segunda-feira, 31 de março de 2008

DRACULAS DE 1964

Porque os Vampiros enxergam no escuro e atacam suas vítimas , chupam todo o seu sangue e levando-as a morte:


ABRAM OS ARQUIVOS DA DITADURA



DRÁCULAS E 1964



Laerte Braga





O 1º de abril, desde 1964, é um dia em que todos devemos sair de casa com um pedaço de arruda no canto da orelha, uma cruz pendurada no pescoço e um punhado de alho no bolso.



É quando os golpistas sobreviventes de 1964 se reúnem na Transilvânia, no castelo do príncipe Vlad Tepes, e em meio a taças do sangue dos desaparecidos políticos e dos assassinados nas câmaras de tortura , se confraternizam e se regozijam na esperança de uma réstia, não de alho, mas de autoritarismo e barbárie que implantaram no Brasil com a derrubada do governo constitucional do presidente João Goulart.



Os seguidores de Drácula, que vem a ser “filho do dragão” (que não tem nada a ver com isso, muito menos o de São Jorge que segundo o próprio santo admitiu a “Tia Nastácia” quando os meninos do sítio do Picapau Amarelo foram a lua, já estava cansado e conviviam em paz), se juntam em torno das páginas vermelhas de sangue da história sombria e tenebrosa da ditadura a relembrar causos de pau de arara, choques elétricos, estupros, assassinatos, toda o espectro de violência que tentam a todo custo manter escondida a despeito de declararem o contrário.



É claro. Criminoso admitir culpa é o negócio mais complicado no mundo desde que o mundo é mundo. E é célebre a visita do califa Omar a uma prisão em Bagdá e a pergunta feita a cada preso sobre o motivo pelo qual lá estava. Exceto um que se declarou culpado do crime pelo qual fora condenado, os demais, todos, se proclamaram inocentes.



Omar mandou soltar o “culpado”. “Soltem este homem, pois é o único que diz a verdade aqui”.



Paulo Maluf um político típico da ditadura, produto da ditadura, não disse com os olhos fixos na câmera que o fato de um cidadão com seu nome, CPF e endereço era homônimo e o resto coincidência pois não “tenho conta bancária em Jersey?”



A abertura do baú da ditadura, toda a série de documentos sobre a guerrilha do Araguaia, a Operação Condor (realizado em comum com ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai), as operações internas de prisões indiscriminadas, sequestros, tortura, assassinatos, estupros, eliminação pura e simples de adversários do regime sem culpa formada, IPMs montados com provas forjadas, ensejando, entre outras coisas, a localização dos corpos dos desaparecidos até hoje e o conhecimento de um período do passado que vai permitir reconstituir o lhame do processo histórico em sua totalidade para o futuro. Às gerações de hoje e às futuras.



Hoje vive-se o mundo “real” da alienação montada em luzes natalinas, pastas que escondem montagens vergonhosas, seres humanos transformados em bolas prontas a serem encaçapadas na sinuca do mundo globalitarizado, um exército de zumbis que deixa que façam, na esteira do espetáculo comandado pela tevê GLOBO e a grande mídia.



“Trabalha, trabalha negro...” – Versos de Ary Barroso que, curiosamente, era udenista e por esse partido exerceu o mandato de vereador na cidade do Rio de Janeiro.



Juliana Góis, 22 anos, ex-BBB, agora sob risco de ser atingida pelos ovos podres de Boninho, disse a jornalistas que a “direção do programa cria um clima de romance entre os participantes da casa para aumentar o IBOPE”. Assumiu que as festas rolam para “incrementar climas e aliviar a turma que fica confinada”.



É a nova versão do castelo de Drácula, mas os resistentes de 1964 preferem ainda a reunião anual na Transilvânia. Tem alvorada (não são muito chegados), mas o toque de recolher, quando se voltam para as salas em que as portas rangem e ficam à espera da meia noite. É quando estouram as champanhes de sangue que escorreu da violência e estupidez. Safra 1964.



Vernon Walthers e Dan Mitrione, em espírito lógico, se fazem presentes para inspirá-los. E figuras como Castello Branco, Médice, Figueiredo, Geisel e as respectivas cortes de draculinhas.

ABRAM OS BAUS DA DITADURA



Foto cedida pelo Ir. Aelson Amaral


Quero externar o meu agradecimento pela lembrança do DCE e Centro de Estudos sociais da UFES que organiza o II Seminário pelas aberturas do Baú da ditadura , e dizer que essa é uma das lutas mais importantes da atualidade, à medida que resgata um passado fundamental para que possamos compreender o presente e construir o futuro.

O golpe militar de 1964 significou um corte brutal no processo político com repercussões desastrosas sobre os brasileiros e latinos de um modo geral, principalmente sobre a juventude.

Gostaria de sugerir aos companheiros do ES e a todos os demais brasileiros, que nessa luta fossem observadas algumas pautas importantes a partir da constatação que permanecem vivos partes dos porões da ditadura e as partes mais cruéis e perversas, com forte presença na mídia, além do disfarce neoliberal que travestem de democracia e na prática mantém as mesmas políticas, ainda mais agora num mundo submetido a vontade de uma única grande superpotência.

Nesse contexto de tempo e espaço as forças da repressão ganham contornos diversos e se manifestam na fase quatro da Operação Condor, denunciada pela professora Neusah Cerveira.

Se antes os EUA se valiam das ditaduras e seus serviços de extermínio, seus esquadrões da morte "legalizados" pela brutalidade, hoje se valem da docilidade de governos como o da Colômbia, de resquícios do governo FHC no Estado brasileiro e enfrentam em formas ora "convencionais", ora de pura brutalidade (o assassinato de Raúl Reyes, ato terrorista praticado contra o Equador pela Colômbia) a luta de resistência comum a todos os povos da América Latina.

E se voltam contra governos como os do presidente Hugo Chavez, do presidente Evo Morales, do presidente Rafael Corrêa, do próprio presidente Lula nas sistemáticas campanhas de descrédito do seu governo e do seu partido. Tanto quanto das eleições em países como o Paraguai.

Buscar trazer a público os documentos da barbárie de 1964 faz parte dessa luta, é decisivo para restabelecer os laços do processo histórico abruptamente interrompido na boçalidade do golpe militar.

Me coloco ao inteiro dispor dos companheiros, lamentando não ter acessado a msg com o convite antes .

Parabenizo a iniciativa dos companheiros e confesso ter-me espelhado tb. na deliberação saída a partir do I Congresso realizado ano passado em Vitória, cuja inspiração pode ser constatada num artigo exposto no link:http://cafehistoria.ning.com/profiles/blog/show?id=1980410%3ABlogPost%3A29381

Saudações


Nanda Tardin


1964 – O ANO QUE A LUZ APAGOU

Laerte Braga


Quem olhar para o 1º de abril de 1964 e para o 28 de março de 2008, 44 anos depois, vai constatar que certo estava o general Golbery do Couto e Silva, chamado de “o bruxo”, quando disse que no “Brasil vivemos momentos de sístole e momentos diástole”.

O general quis dizer que haviam fases que o Brasil necessitava de um governo centralizador (a ditadura) e outras onde poderia descentralizar (a democracia). O que vale dizer que nada muda, todas as vezes que o modelo estiver ameaçado as elites adotam essa fórmula de gerir os “negócios”. Ou um, ou outro.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva disse hoje que “a oposição destila ódio”. Há uma diferença fundamental entre Lula e as principais forças políticas que se lhe opõem. Ao PSDB e aos DEMocratas não importa se sístole ou se diástole. Importam os interesses que representam.

Isso equivale a dizer que democracia ou ditadura é irrelevante desde que o modelo permaneça inalterado, ou seja, o controle do leme esteja em mãos dos latifundiários, do sistema financeiro, das elites empresariais de São Paulo, todos subordinados à matriz.

Golbery do Couto e Silva foi um dos signatários do manifesto dos coronéis que pediram, em 1954, o afastamento do então ministro do Trabalho João Goulart. Goulart havia levado ao presidente Getúlio Vargas o decreto que aumentava em 100% o valor do salário mínimo.

O golpe militar de 1964 foi uma decisão de Washington, numa época em que o mundo se dividia entre duas superpotências e diante do impacto da revolução cubana nos povos latino-americanos. A percepção que sair do estado de colônia era possível.

Os EUA começavam a enfrentar ainda a catastrófica guerra do Vietnã onde foram batidos política e militarmente, o maior desastre da história daquele país e cujos impactos ainda se fazem sentir até hoje.

Estava em pleno vigor a chamada ”teoria do dominó”. Consistia num raciocínio simples: se uma peça cai, todas caem.

Uma comissão formada por grupos privados, coordenada pela Fundação Rockfeller e chamada Comissão Tri-lateral – AAA – (América, Ásia e África) definia pelo lado norte-americano as políticas de intervenção, golpes e toda a sorte de mecanismos de controle sobre os países dependentes.

A América Latina era considerada quintal (ainda o é) dos Estados Unidos. No caso específico da América Central ditaduras familiares eram sustentadas (Nicarágua e República Dominicana) por Washington e generais se revezavam no poder nos outros países da Região, ao sabor dos interesses da matriz e de suas respectivas capacidades de serem submissos (preços).

Na América do Sul a queda de ditadores como Juan Perón, Rojas Pinilla, Pérez Jimenez e a presença de governos tíbios e subservientes, as crises no Brasil decorrentes das sucessivas tentativas de golpe contra Getúlio (a partir de 1950), JK e a renúncia do tresloucado Jânio Quadros, terminaram no governo João Goulart.

Goulart era um misto de estancieiro, rancheiro, pupilo preferido de Getúlio Vargas e com posições à esquerda das elites brasileiras. Assumiu em condições precárias e em um grande acordo que implantou o parlamentarismo como forma de evitar uma eventual guerra civil. De volta o presidencialismo por conta de um referendo, assumiu posturas que contrariavam os interesses dos EUA.

Em 13 de março de 1964 baixou vários decretos que culminaram na sua deposição. O que desapropriava as terras às margens de rodovias, ferrovias, leitos de rio e lagos em até oito quilômetros para fins de reforma agrária. O que nacionalizava todo o ciclo do petróleo (distribuição inclusive). O que taxava a remessa de lucros das empresas estrangeiras para suas matrizes e o que abria caminho para a reforma urbana. Tudo dentro de um projeto para o País formulado basicamente pelo ex-ministro e criador da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) Celso Furtado.

Ademar de Barros, governador de São Paulo, era, por exemplo, um dos maiores proprietários de terras às margens de rodovias. Antes de abrir uma estrada em seu estado comprava as terras. E com dinheiro público evidente.

Carlos Lacerda era um líder de extrema-direita que havia saído dos quadros do Partido Comunista numa transposição histérica e ditada por motivos familiares, candidato a presidente da República no que se imaginava seriam as eleições de 1965.

As Forças Armadas brasileiras estavam divididas entre grupos de esquerda, nacionalistas de direita, nacionalistas disso, daquilo, legalistas, mais ou menos legalistas e oportunistas.

A revolução cubana era a grande bandeira das forças progressistas. Uma pequena ilha enfrentando a maior potência militar e econômica do mundo e vencendo.

A revolução de 1930 aconteceu na gula das elites paulistas que romperam a chamada política café com leite, em que mineiros e paulistas se revezavam no governo numa partilha das fortes elites rurais e incipientes elites urbanas.

O golpe de 1º de abril de 1964 aconteceu numa clara intervenção política dos Estados Unidos no Brasil (se estenderia a toda a América do Sul depois), montada e orquestrada pelas classes dominante, à frente a paulista e a cooptação dos militares comandados por Washington se deu pela presença do general Vernon Walthers. A presença do Brasil na IIª Grande Guerra aconteceu como parte da força norte-americana e Walthers era o oficial de ligação entre os militares brasileiros e o comando dos EUA. Falava fluentemente o português e era amigo entre outros de Castello Branco, primeiro “presidente” do círculo/circo de horrores militar.

Olímpio Mourão Filho, comandante da IV Região Militar, sediada em Juiz de Fora, Minas Gerais foi apenas um instrumento da chamada linha dura (extrema-direita) que buscou antecipar-se ao golpe dentro do próprio golpe e foi logo engolido pelo grupo pró-EUA. Mourão era ligado a Juscelino e sua história registrava a montagem do chamado Plano Cohen. Um plano criado para implantar a idéia do perigo comunista e permitir a Getúlio Vargas, em 1937, o golpe do Estado Novo.

Permitiu o elemento surpresa e desmontou o esquema militar do presidente Goulart, montado por seu chefe de Gabinete Militar, general Assis Brasil, num momento que o então ministro da Guerra (hoje do Exército), Jair Dantas Ribeiro se encontrava hospitalizado e acéfalo o Estado Maior janguista.

O próprio Jango desistiu da reação quando já no Rio Grande do Sul forças legalistas sob o comando do general Ladário Teles garantiam ao presidente condições efetivas de enfrentar os golpistas, até porque Leonel Brizola já havia tomado também o governo do Estado (o governador Ildo Meneghuetti fugira para o interior).

O golpe, num primeiro momento, promoveu uma limpa dentro das próprias Forças Armadas evitando qualquer reação à frente e tratou de isolar o marechal Teixeira Lott, principal liderança legalistas, mas na reserva.

O grupo militar vencedor passou a executar a política de horrores das prisões indiscriminadas, da barbárie da tortura, dos assassinatos políticos, de operações conjuntas com outras ditaduras na América do Sul, a chamada Operação Condor, transformando, definitivamente, o perfil do País e dessa parte do continente americano, atrelando-o aos interesses dos Estados Unidos, conduzidos pelos verdadeiros donos do poder. As elites do campo e da cidade, latifundiários, banqueiros, grandes empresários.

Três figuras se destacam como representantes diretos desse meio. Roberto Campos, Delfim Neto e Mário Henrique Simonsen. Assim como Pedro Malan foi o mais qualificado funcionário norte-americano no período dito democrático, o governo de Fernando Henrique Cardoso (punha e dispunha, controlava o presidente e sua vaidade inclusive).

