na eleição presidencial estadunidense, fiz um artigo que recebeu muitas críticas de pessoas ligadas aos movimentos negros, na linha de "agora é hora de festejar, não seja estraga-prazeres!".

Com o ceticismo que décadas de acompanhamento da política estadunidense me incutiram em relação aos expoentes do stablishment, escrevi:

"Há, claro, um simbolismo poderoso no fato de que um negro agora é senhor (e não serviçal) da Casa Branca.

"Mas, o poder econômico hoje se impõe de forma avassaladora, deixando pouquíssima margem de decisão para um presidente da República.

"O sistema funciona sempre do mesmo modo, a despeito da personalidade e ideologia de quem envergue a faixa presidencial, pouco mais podendo fazer do que cumprir as funções cerimoniais.

"Barack Obama é a mais nova rainha da Inglaterra. E, inegavelmente carismático, pelo menos não fará tanto mal a nossos olhos e ouvidos quanto os feios, sujos e malvados que cumprem idêntico papel na quase totalidade das nações."

Infelizmente, não é só na política econômica que Obama está decepcionando, por não promover nenhuma mudança realmente substancial. Até no capítulo dos direitos humanos ele deixa a desejar.

Começou bem, anunciando o desmantelamento da base de Guantánamo e a proibição das torturas que vinham sendo cometidas contra prisioneiros de outros países.

Mas, seu governo acaba de tomar uma decisão simplesmente escabrosa: não vai alterar a política do Governo Bush, de manter indefinidamente presos e sem acusação os afegãos capturados pelas tropas de ocupação dos EUA naquele país.

Ou seja, os estadunidenses continuarão arrogando-se o direito de atuar como força policial em outras nações. E ainda negarão aos cidadãos desses países o direito de recorrerem à Justiça dos EUA contra as prisões arbitrárias, de duração indefinida, que os invasores estrangeiros lhes impõem!

Presos por militares estadunidenses no Afeganistão, os supostos combatentes do taleban não poderão obter habeas corpus nem junto à Justiça afegã, nem junto à dos EUA. Mais kafkiano, impossível!

A legislação antiterror que os EUA adotou sob Bush e mantém sob Obama é um atentado aos mais elementares princípios de justiça, um aborto totalitário incrustrado na dita democracia.

Se a ONU continuar se mostrando impotente para coibir práticas tão grotescas, melhor extingui-la de vez. Terá se tornado uma burocracia onerosa e inútil.

E se o mundo continuar transigindo com a regressão ao absolutismo medieval, nada poderá reclamar das hordas que, cada vez mais, o assolam.

A opção continua sendo entre civilização e barbárie. E, neste melancólico início do século 21, a barbárie está ganhando terreno.

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