A sístole e a diástole definidas por Golbery são uma realidade. Lula está fora desse contexto independente de maior ou menor avaliação de mérito de seu governo e tem razão quando afirma que a oposição “destila ódio”. Está possessa por não ter a chave do cofre e por não poder mostrar serviços efetivos aos que pagam e controlam, Washington.

Os militares? Foram apenas os bárbaros e cruéis executores da parte da borduna nesse processo todo, falo de 1964. A Polícia qualificada dos Estados Unidos, os executores das ordens das elites.

Coube a eles o serviço sujo e o fizeram com tal zelo que até hoje devem ao Brasil e aos brasileiros a explicação e a verdade de toda a imundície subterrânea do ódio e da violência. Ao abraçar a tese que as Forças Armadas não podem ser “desmoralizadas” pelos excessos do período, ou que estavam em guerra (quebraram a ordem constitucional), na verdade, de fato se desmoralizam, de fato e diante da História.

Como afirmou Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Escudaram-se nessa doença típica da extrema-direita.

Entre 1964 e 1984 a luz esteve apagada numa escuridão sangrenta e estúpida promovida pela ditadura. Hoje a luz está acesa, mas teimam em tentar apagá-la, mesmo que sob a batuta de uma farsa democrática.

O que existe de fato é a velha luta de classes.

E continua a não existir saída no chamado mundo institucional, mero instrumento para o processo revolucionário no sentido real da palavra.

Se em 1964 vivíamos o fascínio da revolução que libertou Cuba, hoje vivemos a realidade de Hugo Chávez e do bolivarianismo. Evo Morales, Rafael Corrêa (mas ainda devendo algumas explicações sobre o ataque terrorista da Colômbia que matou Raúl Reyes) e governos com maior nível de independência em relação à matriz. Dentre eles o Brasil.

E num contexto de uma única superpotência, mas tal e qual os tempos do Vietnã, atolada num fracasso político e militar no Iraque.

As personagens sombrias como Carlos Lacerda, Ademar de Barros, Magalhães Pinto e outros foram engolidos na voracidade desse monstro e só se perceberam instrumentos quando do momento da execução (política).

1964 não foi nada além de uma quartelada e um capítulo da luta de classes. Naquela batalha vencida pela barbárie. A luta permanece, noutro contexto de tempo e espaço, mas é basicamente a mesma.

Entrevista de Neuza: Memórias da Dor e parte IV da Operação Condor em curso







(As Fotos da Reportagem em sequencia como aparecem no artigo abaixo.)



NEUSAH CERVEIRA, GENÉTICA REVOLUCIONÁRIA




Laerte Braga





Neusah Cerveira nasceu em dezembro de 1958, cinco anos e meio antes da quartelada de 1964. Filha do major Joaquim Pires Cerveira, oficial superior e de carreira do Exército, integrante do Partido Comunista Brasileiro e que desde o primeiro momento (Ato Institucional nº I) foi afastado das forças armadas como conseqüência da vitória dos militares golpistas. A "limpeza" promovida pelos golpistas atingiu mais de 2500 militares, entre legalistas, comunistas e nacionalistas de esquerda.



Neusah tem a genética revolucionária.









Neusah Cerveira no IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana







O pai seqüestrado em 1973 na Argentina foi assassinado, em 1974, nas dependências do DOI/CODI à rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, sede da Polícia do Exército, um dos centros de terror da ditadura militar. É um dos desaparecidos políticos desse período de sombras e trevas da História do Brasil e o primeiro brasileiro assassinado na OPERAÇÃO CONDOR.



A tese de doutorado da professora Neusah Cerveira tem os genes da luta travada pelo pai. "MEMÓRIA DA DOR – A OPERAÇÃO CONDOR (1973/1975) A GÊNESE". Foi a luta de toda a família num certo momento e diante da insanidade deliberada e hipócrita da repressão. Continua sendo a luta de Neusah, o resgate da história desse momento e a percepção que os métodos continuam os mesmos agora sob a égide e o rótulo de democracia.



Delegada ao IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana (CCB), realizado em Quito, Equador, no Palácio da Cultura e patrocinado pelo governo bolivariano do presidente Rafael Corrêa – 24 a 27 de fevereiro – ao que saiba foi a única brasileira presente ao acampamento do chanceler das FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS COLOMBIANAS-EXÉRCITO POPULAR (FARCs-EP), Raúl Reyes. Por um detalhe, a passagem estava marcada para o dia 28 e o ataque terrorista do governo do narcotraficante Álvaro Uribe contra o acampamento, aconteceu na madrugada de 29 de fevereiro para 1º de março. Saiu na véspera do atentado.



O CONGRESSO DA CORDINADORA CONTINENTAL BOLIVARIANA



O IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana teve como objetivo unir forças para o combate ao imperialismo norte-americano, na expectativa de criar um movimento de espectro mundial para proteger os governos populares da América Latina, criando estratégias para conter o possível avanço imperialista dos norte-americanos usando a principal base de operações na região, a Colômbia. Além desse tema, vários aspectos da luta bolivariana dentre os quais a integração de forças num espectro amplo de atuação foram discutidos por representantes dos vários capítulos presentes. Chile, Nicarágua, Cuba, Brasil, Venezuela, Porto Rico, País Vasco (Espanha), dentre outros (a totalidade das forças bolivarianas). O objetivo maior foi o de criar uma unidade latino-americana que tenha o caráter de movimento de resistência a uma possível invasão pelo império de países da América Latina.



Neusah Cerveira foi ao Equador integrando a delegação brasileira, na condição de presidente do CEPES (Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais), cujo presidente de honra é o arquiteto Oscar Niemeyer, membro do Capítulo brasileiro bolivariano. Além de participar do Congresso foi com a tarefa de ministrar uma palestra, no Seminário que antecedeu o Congresso, sobre a OPERAÇÃO CONDOR, FASE IV.







Marcha de Quito pedindo a retirada da base de Manta no Equador



Foi exatamente a FASE IV da OPERAÇÃO CONDOR que todos julgavam desaparecida nas selvas da Nicarágua (fim da experiência sandinista) que resultou no ataque terrorista contra o acampamento de Raúl Reyes.



A tese de doutorado de Neusah Cerveira, "MEMÓRIA DA DOR – A OPERAÇÃO CONDOR (1973/1975) A GÊNESE", mostra o nascimento da cumplicidade dos regimes militares da América do Sul no processo de eliminação de adversários, filme de terror escrito, montado e dirigido por Washington, a cujo governo essas ditaduras se subordinavam.



A presença da delegação das FARCs e mais particularmente do chanceler Raúl Reys se deu pela própria natureza do Congresso, como foi parte de mais uma etapa do processo de negociações para a libertação da ex-senadora Ingrid Betancourt, prisioneira de guerra da força insurgente. Reyes recebeu representantes do governo da França (a ex-senadora tem dupla nacionalidade – colombiana e francesa-).



O ASSASSINATO DE REYES FOI DECIDIDO EM WASHINGTON



Na opinião de Neusah Cerveira a decisão de matar Reyes no atentado da madrugada de 29 de fevereiro para 1º de março estava tomada com larga antecedência e foi decisão de Washington. As investigações que se seguiram ao ato terrorista do narcotráfico que governa a Colômbia comprovaram isso. As bombas utilizadas são de alto poder de destruição e de última geração tecnológica no aparato militar/terrorista dos EUA.











Raúl Reyes dias antes de seu assassinato. "os que morrem pela vida não podem ser chamados de mortos"




Naquele momento o presidente e traficante Álvaro Uribe estava enfraquecido diante da comunidade internacional, principalmente França e outros países europeus, por ter rompido todos os acordos firmados sob aval do presidente Chávez para a troca de prisioneiros entre as forças beligerantes. O governo central da Colômbia (narcotráfico, paramilitares, grupos empresariais, sistema financeiro e latifúndio) e as forças rebeldes, os dois exércitos guerrilheiros. FARCs-EP e ELN (Exército de Libertação Nacional).



Desde o natal do ano passado Ingrid Betancourt poderia estar liberada, foram vários os acordos e em todas as oportunidades Uribe traiu os pactos. O narcotráfico que controla a Colômbia tenta uma reforma constitucional que permita a Uribe um terceiro mandato (a constituição do país permite uma reeleição) e isso interessa diretamente ao governo dos Estados Unidos. Um possível clima de comoção nacional com a liberação de Ingrid Betancourt fatalmente transformaria a ex-senadora em principal adversária de Uribe nas eleições presidenciais, abrindo perspectivas de negociações concretas para colocar fim à guerra civil na Colômbia.



A presença de Neusah no acampamento de trânsito (estava de regresso à Colômbia) onde se encontrava Raúl Reyes se deu à revelia da delegação brasileira e atendendo a um convite de natureza pessoal. Além de Neusah vários integrantes de outras delegações, estudantes mexicanos e chilenos lá estiveram e os que permaneceram foram mortos ou torturados por terroristas do governo central da Colômbia. As mulheres além disso foram estupradas.





CHÁVEZ PERCEBEU O CARÁTER GOLPISTA DO ATENTADO TERRORISTA



A reação do presidente da Venezuela Hugo Chávez foi decisiva para que a comunidade internacional manifestasse repulsa pela atitude de Uribe, tanto quanto a do presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva ao receber o presidente do Equador, Rafael Corrêa e manifestar apoio ao país alvo do atentado terrorista.







Centenas de milhares de colombianos protestam contra o governo Uribe nas principais cidades do país. Seis dos organizadores dos protestos já foram assassinados em condições misteriosas



Essas atitudes serviram para isolar a Colômbia na comunidade internacional de um modo geral e na OEA (Organização dos Estados Americanos) que, em resolução numa reunião de chanceleres condenou a atitude do presidente Uribe.



No dia seis de março o Capítulo Brasil da Coordinadora Continental Bolivariana divulgou nota oficial em entrevista coletiva à imprensa, condenando o assassinato de Raúl Reyes. O fato foi também ignorado pela chamada grande mídia. A nota foi lida por Aloísio Beviláqua, membro do coletivo dirigente da CCB na sede da ABI (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA).



Uma das preocupações levantadas após o atentado decorre da demora na reação das forças militares do Equador, o que traz um elemento importante para a análise dos fatos. Militares equatorianos, provavelmente, foram cúmplices por omissão do atentado praticado pela Colômbia.



É sabido que em toda a América Latina os exércitos nacionais sofrem grande influência militar e política norte-americana e muitos dos generais são cooptados a partir de grandes somas em dinheiro, como o caso do general Baduel que foi ministro da Defesa do presidente Hugo Chávez e hoje é um dos principais líderes de oposição ao presidente venezuelano.



As próprias ditaduras militares nas três últimas décadas do século passado foram conseqüência de decisões tomadas em Washington.





OPERAÇÃO CONDOR É UMA REALIDADE QUE PERMANECE – GRANDE MÍDIA É CÚMPLICE



Os documentos levantados pela professora Neusah Cerveira no trabalho de pesquisa de sua tese serviram para demonstrar que a OPERAÇÃO CONDOR, ao contrário do que se pensava, não está extinta. Vive uma fase quatro, em condições e circunstâncias operacionais diferentes daquelas que marcaram as ditaduras militares.



O governo terrorista de George Bush liberou a tortura, o seqüestro e atentados como o praticado no Equador e se envolveu em problemas inclusive em países da Europa. Na Itália e na Alemanha agentes da CIA (AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA) enfrentam processos por crime de seqüestro de cidadãos de nacionalidades árabes. O próprio serviço secreto do governo terrorista de Israel, o MOSSAD, atua na América Latina, particularmente na área da chamada Tríplice Fronteira, onde é grande o número de imigrantes palestinos.



Uma das exigências norte-americanas em relação a países como a Colômbia, ocupado e cujo governo é operado a partir de Washington, é que funcionários e militares dos EUA não sejam acusados e julgados por tribunais internacionais por crimes contra os direitos humanos.







Neusah Cerveira em Juiz de Fora onde falou sobre o Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana









Outra constatação feita logo após o atentado é o caráter colonizado da grande mídia nos países latino americanos. As grandes redes de tevê, os grandes jornais, as cadeias de rádio e as revistas são mantidas por grupos econômicos (através da publicidade) atrelados ao processo de globalitarização imposto pelos EUA ao mundo.



Assim, conseguem difundir versões que interessam aos ianques em detrimento da informação isenta. É o caso da maior rede de tevê privada do Brasil, a GLOBO. Ao contrário do governo brasileiro que não considera as FARCs como organização terrorista e segue a determinação da ONU que enxerga no exército rebelde colombiano o caráter de "força insurgente", a rede trata a guerrilha como "terroristas".



Esse processo tem sido vital no distorcer, anestesiar e mentir através de jornais e mesmo em pequenas situações em novelas, programas de auditório, onde passa a mensagem terrorista de Washington. O próprio governo Lula tem sido vítima desse tipo de trabalho.



Tem sido assim aqui e no Oriente Médio, onde as atrocidades praticadas pelo governo terrorista de Tel Aviv são omitidas e os palestinos transformados em "terroristas", mesmo com o relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU considerando o contrário, ou seja, naquela parte do mundo se trava uma guerra de libertação nacional, completamente diferente do terrorismo clássico.



O Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana mereceu cobertura internacional de agências de notícias como a PRENSA LATINA, OSPAALL, ASSOCIAÇÃO BOLIVARIANA DE PRENSA, REVISTA TRI-CONTINENTAL, IMPRENSA INTERNACIONAL (AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS, REVISTAS), IMPRENSA VENEZUELANA e ignorado pela GRANDE MÍDIA BRASIILEIRA.



O que ficou evidente para Neusah Cerveira no atentado que matou Raúl Reyes e dias depois o comandante Ivan Rios foi a existência da fase quatro da OPERAÇÃO CONDOR. Executada diretamente a partir de Washington e governos supostamente democráticos em países latino-americanos, asiáticos, africanos e europeus.



Dirigentes, chefes de governo, militares contrários aos EUA, militantes são sistematicamente assassinados em qualquer parte do mundo, dentro da decisão do império de controlar todos os "negócios" do ponto de vista político e econômico. Numa certa medida é o sonho do III Reich, o domínio do mundo se manifestando no IV Reich, o do texano George Bush.



Essas ações envolvem os porões das ditaduras militares, muitos dos quais intactos, inclusive no Brasil, só que agora numa rede diretamente subordinada a Washington, ou a governos títeres como o da Colômbia.





CONDOR IV – O TERRORISMO DA CASA BRANCA – O IV REICH



O espectro da OPERAÇÃO CONDOR – FASE IV pode ser medido nos campos de concentração mantidos pelo governo norte-americano em Guantánamo (território ocupado em Cuba) e no Iraque a Afeganistão. Na América Latina a presença de governos de esquerda e centro-esquerda, todos eleitos, ameaça a hegemonia de Washington e coloca em risco os "negócios".



No Equador, por exemplo, os EUA firmaram um contrato com governos anteriores para a construção da base de Manta. O contrato termina no próximo ano e o presidente Rafael Corrêa já avisou que não vai renová-lo.



Os objetivos aqui vão desde o controle do petróleo venezuelano, passam pela internacionalização da Amazônia e chegam à Tríplice Fronteira, onde ocupam e controlam o governo do Paraguai, mas sentem a perspectiva de derrota nas eleições presidenciais deste ano.



A última colônia na América do Sul são as ilhas argentinas Malvinas, ocupadas pela Grã Bretanha. Dá a dimensão da voracidade imperialista na Região. A Grã Bretanha é a principal colônia dos EUA na Europa.









Major Joaquim Pires Cerveira – "a humanidade se move e a história segue sua marcha avassaladora





A unidade das forças populares num momento favorável a elas em toda a América Latina, deve ser objetivo principal para impedir que se instalem novamente governos dóceis aos norte-americanos e seus interesses. A criação de mecanismos de resistência é fundamental e os maiores riscos são de golpes de estados na Venezuela, Equador e Bolívia, além de sistemáticas campanhas contra o presidente do Brasil lideradas pela grande mídia.



O maior desafio, afirma Neusah Cerveira, é o da comunicação e os processos de formação e organização devem dar especial atenção a isso, levando em conta a correlação de forças, desigual para a luta popular. Neste momento se impõe uma frente de movimentos populares, partidos de esquerda e sindicatos em torno de questões fundamentais para a sobrevivência das perspectivas mínimas de preservação das soberanias e independência dos países latinos, no que as propostas de integração feitas pelo governo de Hugo Chávez restam decisivas para essa luta.



Em maio deste ano será lançado o livro de Neusah Cerveira, "MEMÓRIA DA DOR", com os principais momentos de sua tese sobre a OPERAÇÃO CONDOR. A tese de doutorado trata da gênese da operação terrorista montada em Washington durante o período das ditaduras militares na América Latina.




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quarta-feira, 26 de março de 2008

INFELIZ ANIVERSÁRIO (31 DE MARÇO)

DITADURA DE 1964/85: UMA SÍNTESE DO FRACASSO E DA IGNOMÍNIA

Celso Lungaretti (*)

Ao completarem-se 44 anos da quebra da normalidade institucional no Brasil, mergulhando o País nas trevas e na barbárie durante duas décadas, é oportuno evocarmos o que realmente foi essa ditadura, defendida hoje com tamanha desfaçatez pelos culpados inúteis e com tanta ingenuidade pelos inocentes úteis.

Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do totalitarismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.

Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio sistemático dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.

A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemáticos dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura;

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam dos empresários extremistas vultosas recompensas por cada revolucionário preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os militantes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.

· Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

SOBRE HISTORIADORES E ARAPONGAS

Celso Lungaretti (*)

O episódio algoz e vítima, que vem provocando uma discussão tensa desde o dia 12, trouxe à tona acontecimentos dolorosos, mas serviu também para aclarar o papel hoje desempenhado pela grande imprensa e por um de seus expoentes mais destacados.

As máscaras foram arrancadas e os leitores, perplexos, vão se dando conta de que formam opinião a partir de informações distorcidas, altamente manipuladas, enquanto os defensores da verdade não encontram tribuna, não têm verdadeiro direito de resposta nem espaço para apresentar o outro lado.

Tudo começou quando o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo, O Globo e outros jornais uma diatribe contra a União (“Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968”), por ter decidido pagar ao suposto algoz Diógenes Carvalho de Oliveira uma indenização duas vezes maior do que a outorgada à sua suposta vítima Orlando Lovecchio Filho.

Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, o cidadão que perdera a perna no atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.

Desde então, as refutações têm sido sempre ignoradas ou relegadas à seção de cartas (cortadas até se tornarem anódinas, publicadas com imenso atraso, etc.), enquanto os espaços nobres servem para repercutir o texto de Gaspari ou trazer-lhe acréscimos, na vã tentativa de respaldar suas afirmações indefensáveis.

Tanto a Folha quanto Gaspari chegaram a reconhecer que, dos quatro militantes apontados levianamente como autores do atentado ao consulado estadunidense em 1969, Dulce Maia era inocente e havia sido por eles caluniada.

Mas, nem mesmo o depoimento do único participante ainda vivo desse atentado obteve o merecido destaque, apesar de provocar uma verdadeira reviravolta no caso: Sérgio Ferro, admitiu sua culpa e seus remorsos, mas desmentiu a participação de Diógenes de Carvalho e Dulce Maia, além de esclarecer que se tratou de uma ação da ALN e não (como Gaspari afirmara) da VPR.

Outra informação importantíssima que a grande imprensa escamoteou de seus leitores: Ferro foi acionado na Justiça por Lovecchio e obteve ganho de causa graças aos relatórios médicos que apresentou como prova. O primeiro dá conta de que o ferimento de Lovecchio era grave, mas existia possibilidade de recuperação. Depois, o socorro a Lovecchio foi interrompido pelo Deops, que quis interrogá-lo, provavelmente para saber se ele era vítima do atentado ou um participante azarado. Quando os policiais afinal o liberaram, sua perna já havia gangrenado e teve de ser amputada (2º relatório).

Ora, se o algoz não era algoz, então o texto inteiro do Gaspari perdia o gancho e desabava, bem como as matérias caudatárias publicadas pela Veja e a Época. O que fizeram os veículos, face à evidência de haverem informado mal seus leitores, além de caluniarem dois cidadãos e acusarem falsamente a VPR? Deram desmentido com o mesmo destaque? Nem remotamente.

A consciência da vulnerabilidade de sua posição aos olhos dos (poucos) cidadãos bem informados fez Gaspari voltar ao assunto na sua coluna dominical de 25/03. E o fez recorrendo às informações que, desde o início, foram a viga-mestra de suas perorações fantasiosas: os famigerados inquéritos inquéritos policiais-militares da ditadura.

Como um mero araponga, ele se pôs a revolver o lixo ensanguentado da ditadura, dando grande importância ao fato de que havia congruência entre os depoimentos extorquidos dos torturados e omitindo que os torturadores forçavam todos os presos a coonestarem a versão oficial, a síntese elaborada pelos serviços de Inteligência das Forças Armadas, para que o resultado final tivesse alguma verossimilhança.

Se fosse, como pretende, um verdadeiro historiador, saberia que os militantes eram coagidos a admitir os maiores absurdos nas instalações militares e, depois, encaminhados a delegacias civis onde deveriam repetir, sem torturas, as mesmas afirmações. Os que, pelo contrário, desmentiam tudo, eram recambiados aos quartéis e novamente submetidos a sevícias brutais, até se conformarem em obedecer ao script.

Destrambelhado, Gaspari ousou até fazer novo ataque a Dulce Maia, a quem pedira humildes desculpas no domingo anterior. Que credibilidade espera ter, agindo com tanta incoerência?

A última intervenção de Gaspari no debate foi, de longe, a mais desastrosa. Colocou-o ao lado dos torturadores, defendendo o entulho autoritário. Se a inicial arranhou sua imagem de historiador, a derradeira disse muito sobre suas verdadeiras devoções.

O que, aliás, já se suspeitava: não é qualquer cidadão que desfruta de tal confiança de personagens como Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, a ponto de ser por eles escolhido para repassar ao respeitável público suas desculpas esfarrapadas pelo papel histórico que desempenharam, como protagonistas do arbítrio.

O entulho autoritário - Se esse episódio deplorável serviu de algo, foi para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.

Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.

O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz-auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.

A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.

Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.

Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?

Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.

Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.

Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.

Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.

E, já que nada do que Gaspari contrapôs pode ser aceito pelos homens decentes que não aceitam mancomunar-se com práticas hediondas, subsiste o fato de que uma versão distorcida e panfletária do episódio teve enorme destaque editorial e, conseqüentemente, ampla repercussão, enquanto as informações que repuseram a verdade dos fatos ficaram, quando muito, jogadas na seção de cartas.

Que cada um tire suas conclusões acerca dessa praga que cada vez mais se alastra pela imprensa brasileira: a burla do direito de resposta e a tendenciosidade no tratamento editorial, não se expondo convenientemente o outro lado ou omitindo-o por completo.

· Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

sábado, 22 de março de 2008

APESAR DE VOCÊS...


Estive afastado por motivo de saúde (ou falta de), mas estou de volta e com força total. No entanto, decepcionei-me ao encontrar, nesta Comunidade, a presença de algumas pessoas preconceituosas, aparentemente até racistas, que preferem pregar o ódio em lugar do amor.
Felizmente minha companheira, Dona da Comunidade, logo as expulsou.
E fez bem, pois esta é uma comunidade dedicada aos que estão a fim de recordar acontecimentos ocorridos nos camados "Anos de Chumbo" de nossa História (de triste memória); comunidade para aqueles que querem aprender, saber, discutir, dar depoimentos sinceros sobre o que ocorreu durante a Ditadura pela qual passamos e que esperamos não volte jamais.
Com relação aos integrantes, importante é não generalizar. Em todos os ramos de atividade (seja civil, eclesiástica ou militar) encontraremos pessoas "do bem" e "do mal". Até em nossas famílias isto acontece.
Repito: o importante é não generalizar.
E que consigamos ser justos; tão justos quanto possível.

terça-feira, 18 de março de 2008

O HISTORIADOR TRAPALHÃO E O XÍS DA QUESTÃO

Celso Lungaretti (*)

No último dia 12, o jornalista e historiador Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo e outros jornais uma diatribe contra a União, por ter decidido pagar a um suposto algoz uma indenização duas vezes maior do que a outorgada à sua suposta vítima.

Como o primeiro era um militante da Resistência à ditadura e o segundo, a vítima do atentado supostamente por ele cometido, o assunto logo transbordou do circuito habitual do Gaspari para outros jornais, revistas semanais, sites de extrema-direita e correntes de e-mails neo-integralistas.

Na madrugada do próprio dia 12, já enviei uma nota à seção de cartas da Folha, contestando Gaspari. E, no dia seguinte, coloquei no ar em meu blog e enviei aos sites que me publicam e à minha rede de amigos o artigo O Gaspari de 2008 também não é mais o de 1968, afirmando, basicamente, que:

1) tudo indicava que, em suas alegações sobre o atentado à embaixada dos EUA em 1968, Gaspari havia se baseado em versões militares;

2) os inquéritos policiais-militares da ditadura militar jamais poderiam respaldar acusações contra quem quer que seja, pois estavam contaminados pela prática generalizada da tortura;

3) além disto, como os torturados freqüentemente admitiam o que os torturadores pensavam ser verdade, as ações da Resistência quase sempre eram relatadas nos IPMs com um número de participantes superior ao real, evidenciando que, além de inaceitáveis para as pessoas civilizadas, essas versões militares eram altamente fantasiosas e inconfiáveis.

Enquanto o panfleto de Gaspari era alegremente encampado pela grande imprensa, meu alerta ficou confinado à internet. Nem mesmo a Folha respeitou meu direito de apresentar o outro lado da questão, só publicando uma versão expurgada e reescrita (sem meu consentimento) da minha carta no dia 17.

O desfecho do caso foi exemplar.

O historiador Gaspari afirmara: “O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada”.

A primeira a protestar foi Dulce Maia, provando que não participara de atentado nenhum. A Folha e Gaspari tiveram de dar a mão à palmatória, admitindo o erro e se desculpando.

Depois, Sérgio Ferro esclareceu que, dos quatro apontados por Gaspari, só ele e Levèvre eram realmente autores do atentado: “O Sr. Diogenes Carvalho de Oliveira e a Sra. Dulce Maia não participaram desta ação, a qual foi executada por Rodrigo Lefèvre, por ‘Marquinhos’ (não conheço seu nome, foi assassinado pela repressão pouco depois) e por mim”.

Outra bobagem de Gaspari foi se referir a “um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária”. Sérgio Ferro colocou os pingos nos ii: “... a ação (...) me foi proposta pela direção da ALN. e não pela VPR”.

Ou seja, de cinco imputações de Gaspari, duas estavam corretas e três erradas, inclusive a principal delas, ao satanizar Diógenes de Carvalho. O algoz não era algoz, afinal.

Resta saber se foi apenas um momento infeliz ou se o índice habitual de acertos dos livros de Gaspari sobre os anos de chumbo é de 40%...

Uma omissão significativa – Quanto à vítima, o arquiteto Orlando Lovecchio Filho, que perdeu a perna e teve de colocar uma prótese em razão de haver sido involuntariamente atingido pela explosão da bomba, Ferro também levanta uma questão importante, ao se referir aos “dois laudos médicos que seus advogados anexaram ao processo que moveram contra mim (a justiça se pronunciou a meu favor em duas instancias)”. Leiam com atenção:

“No primeiro, feito quando o Sr Orlando Lovecchio Filho deu entrada no Hospital para tratar seus ferimentos, a cura parece possível. Entretanto ele não pôde receber então tratamentos, pois foi levado para o Deops. Não sei o que passou durante seu interrogatório. Quando pôde ser enfim tratado, o segundo laudo, feito então, declara que sua perna havia gangrenado, tornando a amputação inevitável. Sem que eu negue minha responsabilidade quanto a seu ferimento – o que pesa em mim ha 40 anos – penso que sua amputação o faz também vitima do poder de então”.

Ou seja, enquanto o Deops decidia se Lovecchio era um transeunte que passava pelo local ou um dos autores do atentado (atingido pela própria bomba), a sua perna gangrenou. É lamentável que ele jogue toda a culpa e dirija todo seu rancor contra o lado mais fraco e omita a responsabilidade dos responsáveis pelo estado de exceção que originava prisões, torturas, mortes e, também, iniciativas insensatas das vítimas do arbítrio.

Paulo Abrão Pires Jr., presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, também soltou nota sobre o caso, explicando que esse colegiado negou o benefício ao arquiteto por não haver “dispositivo normativo na Lei da Anistia que preveja a reparação para o Sr. Orlando Lovecchio”.

Mesmo assim, este conseguiu noutra instância o que buscava: “o Congresso brasileiro aprovou legislação específica e individual ao Sr. Orlando Lovecchio instituindo a sua atual aposentadoria (Lei 10.923/2004). Lei esta que beneficia unicamente a ele, criando regime jurídico exclusivo a ele e indisponível para esta Comissão. A produção de tal Lei constitui nova prova da ausência de omissão estatal em relação a sua situação concreta”.

Se Lovecchio, ao invés de se voltar contra Sérgio Ferro e os resistentes que enfrentavam um estado ditatorial em condições de extrema desigualdade de forças, tivesse argüido a responsabilidade das autoridades policiais que lhe recusaram tratamento médico imediato, talvez houvesse conquistado uma pensão mais vultosa. Ironias do destino.

O entulho autoritário – Enfim, esse episódio acabou servindo para comprovar, definitivamente, que o entulho autoritário deve ficar no lugar a que pertence: a lata de lixo da História.

Um regime de exceção utilizou práticas hediondas para investigar a ação dos resistentes que a ele se opunham e os inquéritos assim produzidos serviram para condenar patriotas, heróis e mártires em tribunais militares, com oficiais das Forças Armadas fazendo as vezes de jurados, o que atropelava flagrantemente o direito de defesa.

O quadro era tão kafkiano que, num julgamento em que fui réu, o advogado de ofício designado para um companheiro apresentou-se completamente embriagado e começou sua peroração não falando coisa com coisa. O juiz auditor o expulsou da sala e mandou que outro advogado de ofício improvisasse a defesa, imediatamente, mal tendo tempo para ler os autos. O julgamento prosseguiu.

A Lei da Anistia de 1979 sustou os efeitos concretos desses julgamentos e as ações seguintes do Estado brasileiro, como a constituição das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos, evidenciaram que os antes tidos como criminosos passaram a ser considerados, oficialmente, vítimas.

Enfim, os IPMs foram, tão-somente, a versão que um inimigo apresentava do outro, para dar aparência de legalidade ao que não passava de arbitrariedade, sem compromisso nenhum com a verdade e a justiça.

Qual a credibilidade de um regime que fez afixarem-se em logradouros públicos do País inteiro, em meados de 1969, cartazes me acusando de “terrorista assassino” que teria “roubado e assassinado vários pais de família”, embora eu fosse um dirigente e nunca um homem de ação?

Mas, para aqueles militares, a verdade não existia em si. Só lhes interessava a verdade operacional, as versões mais adequadas a seus objetivos na guerra psicológica que travavam.

Passadas quatro décadas, essas versões unilaterais, fantasiosas e espúrias infestam a internet, chegando até a impregnar textos jornalísticos – por má fé dos seus autores ou por preguiça de profissionais que preferem colher subsídios nos sites de busca do que nos arquivos de seus próprios veículos, acabando por comer na mão dos Brilhantes Ustras da vida.

Então, é mais do que tempo da imprensa se compenetrar que, sem uma sentença lavrada por um tribunal na vigência plena do estado de direito, ninguém pode ser apontado taxativamente nos textos jornalísticos como “terrorista” ou autor de tais ou quais crimes com motivação política.

Os repórteres, comentaristas, articulistas e editorialistas que agirem de outra forma, estarão coonestando a prática de torturas e os julgamentos realizados por tribunais de exceção.

· Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista, escritor e ex-preso político. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de março de 2008

O GASPARI DE 2008 TAMBÉM NÃO É MAIS O DE 1968

Celso Lungaretti (*)

A direita brasileira não se notabiliza por produzir quadros intelectualmente brilhantes (os Robertos Campos são raros!). Quem melhor a serve, defendendo o status quo com argumentos menos primários, costumam ser pessoas formadas pela esquerda que, em qualquer ponto da trajetória, passam a remar a favor da corrente.

O exemplo mais conspícuo é o do jornalista e político Carlos Lacerda, o corvo de todas as conspirações golpistas em meados do século passado. Por mais que desprezemos o uso que fazia de seus dons, é impossível deixarmos de admirar a agilidade mental que lhe permitiu enriquecer o anedotário político com réplicas devastadoras, que mandavam à lona os adversários.

A melhor delas, na minha opinião, foi a resposta que deu a um jornalista francês. Depois de ver concretizada a tão sonhada quartelada (e antes de perceber que os militares não haviam tirado as castanhas do fogo em benefício do seu projeto pessoal de chegar à Presidência sem votos, preferindo reservar o poder para si próprios), Lacerda saiu a propagandear pelo mundo a impropriamente chamada Revolução de 1964.

Naquela coletiva à imprensa, entretanto, fizeram-lhe uma pergunta zombeteira: “Por que, afinal, as revoluções sul-americanas são sempre sem sangue?”. Ao que ele respondeu, de bate-pronto: “Porque são semelhantes às luas-de-mel francesas”.

Acabou sendo gentilmente convidado a deixar o país. E o jornalista vampiresco não deve ter se decepcionado com os acontecimentos políticos subseqüentes, pois a América do Sul começava a entrar na fase dos banhos de sangue.

Mas, voltando aos melancólicos tempos presentes, há uma legião de jabores produzindo textos convenientes para a direita e sendo recebida de braços abertos pelos sites e correntes de e-mails das viúvas da ditadura. Gente que começa dissecando o conformismo da opinião pública e acaba colocando seu talento a serviço de quem tudo faz para manter bovinizada a opinião pública.

Torçamos para que não seja esse o novo rumo de Élio Gaspari. Seria um triste epílogo para uma carreira que, garante-me o excelente articulista Laerte Braga, começou na órbita do PCB.

“Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968” ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1203200806.htm ), publicado na Folha de S. Paulo de 12/03/2008, é, seguramente, um dos escritos mais inoportunos e infelizes da carreira de Gaspari. Parece mais uma peça complementar da campanha da extrema-direita contra o programa de anistia do Ministério da Justiça do que uma análise do autor de A Ditadura Escancarada.

Contrapõe, utilizando uma narração piegas e folhetinesca no mau sentido, as trajetórias de um militante da Vanguarda Popular Revolucionária (Diógenes Carvalho Oliveira) e de um jovem piloto que perdeu a perna quando da explosão de um petardo diante do consulado estadunidense em São Paulo. Compara, de forma simplista e demagógica, os valores de reparações concedidas pela União a ambos.

Segundo ele, tal atentado teria sido cometido pela VPR e seus autores seriam Diógenes e os “arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada”. Esquece-se, entretanto, de citar as fontes que amparam sua convicção – lapso imperdoável num historiador!

A referência a “uma pessoa que não foi identificada” denuncia, entretanto, a origem de sua suposição (até prova em contrário, não a considerarei uma informação): os inquéritos policiais-militares da ditadura. Se algum(ns) dos quatro apontados houvesse(m) admitido publicamente sua(s) culpa(s), não teria(m) por que ocultar o nome do quinto participante.

O que são os IPMs do regime militar, do ponto-de-vista jurídico? Nada. Uma ignomínia que pertence à lata de lixo da História, já que tudo neles contido tem origem viciada: foram informações arrancadas mediante torturas as mais brutais, que várias vezes causaram a morte dos supliciados, como no caso de Vladimir Herzog.

E era muito comum os torturados simplesmente admitirem o que os torturadores pensavam ser verdade, ganhando, assim, uma pausa para respirar. Então, ao ler a versão dos algozes, eu sempre noto que, em cada ação da Resistência, são relacionados muito mais autores do que os necessários para tal operação.

Para alguém que estava pendurado num pau-de-arara, recebendo choques insuportáveis, é desculpável que respondesse “sim” quando os carrascos perguntavam se fulano ou sicrano participara de determinado assalto a banco. Fazíamos o humanamente possível para evitar a prisão e/ou morte dos companheiros, mas não estávamos nem aí para o enquadramento penal nos julgamentos de cartas marcadas da ditadura.

O Projeto Orvil, o chamado “livro negro da repressão” (síntese do acervo ensangüentado dos IPMs), cita-me como um dos três juízes no julgamento de um militante caído em desgraça com a VPR; no entanto, além de não haver jamais julgado companheiro nenhum, nem mesmo tomei conhecimento da convocação desse tribunal, se é que ele realmente existiu.

Daí a impropriedade, a imoralidade e, até, a ilegalidade de se utilizar esse entulho autoritário como argumento contra quem quer que seja.

Em segundo lugar, Gaspari parece colocar em planos diferentes as ações armadas cometidas pela Resistência antes e depois da promulgação do AI-5, como se o País não estivesse sob ditadura.

O exercício do direito de resistência à tirania independe da intensidade da tirania. Não existe meia virgem: ou era democracia, ou era ditadura. O Brasil estava desde 1964 submetido ao arbítrio de usurpadores do poder que já haviam praticado um sem-número de barbaridades, como a humilhação, tortura e quase enforcamento, em público, do lendário Gregório Bezerra.

Então, todo aquele que, por resistir à tirania, foi preso e torturado como Diógenes, merece, sim, uma reparação, à luz do Direito das nações civilizadas e segundo as recomendações da ONU.

E, se tudo que Gaspari supõe fosse provado, o justo seria o Estado indenizar Diógenes pelos direitos atingidos e condená-lo à prisão pelas matanças cometidas. As reparações da Comissão de Anistia não são prêmio de boa conduta, de forma que uma coisa não invalidaria a outra.

Esta possibilidade, infelizmente, inexiste por causa da Lei da Anistia de 1979, que, ao conceder um habeas-corpus preventivo para os verdugos, acabou inviabilizando também a apuração de excessos cometidos pelos resistentes. É urgente e necessária sua revisão, doa a quem doer.

Quanto à linha de raciocínio de Gaspari, se levada às últimas conseqüências, desembocará na conclusão de que assassinos podem ser torturados pelos agentes do Estado. Então, repito: torço sinceramente para que ele não esteja aderindo às tropas de elite do autoritarismo redivivo.

P.S.: Antes mesmo do que eu esperava, a Folha de S. Paulo foi obrigada a reconhecer a impropriedade de se utilizar o "entulho autoritário como argumento contra quem quer que seja", publicando na edição de 15/03/2008 um "erramos" no qual admite que, tanto na coluna do Élio Gaspari quanto no noticiário, acusara falsamente Dulce Maia de participação no atentado ao consulado dos EUA.
· Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista e escritor. Mais artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

terça-feira, 11 de março de 2008

DIA 18/03/2008.as 21:00hs

O GRUPO "JUNTOS SOMOS FORTES" ESTARÁ NO DEBATE AO VIVO.
NO PROGRAMA http://www.justtv.com.br/loucurasdoalexandrelli.htm

Estarão lá:
Adriana Tasca,
Celso Lungaretti,
Laerte Braga,
e Neusa Cerveiro.


AGRADEÇEMOS O CONVITE DO ALEXANDRELLI.

segunda-feira, 10 de março de 2008

"Convocação de Memórias-vivas" , Programa de Tv - JUNTOS SOMOS FORTES

Entrevista:
E os primeiros passos fora do mundo Virtual:
Dia 18 de março às 21 horas , vai ser exibido no Loucuras de Alexandrelli,
um bate-papo com memórias- vivas.

http://www.justtv.com.br/loucurasdoalexandrelli.htm
Estarão lá:
Adriana Tasca
Celso Lungaretti
Laerte Braga e
Neusa Cerveiro.

Considero de importância o espaço e estamos todos torcendo para ser essa a primeira de uma série de entrevistas com mémorias vivas.
Para não termos dúvidas, O programa é exibido ao Vivo, e vai pro site:
http://www.justtv.com.br/loucurasdoalexandrelli.htm

Operação Condor - Por Neusa Cerveira Fantásttica Recuperação histórica e análise de conjuntura atual-


http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=44568089&tid=2587477726499571003

Bate Papo com Neusa Cerveira: Operação Condor
Olá!!!!!!

Seguindo com os bate-papos na comunidade , tá todo mundo "convocado":

Domingo dia 09/03 às 20 hs, o bate papo vai ser com Neusa Cerveira. Neusa dentre outras coisas é militante das causas humanas e sociais, e estudiosa qualificada para falar sobre a operação Condor. Neusa tb. é filha de Cerveira, primeiro a sofrer as consequencias da operação Condor.

Para facilitar , o Blog da Neusa é:
http://orebate-neusahcerveira.blogspot.com/
Para entrar na comunidade e ter acesso a outras memórias vivas :
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44568089
Prof. Elza : Estou aqui.. ansiosa para conhecer mais
uma heroína de nossa história.
Costumo dizer que para conhecer a história do nosso país, há de se aprender a ler nas entre linhas.
Obrigada pela oportunidade.
Neusa..
Boa noite.

Gostaria que você me respondesse algumas perguntas.

1- Em que momento, você sentiu a união dos países ditatoriais contra os guerrilheiros?
2- Você tomou conhecimento do movimento que ficou conhecido como Guerra Santa, firmado entre Pinochet e Contreras para eliminar a oposição no Chile e nos outros paises alcançados pela Operação Condor ?
3- Em que momento, vocês sentiram que a Cia também estava por traz dos processos de eliminação dos guerrilheiros?
4- Quando você se sentiu fazendo parte da resistência?
Obrigada por nos dar a chance de conhecer um pouco mais sobre os desencontros de nossa história.
Abraços carinhosos
Nanda- Estou aqui tb, agradecida a Neusa e saudando os colegas presentes .
Minha pergunta inicial é: - Vc. é uma referencia , quando o assunto é tb. a Operação Condor. O que a levou a iniciar esta trajetória de estudos?

Neusa- Boa Noite amigos!!!!
Desculpem ter atrasado um pouco. Sou Neusa Cerveira, Estudiosa da Operação Condor.
Espero poder contribuir no Debate>
Adriana : Neusa...Que levou vc ser uma estudiosa da Operacion Condor?
Neusa - Bem, sou filha de um desaparecido político, mas não diria q isto foi a principal razão para iniciar essa investigação. Devido a vida q levei tive uma formação muito eclética, então acabei fazendo cursos em várias áreas, acabei me tornando na Academia uma Especialista de Período. Ou seja direcionei meus estudos em todos os campos como econômicos, sociais, literatura e etc...no período das Ditaduras da AL.
Qdo estava concluindo o Mestrado em CS e me preparando p/ a Seleção de Doutorado na USP conheci o Profº Almada. Desse Papo surgiu a idéia do Projeto.
Coronel Braga - Sra. Neusa, A senhora sendo estudiosa no assunto, qual é a sua visão sobre a Operação Condor ?

Neusa - Continuando,
...já sábia q Almada havia descoberto toneladas de documentos no Paraguay que comprovavam a colaboração dos OS do Cone Sul. Trocamos muitas informações. Para mim a descoberta não era surpresa! Estava fazendo esse levantamento desde o Sequestro de Cerveira e Pereda na Argentina em 73 e seu posterior assassinato no Dói Codi da BM no RJ. Sabia q a operação tinha sido conjunta entre os exércitos do Brasil e da Argentina. Braga ...acredito agora, baseada em novas pesquisas q a Condor foi reativada e está em sua fase 4. Eu investiguei na Tese a fase 1 ou a gênese da Operação e sua estréia. ...qdo defendi a Tese (maio de 2006) afirmei baseada em farta documentação q a Condor havia desaparecido temporariamente nas selvas da Nicarágua, após a experiência sandinista, por determinação dos EUA e q " só pedia uma razão para ser reativada" ...foi reativada.
Laerte - Neusa: se bem entendi essa fase 4 seria hoje, aí teríamos confirmada a tese do general Golbery que nada muda, existem apenas momentos, falo da política na América Latina, momento de sístole, momento de diástole. O Plano Colômbia seria essa fase 4?
Coronel Braga - Sra. Neusa,
Essa 4ª fase dela é a que mais pode nos preocupar, as anteriores eram para combater uma esquerda que foi mal organizada, e seus integrantes eram idealistas, hoje há muito mais coisas envolvidas , e como pode estar sendo financiada essa 4ª fase ?
Celso - Neusa, boa noite! Desculpe o atraso.Fale mais sobre essa fase 4, por favor. Já não seria uma coordenação de governos, mas desses movimentos de militares revanchistas?
Precisamos ter muito cuidado para não parecermos estar difundindo teorias conspiratórias, como fazem o Olavo de Carvalho e os debilóides dos sites fascistas, utilizando o Foro de São Paulo como bicho papão para assustar os incautos
Neusa- Laerte,
...sim é isso mesmo. Mas não só o Plano Colômbia. Acredito q a criminalização dos Movimentos Sociais em todos os países americanos é uma estratégia p/ exemplo, para eliminar lideranças de forma a burlar as Instituições Jurídicas. Tudo isso continua sendo financiado pelos mesmos interesses q financiaram a Condor desde sua Genese. Os interesses capitalistas e a necessidade de novas conformações conjunturais nessa fase do capitalismo: O Imperialismo hegemônico duma só Potência, os EUA
Ismar- Participantes das ações Neuza,Sabendo que:
- A Operação Condor foi uma unificação de esforços de todos os aparatos repressivos de vários países da América do Sul que visavam os grupos, pessoas e etc., (armados ou não) que se opunham aos regimes militares montados na América do Sul.
- Aos acusados e perseguidos pelos agentes, eram negados todos os direitos humanos e políticos. Podiam facilmente ser levados de um território a outro sob a acusação de terrorismo.
- A jurisdição da Operação se estendia, portanto, a todos os países envolvidos. A ausência de procedimentos burocrático-formais facilitava as trocas de informações e de prisioneiros (eventualmente dados como "desaparecidos") de diferentes nacionalidades. Claramente campeava a total negativa de direitos jurídicos e políticos.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------Sabendo destes fatos, você saberia informar se existe atualmente, por parte dos países que no passado fizeram parte desta sinistra operação, alguma tentativa organizada de punir conjuntamente os responsáveis pelos crimes que foram cometidos com a cumplicidade de vários países? Corrija-me se eu estivere equivocado em alguma coisa.

Laerte -
Nesse caso então Neusa, você deve ter se deparado com isso em sua tese, estaríamos também numa etapa seguinte da chamada Comissão Tri-lateral, AAA (América, Ásia e África), a que gerou tanto a teoria do dominó (Vietnã e sudeste asiático de um modo geral, mas aplicada aqui sob o "epíteto" (palavrinha terrível - rs-) de doutrina de segurança nacional, muito bem abordada pelo pe. Comblin?s
Coronel Braga - Sra. Neusa,
Na sua visão, como está o serviço de inteligência do Brasil, depois dos governos militares ? é um serviço que atua e defende nossos interesses, ou um serviço que ainda não saiu do papel ?

Neusa- Celso,
...no início até pensei q poderiam ser bolsões de militares revanchistas, mas com o avanço da pesquisa q desenvolvo para o Pós-Doc me deparei com surpreendentes informações. Não dá p/ ser reducionista nessa situação. Sim, acredito q devemos, e sempre fiz isso evitar cair nas "Conspirações Tequila" como pratica o Srº Olavo de Carvalho. Contudo, todos sabem q acabo de chegar do Ecuador onde fui participar de um seminário Internacional da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB) e posteriormente do seu ll Congresso. Pude constatar q a coisa é muito maior até do q eu pensava.
A Fase 4 além de criminalizar lideranças as elimina de forma pouco convencional usando fármacos q simulam ataques cardíacos dificéis de ser detectados em autópsias além disso simula assaltos, suicídios etc.

Laerte -
O interessante nessa sua resposta ao Celso é que em algumas obras de Toynbee é possível observar esse conjunto que você preenche com essas informações e Toynbee nem era utópico e nem era catastrófico, embora tivesse, no final da vida, uma visão pessimista sobre a própria espécie. Um monstro gerando monstros e monstros se engolindo.
Celso - Neusa, a Operação Condor pertence ao quadro geral da guerra fria, quando a grande burguesia e os EUA apoiavam ou lavavam as mãos diante de massacres de resistentes.
Hoje, dá para notarmos que os radicais daquela época continuam ativos e querendo instaurar novas ditaduras.
MAS, PARA O SISTEMA ISSO NÃO CONVÉM. Os bancos estão lucrando muito mais agora no Brasil do que no regime militar. A banca internacional finalmente recebeu até o último centavo da dívida externa espúria, que, se dependesse do Brizola, jamais teria sido integralmente paga. E os EUA têm contado com os préstimos do nosso governo para manter a América do Sul sob controle. Daí o fracasso do "Cansei": não se dá golpes por aqui sem apoio do grande capital e dos EUA.
O Brilhante Ustra chegou a escrever no seu blog que "o fruto ainda não está maduro para ser colhido". E, parece-me, apodreceu no galho. As articulações golpistas decresceram desde o fiasco dos cansadinhos.
Por isso, devemos ver o quadro com muita cautela, para não parecermos, repito, propagadores de teorias da conspiração.

Laerte
Não sei se o Celso quis dizer implicitamente também que a defesa dessa, digamos assim, precária institucionalidade que dispomos, é fundamental como instrumento de organização. Creio que sim, que é. Mas continuo a acreditar que a correlação de forças seja tão desigual quanto era, talvez até mais. Aí, me remeto a uma afirmação de Plínio de Arruda Sampaio que mergulha se estudada na sua totalidade, num aspecto multidimensional e total da política, falo do desafio da comunicação. Ao falar o que você falou você estaria, Neusa, caminhando por essa linha de raciocínio?
Neusa - Ismar,
...correto. Existem alguns Países sim, como a Argentina q procedem uma Tênue tentativa de levar os participantes ao Banco dos réus. Porém, ainda sim, a meu ver incipientes, pq redundam em muitas Xs em seqüestros das testemunhas como foi o Caso de Júlio Lopez na Argentina a quem não conseguimos salvar a vida depois de Jorje (sobrevivente da Condor) ter testemunhado contra seu algoz. Outros seqüestros de testemunhas se seguiram e as vítimas sobreviveram após intensa campanha de denúncia. Outros Países como o Brasil não tem feito nada nem sobre o passado nem sobre o presente. Quem torturou, matou e seqüestrou está aí numa boa.
E quem mata e seqüestra hj também não é punido. Os processos de incidentes estranhos contra militantes acabam arquivados.
Fazem apenas 3 semanas foi assassinado um advogado em Natal/RN em condições prá lá de suspeitas. E até agora a polícia não encontrou nada q ligue sua execução a sua militância. Aliás a polícia ainda não descobriu nada.....
Celso - Neusa, parece-me que essas pressões já chegaram bem perto de você. Caso se sinta à vontade, fale um pouco sobre isso. Se existe perigo, devemos enfrentá-lo juntos.
Adriana- NEUSA
SE QUISER PARAR PARA DESCANSAR AVISA, SIM.
AI DAMOS 5 MINUTOS E CONTINUAMOS.
Neusa -
Laerte,...sim, é por aí. O mínimo de Democracia q Temos é melhor q uma ditadura explícita.
Acredito q hj tratamos a Política como "A prática do possível" apresentei um trabalho sobre esse assunto.
O Possível no nosso caso é melhor q nada. Estamos todos aki praticando isso: o possível nesse momento histórico. Vc falou q a correlação de Forças ainda é absurdamente desigual, acho q foi isso né?
Concordo, Pude ver bem claro isso no congresso do Ecuador.....e no epílogo do Congresso com o assassinato dos colombianos.
Celso - E vc, Braga, o que pode dizer sobre isso? Tem alguma informação útil, no sentido de tomarmos precauções?
Laerte -
Só fazendo um esclarecimento com o qual creio você concordará. Os colombianos, o grupo que estava com Reyes, participavam do Congresso Bolivariano, ou seja, Uribe já tinha conhecimento da presença deles no Equador e davam sequência a uma tentativa de negociação para a liberação de alguns presos de guerra. Daí talvez um certo relaxamento na volta para a Colômbia. Mas, a certeza que a operação foi montada com larga antecedência, preparada com total segurança e se inseria dentro desse contexto fase 4.

Célia- Boa noite
Boa noite a todos...Aqui estão Celia Coev e Fábio Alexandrelli, só de passagem, infelizmente.
Amanhã, com calma, viremos beber dessa fonte. Justificando: passamos o dia na divulgação e resolvendo algumas coisas do programa, no qual teremos o grande prazer de receber alguns de vocês no dia 18/03.
Grande abraço nosso.
Nanda - salve Celia e Alexandrelli
Oportuno o momento, esperávamos a deixa para tornar público: A partir deste encontro, vamos conquistando outros espaços e agregando outros companheiros. Dia 18/03 As 21 horas estarão no Programa do Alexandrelli ( onde a Célia é produtora - e uma simpatiaaaaaa):
Adriana Tasca, Celso Lungaretti, Laerte Braga e Neusa Cerveira. Vão falar das memórias. Aguardem tópico a parte. Bjao E parabéns ao programa e equipe. Este espaço é muito importante.



Coronel Braga - Celso,
quanto a 4ª fase que a senhora Neusa colocou aqui no debate, não acredito que haja a participação de nenhum militar antigo envolvido, o que me preocupa muito, é que não temos um serviço de informação / inteligência mais neste país, e tem muita coisa acontecendo na AL, e o Brasil, não tem tomado a devida providência.
Neusa - Celso, sim companheiro, vc sabe q sim. Fui vítima logo depois da defesa da Tese de um seqüestro no RJ praticado por 5 homens, sofri queimaduras no rosto e nos braços, além de chutes e socos. Não levaram nada. Meu carro ficou horas abandonado na Lagoa num lugar perigoso, aberto com minha bolsa, mochila e celulares dentro.
Nada foi levado. Qdo minha família localizou o carro não faltava nada, apenas eu.
Abriu-se investigação policial q não avança, embora q pelas características do seqüestro e pelo q me disseram durante o tempo q fiquei com eles, foi claramente político.
Posteriormente resolvi passar um tempo no RN onde tenho casa, fui com minha filhinha de 7 anos, ambas fomos seqüestradas em casa e levadas para uma prisão de segurança, e vcs podem imaginar o q passamos até q consegui um celular de uma presa e informei uma pessoa então começou uma imensa mobilização q envolveu o Conselho Tutelar e acabaram nos libertando. Fomos presas pela Polícia Civil q depois apresentou pedido de desculpas alegando erro de pessoa. Não preciso dizer q o processo aberto pelo MP na Corregedoria de Polícia não avança.... Não me atrevo a voltar ao RN nem p/ vender meus Bens. Ainda mais depois do assassinato do Companheiro advogado. Depois ainda tive mais um assalto suspeito. No Rj.
Carlos -
Cel. Braga e D. Neusa..
Penso que o Brasil "não tem tomado nenhuma providência" simplesmente porque lhe falta a cionsciência do que está (ou pode estar) ocorrendo na AL... Será que nosso governo está realmente "por fora"?

Laerte - Ou seja, Neusa, continuamos vivendo a mesma luta, noutro contexto de tempo e espaço?

Celso - Companheiros, eu tenho a impressão de que nada será tentado, por enquanto, nas grandes capitais. Mas, o Ivan Seixas me disse que há municípios interioranos de SP com fortes articulações de extrema-direita. Também têm me contado que há muita insegurança nos estados de menor peso político e econômico. Enfim, será bom se concentrarmos essas informações, fazendo um acompanhamento sistemático. Até para podermos fazer alertas, se a incidência de episódios suspeitos começar a crescer. É o que acontecerá na véspera de qualquer tentativa golpista.
Nanda- Como colocou o Celso, estamos juntos sim. Fique a vontade, Neusa. Estou calada pois estou amando conhecer os fatos históricos e ainda ve-los relacionados numa análise atual.
Neusa - Laerte,...vc tem razão, todos relaxamos no Congresso. Nos últimos dias eu já estava achando a segurança fraca, eramos muito fotografados, começaram haver muita provocações em Quito, pichações, etc. Eu particularmente, no início me sentia segura com o compromisso de Correa de proteger o Congresso. Mas no final a delegação brasileira já estava em ritmo de segurança máxima. Mas acredito agora, q para os colombianos e até p/ os peruanos, até p/ nós aquilo foi qse uma ratoeira. Agora eles tem farto material sobre lideranças de vários países do mundo.
Mas o assassinato dos Colombianos foi a Condor 4 q planejou. Não sou eu apenas q digo isso.

Laerte - Daí a necessidade de abrir os porões da ditadura tanto como forma de conhecimento, dar conhecimento dos fatos, como de, ao revelar a barbárie, exibirmos os riscos que permanecem, os objetivos dos EUA que são os mesmos noutro momento do processo e dessa forma buscarmos alguns avanços na compreensão da realidade atual da América Latina, particularmente da América do Sul. Acha que penso certo ou tem algum reparo a fazer?
Muito importante você colocar aqui a situação dos peruanos, pois pouco se tem falado do que acontece naquele país sob o governo Alan Garcia. A situação lá é grave, penso que um quadro de pré guerra civil, desorganizado, mas marchando para isso.

Celso - Neusa, você procurou algum veículo da grande imprensa para denunciar esses episódios?
Sendo você filha de uma vítima célebre da Operação Condor, isso já seria um motivo para despertar o interesse jornalístico. Se você foi atrás e ninguém ligou, então a coisa está pior ainda do que eu pensava.

Coronel Braga - Carlos, nosso governo não está por fora, apenas é omisso.
Laerte - Eu sei Neusa que o debate aqui fica um pouco, ou muito, circunscrito ao tempo de escrevermos e às muitas perguntas, natural, há uma avidez de conhecimento tanto da época da barbárie, a ditadura, como das perspectivas e dificuldades que enfrentamos hoje. Acho de suma importância esse depoimento que você dá sobre os fatos atuais, a percepção que continuamos a viver a dependência da organização e do conhecimento, romper determinadas barreiras e, correndo o risco de parecer repetitivo, enxergar o desafio da comunicação como um dos maiores, talvez o maior.

O massacre tem se dado em grande escala por ali, pela comunicação, ou melhor dizendo, tem sido omitido pela comunicação globalizada e dominada pela potência hegemônica.

Ismar - Financiamento e preparação
- Quais os países participantes da Operação Condor? Todos eram da América do Sul?
- Houve uma participação ativa dos EUA nesta operação ou os norte-americanos apenas tiveram conhecimento dela?
- Qual a função principal da Operação Condor e como era o seu financiamento? O dinheiro da Operação Condor era legalmente contabilizado ou era clandestinamente usado?
- Todos os países participantes contribuíam financeiramente ou apenas alguns deles?
Celso - Braga, eu iria além: o episódio em que o Alto Comando do Exército calou a boca do Tarso Genro indicou, claramente, que o Governo Lula teme reações militares, caso abra a caixa preta da ditadura.
A prioridade, para ele, é manter a situação conquistada. Danem-se a memória nacional e até as famílias que até hoje não puderam enterrar seus mortos...
-
Coronel Braga - Celso, O Ivan Seixas deu entrevista em rede nacional, falando abertamente sobre tortura e torturadores, sobre a morte de seu pai, e não sofreu nenhum tipo de censura, quanto a senhora Neusa, ela já atravessa fronteiras com problemas da AL, então pode ser possível que esses episódios que ela tenha vivido, são retaliações de fora, e nada com seu pai, mas pelo seu trabalho atual.
Carlos - Sobre a omissão...Até agora eu vinha considerando a condução de nossa política externa como um dos pontos positivos do atual governo, com Celso Amorim e companhia, que me parecem habilitados. Estarão dormindo com relação ao que se passa na AL?
Neusa - Celso,...vc tem razão. Mas temos q cuidar com o "alarmismo" lembra q não fiz denúncias p/ imprensa e p/ outras autoridades p/ evitar q colegas dentro da Academia, das Universidades abandonassem suas pesquisas. Todos q fazem esse tipo de investigação são ameaçados o tempo todo. Mas não podemos desistir. Alguém tem q fazer. Mesmo assim muitos colegas já estão evitando trabalhar com essas pesquisas.
São muitas as retaliações. Depois q defendi essa Tese fui demitida. Nunca mais consegui emprego. As universidades e colégios não me querem nem na portaria, nem fazendo faxina p/ evitar "problemas"
Até as Públicas se retraíram.
Ou seja mesmo evitando o "alarmismo" as pessoas se sentem muito desprotegidas, o q fazemos nós pesquisadores desse assunto é procurar criar uma rede de solidariedade e troca de informações com fluxo contínuo entre nós.Temos muito cuidado com a segurança pessoal sem histéria. mas é inevitável q alguns de nós não cheguem ao fim do caminho. Isso é uma guerra. Uma guerra onde não usamos armas. Apenas usamos a palavra, pesquisamos e escrevemos. Mas, sabemos q ainda assim é uma guerra.
Coronel Braga - Celso, Eu não queria falar claramente do Presidente, mas o que ele pensa é exatamente isso, jamais entrará em confronto com as FFAA. e não está nem ai, para os mortos e desapaceridos, o que importa um pouco pra ele, é a industria de indenização, a qual ele faz parte, por ter ficado alguns dias preso no DOPS. Celso Amorim faz o seu trabalho, mas o presidente Lula, vive em cima do muro, ele quer agradar todos, tanto fora como dentro do Brasil, e não me sai da cabeça que está articulando um terceiro mandato.

Celso - Braga, como a Neusa estava escrevendo sobre a Operação Condor, pode mesmo ter atraído retaliações de quem temia ser citado na tese. De qualquer forma, devemos todos ficar atentos para o que ocorre ao nosso redor. Sem paranóia, mas também sem displicência. E relatar aos companheiros quaisquer fatos estranhos, para que sempre haja mais gente sabendo.
Nanda - Ao contrário do que posta o Coronel Braga, não acho este governo omisso. Acho que só neste momento o governo está tendo condições de abrir o baú ou adiantar os muitos processos. Coincidentemente no espaço de uma semana foram liberadas pensões de viúvas , como a de Marighela. E hoje a Marinha abriu os documentos do "Almirante Negro" o líder da revolta das Chibatas.
Neusa colocou , muito bem a criminalização dos movimentos ( documentada em relatórios na ONU) a fim de evitar uma concentração de lideranças populares . Da mesma forma, ao meu ver, todas as tentativas do atual governo, foram blindadas pela mídia e pelos grupos de direita, manipulando notícias ou rotulando levantes.
O caso narrado pela Neusa do advogado, tá se tornando rotina. No ES, comemoramos 5 meses de absoluto mistério: Um advogado ao denunciar a TORTURA numa delegacia foi "acidentalmente" assassinado pela polícia . Pasmem, pela polícia militar.
Lamentável foi a situação sofrida por Neusa e sua filha de 7 anos, Presa numa delegacia. TOTALMENTE irregular e viola qq acordo de DH. Estamos com vc. nessa situação tb., Neusa.
Adriana - o COMPANHEIRO ISMAR...COLOCOU ALGUMAS PERGUNTAS BEM CLARAS, ESTOU ANSIOSA PELAS RESPOSTAS. ATÉ HOJE QUERO ENTENDER MELHOR O QUE ACONTECEU COM MEU PAI.

Coronel Braga - Sra. Neusa, Eu não posso acreditar que no atual governo isso ainda seja permitido, quer dizer então, que é tudo balela, essas cerimônias em homenagem aos desaparecidos e mortos políticos ?
Laerte - Sem pretender atravessar o debate, mas já atravessando, está correto o Celso quando fala em temores do governo Lula de reações de setores militares. Creio, como fala o coronel Braga que há uma desqualificação dos serviços de informações no Brasil sim, à medida que esses serviços historicamente fazem parte do processo de repressão e daí um certo temor, ou a incapacidade de direcioná-los para um trabalho voltado ao interesse nacional (a forma como mantêm o controle desses serviços hoje é o pretexto do combate às drogas, ao tráfico de drogas, no governo FHC houve estreita colaboração envolvendo a Polícia Federal) e a um vínculo também histórico das forças armadas como um todo, a instituição, não falo de casos ou exceções específicos, com o pressuposto de guias e condutores do Brasil a um porvir de glória (terrível esse trem de porvir, mas enfim) e, entendo que Celso Amorim, aí valho-me de informações de amigos da área, enfrenta algumas dificuldades no âmbito do próprio governo. É olhado com desconfiança pela presença de Samuel Pinheiro Guimarães como secretário geral do Itamaraty e por seu passado de militante marxista, razão pela qual trafega no fio da navalha.
Há dois momentos atuais em que o ministro foi decisivo. Primeiro quando da questão das FARCs serem terroristas ou forças insurgentes. Ele foi claro ao dizer que o Brasil reconhece a "classificação" da ONU - FORÇAS INSURGENTES. Segundo, agora, abrindo as portas para o presidente do Equador, foi decisivo para neutralizar a marcha do golpe contra Chávez e outras coisas mais.
E um detalhe, ele e nem Lula aparecem na "confraternização", foi de lascar essa, entre Chávez, Uribe e Corrêa. A nota conjunto até aí tudo bem, mas aperto de mão foi duro de aguentar.
Coronel Braga - Se não é omissão, o que é então ? Laerte, está na hora de desmembrar serviço de informação / inteligência com repressão, isso ainda ocorre no Brasil, e precisa ser mudado .
Ismar - Arbitrariedades em plena democracia Neuza, Estes acontecimentos que você viveu logo depois da defesa da sua tese são muito graves. Você não pensa em tentar levar estes acontecimentos ao conhecimento da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, ou até mesmo ao Senado Federal?São acusações graves e conduta destes agentes do estado ( policiais civis ) contra uma pessoa que não pratica nenhum tipo de violência é puro terrorismo. Pelo que você relatou aqui, estes acontecimentos do Rio de Janeiro foram praticados por brasileiros. Sejam policiais ou não.
Neusa - Laerte,...vc está correto nas duas colocações. Em relação ao Perú a situação é gravíssima. Qto a comunicação também. Celso, vc conhece as razões q decidi mesmo contra a vontade da família não fazer as denúncias. Não queria assustar meus colegas e as outras pessoas q batalham pelas causas sociais no País.
Temos uma longa luta pela frente. Somos formigas, não podemos parar, é muito trabalho. Ainda acredito q esse trabalho de formigas pode nos levar p/ exemplo: a abertura dos Arquivos da ditadura, à devolução dos restos mortais dos desaparecidos e muito mais. Formigas assustadas são mais fáceis de ser esmagadas.
Eu vou continuar lutando até o fim com as armas q tenho. Acredito q esse é o caminho.
Ser filha do meu pai é motivo de grande orgulho, mas tenho minhas próprias convicções e personalidade.
Nunca desejei fazer um trabalho memorialista apenas, quis ir além disso. Embora, considere q quem participou ativamente, sendo personagem de um determinado momento histórico não só pode como tem o dever de proceder seu resgate. Então embora a Academia não veja com bons olhos, respeito muito os trabalhos memorialistas sérios

Laerte -Sob pena de uma briga doméstica (rs), vou tentar, mineiro não é, mineiro é assim, nem contra e nem a favor, apenas revendo o ponto de vista, meter a colher nessa história de ser ou não omisso. Não diria omisso, diria tentativa de esperteza ao equilibrar-se entre um e outro lado, uma espécie de caminho do meio, mas complicado. Aí o risco do esperto come esperto. Quanto ao terceiro mandato, com certeza vou desagradar, mas não vejo a menor importância nisso se entendermos que estamos numa guerra, numa luta, como já foi dito aqui. Pior que o terceiro mandato é o risco Serra. Isso a grosso modo. Pois um terceiro mandato teria que implicar numa série de pré requisitos e, por sua vez, implicaria num desafio aberto que não creio o Lula vá pagar para ver, prefere esperar até 2014. Acho, ao escrever isso, que embora a democracia precária que temos seja o menos ruim lógico, nossa luta passa por outros caminhos. Organização. Ampliar o campo de atuação e trabalhar a integração sul americana no campo dos movimentos populares e nessa direção já existem avanços concretos, a própria Neusa é parte disso como bem notou o Celso ao referir-se à dimensão da luta travada por ela.
Celso - Ismar, jornalismo vive de fatos novos. Esses episódios, na ótica da imprensa, já estão superados.
Mas, havendo qualquer outra ocorrência nessa linha, deve ser firmemente denunciada. E as anteriores poderiam, então, ser trazidas também à baila.
Neusa, está aí algo que eu sei fazer muito bem, bater nessas portas todas e conseguir que me dêem atenção. Se acontecer mais alguma coisa (espero que não!), entre em contato comigo e eu garanto que os forçarei a apurarem tudo direitinho.
- Adriana - NEUSA POR FAVOR RESPONDA AS PERGUNTAS DO ISMAR...AS QUATRO PRIMERAS.

Laerte - A propósito do que o Celso falou, bater em todas as portas, ratifico inteiramente. Bateremos juntos.
Coronel Braga - Ismar,
Arbitrariedades em plena democracia ..... é isso mesmo, e hoje não temos os atos intitucionas, vivemos numa democracia, como se explica ? Não há mais DOPS, DOI-CODI, SNI, etc ....
Neusa - Ismar,companheiro, claro q tentei os trâmites legais. Isso segue mas não chegará a nada.
Sabe qtos dias a mídia gastou com o assassinato do Advogado militante do RN: dois dias.
O resto companheiro está por nossa conta. Lula não poderia ter feito nada por mim. Esse País é um continente. Acredito q p/ governar ele teve q fazer tantas alianças, q se encontra engessado. E concordo com o Laerte sobre o desfecho da Reunião na RD (Grupo do Rio)
Acho q a atitude do Lula é aquilo q fale sobre a Política nesse momento: A Prática do Possível.
Foi duro mesmo aquele aperto de mão....acreditem p/ quem esteve n Ecuador foi mais duro ainda.

Laerte - BRAGA - nisso que você falou estamos de inteiro acordo, no geral, mas é preciso definir os campos e ter uma percepção geopolítica desatrelada de interesses internacionais.

Celso - Só li agora sua resposta anterior. Não me convenceu. Será muito pior se atentarem com sucesso contra sua vida. Aí, sim, todos os pesquisadores ficarão amedrontados. O importante é que algo assim não fique impune. Se os que armaram contra você tivessem sido punidos, estaria praticamente afastada a hipótese de reincidência. Sou sempre a favor da luta franca. É o nosso terreno, como revolucionários.

Coronel Braga -Sra. Neusa, Depois de ter sofrido a perda do senhor seu pai, maj. Cerveira, ter sido presa com sua família, ter passados esses anos todos com essa lacuna em sua vida, onde a senhora busca forças para o seu trabalho ? e com a conciencia que é um trabalho de formiga. Mais uma pergunta, nesta 4ª fase da operação condor, onde estaria o atual braço do Brasil na operação e comandanda por quem ?
Obrigado.
Laerte -
Celso, longe de mim o trotskismo, embora considere Trotsky uma personalidade histórica do tamanho de Lênine, mas isso é outra história. Penso como você no que diz respeito ao embate, mas costumo refletir sobre uma frase de Trotsky - o povo está sempre à frente dos dirigentes e foi isso que diz dizer entre outras coisas sobre o aperto de mão de Chávez, Uribe e Corrêa.
Creio que tanto Chávez, note bem, creio, como Corrêa optaram, no aperto de mão, que tem um simbolismo terrível, por um caminho de dizer "tudo bem, dessa vez passa".
Neusa - Adriana,
....creio q respondi as 4 primeiras perguntas do Ismar. Se referiam a como os governos atuais dos países envolvidos na OC tratam o assunto hj. Se exitem tentativas de punição etc.
Se houveram outras vc poderia me reportar a elas. Celso, é claro q não deixamos p/ lá. Mas a denúncia na Mídia não resolveria no meu caso. Continuam abertas as investigações...mas não avançam da forma como eu acho q deveriam. E como estamos num regime democrático o caminho é um só: judicial
Carlos - Neusa: sobre a "arte do possível":Entendo sinceramente que o que este governo tem praticado em política interna e externa é, para usar expressão já utilisada pela Neusa, pela Nanda e pelo Laerte (se estou certo), é simplesmente a "arte do possível". Para o atual governo conseguir se manter no poder, com tudo o que a opisição formal e informal já fez para desmoralizá-lo, tiro o chapéu para o jogo de cintura do Presidente e de seus assessores mais diretos. Claro que Lula não pretende ficar cutucando onças com varas curtas. Se o fizesse mais do que o pouco que faz, já teria caído. De nada teria adiantado chegar ao poder. E, assim, na política externa. Será que NEUSA concorda com esta interpretação?
Coronel Braga - Sra. Neusa , se a senhora procurou trâmites legais, é porque procurou justiça, como se sentiu, em plena democracia, vendo um processo parado, ou quem sabe manipulado ?
Celso - Laerte, você se confundiu. Eu não disse nada sobre o aperto de mão, acho que foi o Carlos.
Adriana -
APERTO DE MÃO...QUEM FALOU FOI A NEUSA

Laerte -
O embate franco a meu juízo seria, ali, respaldar a nota, tudo bem, foi um consenso para apagar um incêndio, mas depois ir embora para casa e manter a Colômbia sob isolamento, manter as relações cortadas, até em respeito a eles sobretudo Corrêa que referiu-se a Uribe como "canalha". Penso, me atrevo a antecipar e posso estar errado, que a força da Neusa decorre da capacidade de indignar-se a que se referiu Guevara. É um traço de caráter notável que os lutadores dessa luta têm.
Adriana – (recolocando) APERTO DE MAO
Neusa : Ismar,....companheiro, claro q tentei os trâmites legais. Isso segue mas não chegará a nada.
Sabe qtos dias a mídia gastou com o assassinato do Advogado militante do RN: dois dias. O resto companheiro está por nossa conta. Lula não poderia ter feito nada por mim. Esse País é um continente. Acredito q p/ governar ele teve q fazer tantas alianças, q se encontra engessado. E concordo com o Laerte sobre o desfecho da Reunião na RD (Grupo do Rio) Acho q a atitude do Lula é aquilo q fale sobre a Política nesse momento: A Prática do Possível. Foi duro mesmo aquele aperto de mão....acreditem p/ quem esteve n Ecuador foi mais duro ainda.

Braga -
Uma série de impedimentos legais e políticos deixaram integrantes do governo petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em situação constrangedora no processo que move a Justiça italiana contra brasileiros acusados de participação nas ações da Operação Condor, durante o regime militar. Com um primeiro escalão composto por ex-guerrilheiros, como o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins - que participou do seqüestro de um embaixador americano -, e ministro especial da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi - torturado no DOI-Codi -, o governo emite sinais contraditórios sobre como lidar com os militares e civis que atuaram nos anos de chumbo. No debate público, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que não cabe qualquer iniciativa para reabertura do caso por parte do Executivo. ?Esse não é assunto para o ministério da Justiça, não é tema para o Executivo?, alegou. O ministro da Justiça, Tarso Genro, busca brechas na Lei de Anistia, promulgada em 1979, para dar uma satisfação à sociedade e deixar que o Judiciário anuncie a decisão final já conhecida: a de que não haverá extradição dos 13 brasileiros acusados pela Justiça italiana, nem sequer processo interno, já que os crimes estariam prescritos e a extradição é proibida pela Constituição. Vannuchi defende a abertura de um processo de investigação, com a anulação da Lei de Anistia, mas minimiza a possibilidade de o fato provocar um conflito interno entre os ministros do governo petista. ?Não acredito em conflito porque ninguém está com a posição de acobertar?, disse. ?Ninguém está na posição do ?vamos esquecer o assunto? Informações do Estadão.

Laerte - Desculpe Celso, acho que não li com a devida atenção.
Neusa - Braga,....como todos q sofremos perdas ou torturas e continuamos na Luta como o Celso, tiramos força de nossas convicções e eu particularmente de continuar a luta de meu pai e seus companheiros (alguns, bem jovens, amigos mortos precocemente, como Pereda) na construção de uma sociedade de novo tipo. Quem está no comando absoluto, afirmo são os EUA. No Brasil é a direita sustentada pelos grupos oligarquicos e pelos banqueiros. Não devemos alimentar ódio absoluto a todos os integrantes das FFA, são povo também e sofrem os mesmos problemas q nós. Acredito q temos hj como sempre tivemos, grandes aliados entre as FORÇAS ARMADAS, não dá p/ esquecer q muitos militares tombaram lutando contra a ditadura como meu pai e outros.

Laerte - E nesse indignar-se é necessário, o verso de Fernando Pessoa, "navegar é preciso/viver não é preciso" é absoluto.
Celso - Laerte, todos estamos sujeitos a lapsos. Eu, p. ex., falei atrás no cala-a-boca que o Alto Comando do Exército deu no ministro que disse que não aceitaria nenhuma declaração contrário ao livro sobre mortos e desaparecidos políticos. Acabou aceitando e não bufando. Só que o ministro que engoliu esse sapo não foi o Tarso Genro, mas sim o Nelson Jobim. Desculpem a minha falha...

Laerte - Preocupe-se não Celso, estamos tendo um momento de muita riqueza, não importa quantos estejamos aqui, mas de muita riqueza. Acabamos tropeçando aqui ou ali, mas na essência nos mantemos incólumes e isso é fundamental companheiro. Só para dizer ao coronel Braga que tecnicamente concordo com as observações dele a propósito do processo na Itália e dos desdobramentos por aqui. E dizer também que ao referir-me a ele como "coronel Braga", não estou tentando patenteá-lo, permita-me o termo, mas concordo com a Neusa sobre não alimentar ódios e prestar reverência aos militares que lutaram e tombaram na resistência à ditadura. Até porque penso que o processo de construção revolucionária passa pelas forças armadas, mas isso também é outra história.
Coronel Braga - Celso, O cargo do Nelson Jobim, é um cargo político, e jamais entraria em conflito com as FFAA, tentou impor sua autoridade, mas depois percebeu que o comandante supremo é o Presidente, e o Jobim não tem autoridade para nada dentro da caserna, nem de dar voz de prisão para um soldado , imagine punir o alto-comando, o que ele precisa saber é que s FFA são importante num país democrático e parar com o revanchismo, e lembrar que os militares de hoje, seguem as tradições de Caxias, nada mudou na caserna.
Nanda – Celso...A propósito, taí a aberração governamental: Ministro Nelson Jobim
Carlos -Cara Neusa:Voltando à Operação Condor e à revelada "Fase 4": seria possível defini-la um pouco melhor, inclusive quanto à amplitude de sua ação em termos geográficos?

Laerte - Sobre essa afirmação que "nada mudou nas Forças Armadas", "tradição desde Caxias", penso que poderíamos mais à frente fazer um debate sobre esse assunto, Forças Armadas, especificando as brasileiras, até porque se formos buscar na História, o tenentismo tinha um viés modernista (digamos assim), a Coluna Prestes foi um momento glorioso com vários militares, inclusive Juarez Távora e Cordeiro de Melo, mas depois... E nem cheguei no marechal Lott. A ditadura cortou-lhe a cabeça de imediato pois sabia de sua presença dentro dos quartéis, sua força e ali matou uma reação imediata possível.

Ismar - Argentina sem medo do passado Neuza, No Governo do ex-presidente Nestor Kirchner, militares argentinos que participaram de violações aos direitos humanos durante a ditadura militar voltaram a ser condenados ( depois da suspensão da lei de anistia ) e alguns estão presos. Mesmo assim, não houve nenhum tipo de tentativa de golpe militar ou coisa parecida por lá. http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u356376.shtml
Estes comportamento do Governo argentino não mostra que a democracia deles está imune a estes reveses autoritários no futuro, ou não?
NEUSA- Carlos,
...sim. Concordo com essa colocação. Fui eu sim, quem falou q foi "difícil engolir o aperto de mão"
Eu penso, q a violação da soberania do Ecuador foi um ensaio dos EUA para saber como se comportariam os governos latino-americanos.E o triste desfecho diplomático serviu para nos alertar q novas violações se seguirão a essa. Acredito mesmo q os EUA tem um forte interesse, maior do q já teve em toda a História em não perder o controle da América Latina, nem um mínimo de controle. Os EUA foram os grandes vitoriosos nesse triste incidente. Desculpem companheiros, se não consigo responder a todos com a rapidez necessária. É muito importante esse debate aqui. Estamos produzindo nossa história.
Vcs podem fazer perguntas bem objetivas q eu respondo mais rápido.
Coronel Braga- Laerte, Sou militar, me orgulho disso, defendo minha profissão, e como a Sra. Neusa disse com muita propriedade acima, somos parte do povo, também temos problemas, e estamos enfrentando um momento delicado dentro das FFAA, é que não interessa para a imprensa divulgar.
Neusa- Ismar,...de fato companheiro. A distância parece q sim. Mas como já coloquei lá as coisas também não são tão fáceis como parece. Agora perigo de golpe nesse momento não vejo por lá. Cada País da Nuestra querida América tem características e momentos diferentes.Em absoluto comum, tem apenas o fato de serem explorados pelo mesmo País: os EUA . O mesmo inimigo: o imperialismo norte americano.
Nanda- Faço minhas as palavras do Celso. Imagino como deve ser dificil essa superação e vc. além de filha é uma brava guerreira. Tem importantes participações em movimentos e lutas. Pode falar rapidamente delas
Laerte -
Neusa, quem sabe voltarmos a Operação Condor 4. Você falar um pouco sobre o Congresso no Equador?
Braga não há nada que eu tenha dito que contenha restrições a você ser militar, tenha a certeza. Como disse, o processo revolucionário passa pelas Forças Armadas. Acho até muito significativa sua presença aqui. É um gesto e um ato de cidadão embora eu deteste essa palavra desde que Marco Aurélio Mello veio com aquela história de "exercício de cidadania".
Neusa -
Carlos,....tenho certeza q se estende por todo o continente. E tende a se agudizar com o ascenso dos movimentos populares e a instauração de novos governos progressistas no continente

Ana Maria Bruni – Neusa Você disse que no Rio sofreu um assalto " suspeito". Em relação a sua segurança no Rio e investigações no RN existem pessoas que estão te apoiando?
Sua realidade deve ser extremamente difícil, efetivamente caso deseje divulgação e apelos sobre o que te acontece podemos começar a nos movimentar imediatamente. Devo me ausentar agora, agradeço seu relato e opiniões, conte comigo no que te puder ser útil. Abraços a todos
Adriana - ISMAR....SOY ARGENTINA, Y ACHO QUE LOS PANORAMAS QUE OCURREN EN EL BRASIL Y EN LA ARGENTINA SON MUY DIFERENTES.
Coronel Braga - Sra. Neusa, Aqui no Brasil, sob responsabilidade de qual Órgao, ficaria as operações da 4ª fase da operação condor ?
Celso- Apaguei um post por descuido, pode? Mas, quero deixar registrado meu apreço pela Neusa e por todos os parentes, amigos, conhecidos, que tiveram de suportar a conseqüência de nossos atos, quando partimos para a clandestinidade. Em muitos casos, a barra foi mais pesada ainda para eles do que para nós.
A história de vida da Neusa me tocou profundamente. Que tenha transcendido os seus sofrimentos e se tornado uma companheira tão valorosa a faz digna de todo nosso respeito e admiração. Do seu pai guardo a lembrança de como tentava nos animar a todos, numa cela do DOI-Codi/RJ, com seu sorriso bondoso, seus conselhos de amigo e até com as músicas que cantava (composições próprias) para desanuviar o ambiente. Uma delas ficou para sempre na minha lembrança. Sei que sentiria imenso orgulho da Neusa, se a visse agora, levando adiante a bandeira que ele empunhou com tanta dignidade.
Prof. Elza - UM PEQUENO INCIDENTE ME TIROU DA SALA.Não sei se minhas perguntas feitas no inicio do bate papo foram contempladas. Se isso ocorreu, agradeço, caso contrario, gostaria que me tirasse essas duvidas. Neusa..Boa noite.
1- Em que momento, você sentiu a união dos países ditatoriais contra os guerrilheiros?
2- Você tomou conhecimento do movimento que ficou conhecido como Guerra Santa, firmado entre Pinochet e Contreras para eliminar a oposição no Chile e nos outros paises alcançados pela Operação Condor ?
3- Em que momento, vocês sentiram que a Cia também estava por traz dos processos de eliminação dos guerrilheiros?
4- Quando você se sentiu fazendo parte da resistência?
Obrigada por nos dar a chance de conhecer um pouco mais sobre os desencontros de nossa história.
Abraços carinhosos.

Adriana Tasca - NEUSA...
DESCULPA EU TER RESPONDIDO PARA ISMAR, MAS ACREDITO QUE A DEMOCRACIA EN LA ARGENTINA JA ESTA MAS CONSOLIDADA QUE EN EL BRASIL. MISMO QUE ENTIENDO Y SE QUE LA DICTADURA MILITAR EN LA ARGENTINA FUE PEOR Y MUCHISIMO MAS CRUEL QUE LA DEL BRASIL.
MI PADRE TB FUE VICTIMA DE LA DICTADURA.
Neusa - Laerte,...no início do Congresso havia muito otimismo. Conforme foram sendo colocados os problemas de cada País percebi como ainda estamos frágeis e desarticulados....e ainda, como os meios de comunicação são vítais no processo q estamos vivendo.....de toda forma, considerei muito importante até p/ dar uma situada em nossas pretensões.....embora, como já disse, o desfecho trágico não obliterou a importância do evento. Entendo q a luta segue. Mas temos q ter os pés no chão.

Laerte - Considerando sua resposta Neusa, você avalia que a desarticulação implicaria em buscar forçar governos como o do presidente Chávez e do presidente Corrêa a se organizarem em maior escala em torno dos movimentos populares? Você acha que no caso da Bolívia, cuja situação é grave também, o presidente Morales teria melhor consciência disso?

Neusa - Querida Adriana, sinto por seu pai........qdo me questionam sbre o número de atingidos no Brasil, costumo dizer q 5.000 ou 30.000 não fazem a diferença. Um holocausto é um holocausto e não pode ser medido de forma estatística-matemática. A dor dos atingidos não se mede dessa forma.
A ditadura brasileira foi também violentíssima, mas foi cirúrgica e tragicamente competente.
Conheço bem a Argentina, tenho grandes amigos meus e do meu pai por lá.
Foi lá q passou seus últimos dias (q foram poucos) desde q chegou do Chile.
Mas teve tempo de se articular e fazer parte da primeira reunião da Junda de IZquierda revolucionária (q agregava remanescentes de várias organizações e partidos da AL) q chegou a fazer uma ação na Argentina e programar outras p/ serem simultâneas em vários países. Não houve tempo. Foram todos dizimados pela Condor.
Adriana - SI NEUSA...
SO NOS RESTA CONTINUAR LUCHANDO TB EN MEMORIA DE NUESTROS Y POR TODOS LOS MUERTOS Y DESAPARECIDOS.

Ismar - Saindo um pouco de foco . Neuza,
AS FARC E A DEMOCRACIA NA COLÔMBIA.
A luta guerrilheira começou na Colômbia em 1964, e desde lá não se tem notícia de golpe militar naquele país. Pode não ser um regime ideal, mas não é uma ditadura militar. Existe um legislativo funcionando ( com problemas, mas existe ), existe um judiciário e existe um presidente, governadores e prefeitos, eleitos por voto popular. Antes de Álvaro Uribe, houveram presidentes um pouco mais pacifistas e a luta armada não acabou. Por mais degradada que seja a democracia colombiana, como você analisa o fato de uma luta armada ser mantida tanto tempo contra um país que em nenhum momento optou pela ruptura institucional, como fez o Brasil em 1964?
Laerte -
A meu juízo Neusa, de extrema validade a pergunta do Ismar sobre as FARCs e a situação na Colômbia, muito bem colocada. Eu diria que com seu conhecimento e sua sensibilidade para o que estamos debatendo aqui, temos a chance de dimensionar a importância das FARCs e do ELN também. Se você não estiver cansada vou aguardar a resposta.
Neusa- Elza,
A OC antecede a reunião a q vc se refere. Durante minha investigação pude descobrir e comprovar q o embrião da Condor foi idéia dos militares brasileiros é o q se convencionou chamar fase 1. Mas a Condor brasileira, embora tivesse o apoio da CIA, era um "frango q voava baixo" fazia muita sujeira, deixou muitas pistas. A CIA então com a necessidade da derrubada do governo da Unidad Popular de Allende, intervém diretanebte com agentes e coloca todas sua Agências p/ promover a carnificina q eu acompanhei no Chile, embora fosse criança. A isso convencionou-se chamar fase 2, Dinges entre outros trabalha muito bem essa fase (claro embalado pelos dólares das universidades americanas) posteriormente vivemos os assassinatos de personalidades no exterior e o massacre dos sandinistas. A isso convencionou-se chamar fase 3, a argentina Calloni trabalha magnificamente com isso.
Agora vivemos uma nova fase, q chamamos 4 q expliquei em tópicos anteriores, o Paraguayo Almada vem trabalhando com essa fase, eu também estou investigando esa fase 4.

Ismar - Democracia na Argentina
Adriana, Muito obrigado pelos esclarecimentos.
Neusa - Ismar,
...companheiro, temos avaliações diferentes. Não considero a situação da Colômbia como uma democrâcia. P/ mim Uribe é um paramilitar a serviço dos EUA.
E, o Principal não vejo as FARC-EP como uma guerrilha, mas como uma força beligerante q deve ser reconhecida como tal. A Colômbia vive uma Guerra Cívil e assim devem ser tratados os Estados Maiores envolvidos e os prisioneiros de guerra. Qto antes isso for reconhecido melhor será a saída p/ esse conflito.
Elsa,...fiquei lhe devendo a última pergunta, talvez a mais difícil.

Qdo me senti fazendo parte da resistência?...nasci fazendo parte da resistência, e fui apreendendo no caminho. Qdo sequestram um ente querido, somem com seu corpo é uma dor tão profunda, dilacerante. Vc tem duas opções:
1) chora, implora ou
2) percebe logo q lágrimas não demovem nem sensibilizam carrascos, q é preciso resistir, lutar.
É preciso lutar, mesmo q se lute chorando.
Sigo lutando!

Carlos - Entramos no dia 10
Passa de meia noite e a companheira Neusa deve estar bem cansada.
Será que alguém ainda está postando algo, ou poderíamos encerrar esta proveitosa noitada?

Braga - Neusa,
Vc como filha de militar, conviveu com a rotina de um oficial, diante dessa sua experiência de vida, acredita que haja arquivo para ser aberto sob responsabilidade do governo ? ou são arquivos particulares mantidos por cada um que participou ?

Laerte
Penso Carlos que a camarada Neusa deve estar de fato cansada. Seria ótimo continuarmos, mas é justo pararmos. Tivemos hoje e isso a Neusa reforçou em sua última resposta, manifestações de uma notável guerreira. A capacidade de indignar-se e lutar e o fato de não ter perdido a ternura mesmo diante de uma dor que apropriadamente ela chama de "dilacerante". Somos devedores a você Neusa de um noite de domingo que, com certeza, nos marcará a todos, seja pelo exemplo, seja pela forma correta, precisa e corajosa com que você entrega sua vida a uma luta.
Costumam dizer que paixão não é racional. Eu prefiro vê-la noutro contexto. Ela é essencial para que você possa viver como ser humano e em você existe a paixão tanto na dor quanto na determinação de luta.
Obrigado. Tëm a minha admiração, o meu respeito e a minha solidariedade, tanto quanto a disposição de luta ao lado de pessoas como você.

Celso - Concordo, Laerte. E renovo minhas homenagens à Neusa, pela trajetória exemplar e pela belíssima participação nesta noite. Parabéns!

Adriana -
Neusa!
Parabéns. Foi una noche e tanto. Furan relembrados momentos que nos dan fuerza para seguir luchando.
Te aguardo em Sao Paulo. Besos, compañera.
PS:
Grácias por la partipación de todos.Buenas noches.

Neusa - Ismar,
...companheiro, sempre houve tentativa por parte das FARC-EP de um diálogo. O Ivan Rios (assassinado recentemente) participou de negociações com o Pastrana q resultaram inúteis. Sim, participou.
O mais importante Participa nessa fase 4.

Coronel Braga - Senhora Neusa, Para encerrar minha participação, tenho informação que a senhora um vez disse que o presidente Lula precisa dar um baita aumento para acalmar a tropa, e assim, será muito melhor para seus trabalhos, qual seria o problema que a tropa cria com a senhora ? não entendi essa declaração sua, pode me falar melhor sobre isso. Muito obrigado, e fica com Deus. Braga

Carlos - Boa noite!Cara Neusa Faço minhas as palavras de Laerte, Celso e Adriana.Até sempre.

Laerte -
Sem querer atravessar vou tentar responder ao companheiro Ismar.
A Colômbia, no final da década de 50, ou início da de 60, saiu da ditadura do general Rojas Pinilla e viveu uma fase em que os partidos conservador e reformista se alternavam no poder em função dos interesses das elites. O processo político por sua natureza dinâmica era refletido nesses interesses das elites no seu contexto pontual, ou seja, de tempo e espaço. Não houve necessidade, digamos assim, de um golpe militar na Colômbia já que seus governos, sucessivamente, se alinhavam com os norte-americanos. Com esses interesses. As guerrilhas surgiram em decorrência de contínuos e constantes massacres, comportamento ditatoriais dos governos em relação aos trabalhadores e camponeses, acredite, as elites colombianas são mais atrasadas que a brasileira e ligadas ao grande negócio da produção e tráfico de drogas, que criou uma tal rede, que a guerra civil refletiu tão somente outro contexto, esse maior, o da América Latina como um todo, numa situação peculiar após a revolução cubana e suas consequências.
A democracia na Colômbia foi apenas o viés colombiano de um período ditatorial sem diferença alguma com o que se viveu no Brasil, na Argentina, no Chile, no Paraguai, no Uruguai, na Bolívia e nos países da AméricaCentral (Somoza, Trujillo, os generais guatemaltecos, a deposição de Juan Bosch na República Dominicana. Num dado momento as FARCs viraram partido e foram massacradas, mais de três mil militantes assinados, dentre eles os vários eleitos em várias cidades colombianas, quando se percebeu claramente o embuste da "democracia". Daí para cá é o que todos conhecemos.

Prof. Elza - Neusa.. Muito Obrigada..
É como eu disse no início. Sinto-me uma aluna. Conhecer os fatos através de quem esteve nele, é uma experiencia gratificante. Sua trajetoria de luta é algo para nunca ser esquecido.Sinto-me honrada por esta oportunidade.Boa noite a todos. Um bom inicio de semana
Ismar - Obrigado pelas respostas Neuza,
Você tem uma trajetória de luta extraordinária. Sua causa é justa e merece todo o meu respeito. Espero que nossa democracia fique cada vez mais sólida e que as pessoas possam emitir opiniões sem sofrer nenhum tipo de ameaça.Só entendendo o nosso passado, poderemos construir um futuro melhor.Espero poder trocar informações com você outras vezes. Grato pelo debate.

Neusa - COMPANHEIROS,...obrigada a todos pelo convite, pela paciência. Aqueles q não consegui responder a tempo, podemos conversar depois....O Hino da Cordinadora Continental Bolivariana tem um estrofe muito bonita
" ALERTA, alerta imperialista, que sigue la espada de Bolívar por la América Latiana"
Boa Noite a todos.
POR NUESTRA AMÉRICA UNIDA,
lA LUCHA SIGUE!
em breve o livro MEMÓRIA DA DOR- A GENESE DA OPERAÇÃO CONDOR NA ALestará saindo pela LCTE, com um preço de capa (a meu pedido) bem razoável.Enquanto isso quem precisar de informações p/ Pesquisa é só me procurar.Considero q a Tese não é minha, pertence ao Povo brasileiro. Foi uma noite maravilhosa, um debate exelente onde apreendi muito.Fiquem Bem.
Neusa Cerveira

Ismar -
Entendo. Mas o conflito colombiano está num impasse. Ao que parece, nem a guerrilha conseguirá derrubar o governo e nem o governo conseguirá acabar com a guerrilha. Já são mais de 40 anos de luta, nenhum dos dois lados aguenta mais outros 40 anos de luta, ou será que sim?? O que fazer então? Para mim só existe um caminho viável: a busca da paz.

Coronel Braga - Sra. Neusa, também agradeço sua participação, só lamento não ter respondido todas as perguntas. Braga

Laerte -
É o que a guerrilha está tentando fazer e Uribe não entende, ou melhor, entende e não quer, pois a paz, tanto na Colômbia, como em Israel não interessa ao poder, às elites. As negociações para troca de reféns foram todas bombardeadas por Uribe, de maneira fria, cínica, traiçoeira, pois negociava acordos e descumpria, como o ato terrorista que matou Raúl Reyes, até em função do seu interesse num terceiro mandato que é o interesse de quem governa de fato a Colômbia, os norte-americanos.
Boa noite a todos, foi uma bela página construída aqui por todas as presenças e pela Neusa.